DSOP Educação Financeira Crédito consignado precisa ser associado à educação financeira

No meu dia a dia, vejo que muitas empresas oferecem aos seus funcionários a possibilidade de contratar empréstimos consignados, esperando que com esse benefício eles possam solucionar possíveis problemas financeiros que enfrentem em sua vida particular. A intenção é positiva, entretanto sempre os aconselho a refletir: será que o acesso ao crédito, por si só, é capaz de eliminar problemas financeiros?

É claro que a modalidade oferece juros baixos em comparação a outras como cartão de crédito, cheque especial e financiamentos, já que o pagamento é retido diretamente do salário do colaborador. Por isso é positiva para quem busca crédito com juros baixos. Porém, pedir crédito consignado sem ter educação financeira é um perigo.

Vamos analisar: atualmente é permitido que um colaborador comprometa até 40% de sua renda com o pagamento de dívidas consignadas, sendo 30% referente a empréstimo e 10% referente ao pagamento de fatura do cartão de crédito. Assim, após contratar o crédito consignado, a pessoa precisará reestabelecer o seu padrão de vida para viver com apenas um percentual de sua renda, que pode chegar a ser 60%.

Para quem já está com dificuldade em administrar as finanças, ter sua renda habitual reduzida de forma tão bruta pode desencadear um novo endividamento e problemas ainda maiores, virando uma bola de neve. E não tem jeito, o conflito se reflete no trabalho. A produtividade da pessoa cai, ela pode até estar presente fisicamente, mas a sua mente está preocupada com as contas. Há pessoas que chegam a pedir demissão para usar o dinheiro da rescisão para resolver a sua vida financeira.

Por isso é muito importante que, aliado ao empréstimo consignado, a empresa ofereça meios para que os colaboradores tenham educação financeira. Atualmente, muitas companhias só permitem que o funcionário tenha acesso ao crédito consignado depois que fizer um curso de educação financeira, por exemplo. Assim se combate a principal causa do problema, que é o comportamento da pessoa em relação às finanças.

Quem é educado financeiramente lida com as finanças de forma saudável e sustentável, e consequentemente leva uma vida melhor. Os reflexos são notáveis tanto na convivência em família quanto no trabalho, já que com menos problemas pessoais é possível se dedicar mais aos afazeres profissionais.

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Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é doutor em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira e da Editora DSOP, publicou o best-seller Terapia Financeira e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra.

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