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Alta do preço de carros novos e usados deixa o IPVA 2022 muito mais caro

Por | Alexandre Rodrigues

Falta de matéria-prima, problemas de logística e a alta demanda fizeram com que o preço médio de carros novos e usados subissem de 25% a 30% no último ano

Se você pensou em comprar um carro 0km ou até mesmo um veículo usado, certamente deve ter se assustado com a supervalorização dos carros. 

E, muito por conta da alta dos preços dos veículos, o IPVA 2022 deve ficar muito mais caro. 

De acordo com a Fipe, o valor médio dos carros novos no Brasil subiu 25% de outubro de 2020 a setembro de 2021. Já entre os usados a alta chegou a quase 30%.

Como já sabemos, todo início de ano costuma ser pesado em relação aos impostos e tributos que são cobrados no mês de janeiro. 

E para quem tem carro, o calafrio é ainda maior, muito por conta do pagamento do IPVA (Imposto Sobre a Propriedade de Veículo Automotores), tributo anual obrigatório que é arrecadado pelos estados brasileiros, além do Distrito Federal. 

A taxa cobrada sobre o valor venal do veículo, calculado pela tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas), com base no mês de setembro do ano anterior.  

Ou seja, os valores do IPVA 2022 foram definidos pelo preço de tabela do carro de setembro de 2021. 

De acordo com a Fipe, o valor do carro zero quilômetro no Brasil subiu, em média, 25% de outubro de 2020 a setembro de 2021. 

Já entre os usados a valorização foi ainda maior, cerca de 30%. 

Vejamos alguns exemplos: 

Valorização de usados de um ano para o outro chegou a 30% – Foto: Divulgação

Em um cenário normal, a tendência é de que o preço do carro vá desvalorizando a cada ano. Mas, neste ano, a coisa será um pouco diferente. 

Vamos imaginar um cenário hipotético, um proprietário de um Chevrolet Onix LT 1.0 com câmbio manual fabricado em 2015. 

Em setembro de 2019, o valor da tabela deste mesmo veículo, segundo a Fipe, era de R$ 33.752, já em setembro de 2020, o valor caiu para R$ 32.472 (ou seja, houve uma desvalorização de 4% de um ano para o outro). Bom, até aí tudo dentro da realidade do mercado. 

Porém, no fechamento de setembro de 2021, o preço de tabela foi de R$ 39.423, ou seja, tivemos uma valorização de 17,6% de um ano para o outro ao invés de desvalorizar. 

Se o proprietário deste Onix morar no estado de São Paulo, onde a alíquota do IPVA é de 4% sobre o valor de tabela do carro, ele pagou R$ 1.350 do imposto referente a 2019 e R$ 1.298 referente a 2020. 

No IPVA de 2022 este mesmo proprietário pagará R$ 1.576, representando um aumento de 21,4% em relação ao IPVA 2021. 

Quer outro exemplo?

 Fiat Argo Drive 1.0

Um Fiat Argo Drive 1.0 fabricado em 2018. No ano de 2019, seu preço médio de tabela era de R$ 41.618, em 2020, caiu para R$ 38.977 e fechou setembro de 2021 em R$ 49.950 – aumento de 28,1% em relação ao ano de 2020. 

O dono de veículo que pagou R$ 1.559 no IPVA 2021 agora vai pagar R$ 1.998 no IPVA 2022, um aumento de 21,9%. 

Vamos a um exemplo de carro 0km! 

Agora temos como referência um Kwid Life que custava R$ 36.990 em setembro de 2020, aumentou 20,7% e fechou setembro de 2021 saindo por R$ 46.690. Se o IPVA 2021 no estado de São Paulo foi de R$ 1.479, o IPVA 2022 será de R$ 1.867.

 Kwid Life

Mas porque o preço dos carros subiu tanto? 

Bom, aconteceu uma ruptura logística da cadeia produtiva global. Ou seja, falta de matéria e como já não é nenhuma novidade, isso refletiu no preço final dos carros que começaram a disparar a cada mês.

A Matéria prima como o aço, borracha, pneus, plásticos, semicondutores entre outros materiais deste processo de manufatura dos veículos. 

A falta de insumos, atrasos de frete, falta de contêineres, lockdowns e voos cancelados criaram todo esse caos logístico. 

É o que afirma Luiz Carlos Moraes, Presidente da Anfavea (a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores)

A falta de insumos fez com que o preço da pouca matéria-prima que tinham em estoque disparasse para minimizar o prejuízo das fabricantes desses componentes. 

Com menos matéria-prima e pagando mais caro por elas, as montadoras produziram menos carros e gastaram mais dinheiro para esse processo. 

CONCESSIONÁRIA CONCESSIONÁRIA 

A crise de abastecimento foi se agravando cada vez mais no primeiro semestre de 2021 e muitas montadoras, como foi o caso da Chevrolet, paralisaram sua linha de produção por alguns meses, o que inclusive acabou na demissão de milhares de funcionários. 

Todo esse problema na produção dos carros novos provocou um grande impacto no mercado de seminovos, que seguiu na mesma linha dos reajustes.  É como muitos dizem, lei da oferta e da procura. 

Esses fatores fizeram com que os inúmeros modelos tivessem seus valores absolutos maiores que a tabela dos 0km. 

MONTADORA 
MONTADORA 

E na prática? 

Na prática, funciona da seguinte maneira: quem precisa de um carro e não pode esperar meses na fila por um zero quilômetro, é obrigado a recorrer para o mercado de usados. 

Por estar ‘sem saída’, o interessado acaba pagando o valor que o proprietário atual do veículo pedir. 

O que na maioria das vezes é um preço bem acima do praticado se estivéssemos em condições normais de mercado. 

Geralmente é bem acima da tabela Fipe. 

Veja abaixo a tabela Fipe em cada estado do Brasil

Imposto cobrado sobre o valor venal do veículo

ESTADO 

  • Acre – 2% 
  • Alagoas – 3% 
  • Amazonas – 3% 
  • Amapá – 3% 
  • Bahia – 2,5%
  • Ceará – 2,5%
  • Distrito Federal – 3,5%
  • Espírito Santo – 2% 
  • Goiás – 3,75%
  • Maranhão – 2,5%
  • Minas Gerais – 4%
  • Mato Grosso – 3%
  • Mato Grosso do Sul – 3,5%
  • Pará – 2,5%
  • Paraíba – 2,5%
  • Paraná – 3,5%
  • Pernambuco – 3%
  • Piauí – 2,5%
  • Rio de Janeiro – 4%
  • Rio Grande do Norte – 3% 
  • Rio Grande do Sul – 3% 
  • Rondônia – 2% 
  • Roraima – 3%
  • Santa Catarina – 2%
  • Sergipe – 2,5%
  • São Paulo – 4%
  • Tocantins – 2%

Fonte: Detrans 

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