Hoje, no Brasil, 39,5% da população adulta, ou seja, cerca de 55 milhões de pessoas, ainda não estão inclusas no sistema bancário, isto é, não possui nem ao menos uma conta bancária. Os dados são de um estudo do Instituto Data Popular, divulgado em 8 de maio.

Mas o que isso significa exatamente? Várias análises podem ser feitas sobre esse tema, dentre as quais, está o fato de que a educação financeira ainda tem um longo caminho a percorrer no país e que prioridades devem ser tomadas, já que, hoje, ter uma conta bancária ou mesmo aplicar em uma simples caderneta de poupança são requisitos básicos para uma vida saudável e sustentável financeiramente.
Para se ter uma ideia, a população dos “sem conta”, movimenta, anualmente, R$ 665 bilhões, compostos por trabalhadores autônomos (26%), sem carteira assinada (20%), donas de casa (17%) e, até mesmo, empregados registrados (8%).
A grande questão que fica é: se essas pessoas nem ao menos tem acesso a uma conta bancária, qual será o futuro delas financeiramente? Infelizmente, boa parte não conseguirá se aposentar e, com isso, terão suas vidas desestruturadas e deverão continuar trabalhando até o final de suas vidas ou serão sustentadas por seus filhos.
Essa situação ocorre porque o dinheiro é uma moeda de troca, que provem do trabalho. Quando guardado de forma inteligente, rende juros, proporciona maior poder de compra e, por isso, é preciso que todos conheçam os benefícios do dinheiro guardado e aplicado corretamente em um banco.
Como tudo na vida, entrar no sistema bancário tem o lado bom e o lado ruim. Neste caso, o lado bom são os juros a favor, que se ganha com as aplicações financeiras; o lado ruim são os juros contra, quando se toma créditos e empréstimos. Portanto, é preciso estar educado financeiramente e guardar o dinheiro para, somente, ganhar juros.
Porém, os lados positivos são muito maiores. Imagine como vivem essas pessoas sem contas bancárias? Guardam dinheiro “embaixo do colchão” como antigamente? E a inflação? Sem dúvida, a situação é muito séria e requer cuidados por parte dos governantes e também das instituições bancárias.
O estudo do Data Popular também mostra que, quanto menor o nível de renda, maior é a aversão da população em utilizar os serviços bancários. Por isso, a educação financeira pode e deve ser o grande aliado nessa empreitada de alfabetização financeira.
É preciso que as pessoas que ainda não possuem contas busquem uma instituição financeira o quanto antes e abram as suas contas correntes e de poupança. Lembro ainda que o dinheiro guardado em casa não rende juros.
Por fim, é importante alertar o importante papel que todos têm em conscientizar aqueles que ainda não aderiram ao mundo bancário e mostrar o lado bom de ter o dinheiro guardado em uma instituição financeira. Não se pode, apenas, depender dos governantes. Todos os cidadãos têm a obrigação de fazer a sua parcela, levando conhecimento aos que não têm acesso à informação. Assim, é possível a construir um Brasil mais equilibrado e próspero financeiramente.

Fonte: //www.infomoney.com.br/blogs/financas-em-casa/post/2775150/milhoes-brasileiros-ainda-nao-tem-acesso-rede-bancaria

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.