Não muito distante na história do Brasil vivíamos um ciclo de inflação galopante e uma voracidade na compra de bens de consumo, como uma forma de proteção dos recursos financeiros individuais, pois no dia seguinte os preços praticados já seriam outros.

Nesse ambiente o cidadão comum não tinha muito tempo e instrumentos para planejar sua vida financeira para um período mais longo. Vivia-se o tormento inflacionário e sem muitas opções de investimentos como agora, no bojo da estabilidade econômica.

Sem dúvida, com a estabilização da economia, novas oportunidades de fontes de financiamentos de bens de consumo encontram-se à disposição da sociedade, que associadas ao marketing de consumo têm levado as famílias a um nível crescente de comprometimento da renda nunca visto antes.

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) indica que a média de endividamento de 50% da população é de R$ 5,2 mil. Isso repercute diretamente sobre as corporações afetando o clima organizacional, uma vez que diversos estudos indicam que a produtividade dos colaboradores é reduzida pela preocupação com contas a pagar e dívidas descontroladas, elevando substancialmente seu estresse emocional. Essas pessoas vivem esperando o próximo pagamento, não se preocupam com o futuro e não têm tempo para se preocupar.

Poderíamos afirmar que colaboradores com problemas financeiros têm maiores índices de ausência e atrasos no trabalho, bem como utilizam recursos da empresa para resolver seus problemas pessoais, além de demandarem por empréstimos e adiantamentos com frequência, com um grande potencial para desvios comportamentais.

De um modo geral, independentemente da área de atuação ou grau de instrução, os profissionais não foram instruídos ou educados de como lidarem com suas próprias finanças durante sua formação acadêmica e profissional.

A transformação deste cenário deverá ter como base a reeducação financeira dos colaboradores, com foco na mudança de antigos hábitos e comportamentos em relação ao uso do dinheiro.

As organizações que se preocupam com o desenvolvimento humano de seus profissionais já colhem promissores frutos desse olhar sistêmico sobre o SER.

Adenias Gonçalves Filho
Educador Financeiro DSOP da DSOP Educação Financeira

Sócio Diretor da BRExperts Consultoria Empresarial Multidisciplinar e da Unidade Franqueada DSOP Rio de Janeiro. Atua como Consultor em Gestão Empresarial, Finanças Pessoais, Coaching, Educador e Palestrante. Formado em Administração de empresas, Pós-Graduado em Finanças pelo IBMEC-RJ, em Administração, Contabilidade e Finanças pela FGV-RJ e em Gestão Estratégica pela Amana Key-SP, com especialização em Finanças Internacionais pelo Industrial Bank of Japan-Japão. Pós Graduando em Terapias Naturais e Holísticas pela Universidade Castelo Branco-RJ. Certificado em Life Coaching pelo Instituto HOLOS-SP. Docência pela Faculdade Campos Sales-SP. Formação em Empreendedorismo para Palestrantes – Extensivo, pela Academia do Palestrante – São Paulo. Colaborador externo do projeto de Saúde Financeira do DAS/PRH/UFRN – Pró-Reitoria de Recursos Humanos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN.
Ministra Palestras regulares em Órgãos Públicos e Empresas Privadas com tema voltado para a Educação Financeira com foco comportamental tendo implantado pioneiramente o Programa DSOP de Educação Financeira nas Escolas do Rio de Janeiro. Atuou como voluntário em Programa de Empreendedorismo da Junior Achievement no Rio de Janeiro. Exerceu docência na ESPM-RJ.
Carreira desenvolvida em grupo econômico de grande porte por 36 anos, ocupando os cargos de Diretor de Auditoria Corporativa e de Projetos Especiais, Diretor de Finanças e Diretor Presidente de Rede de Hotéis, membro do Conselho de Administração e Curador da Fundação Ruben Berta, entre outras posições de destaque.