Antes de analisarmos a questão acima, vamos conversar sobre a origem desse tipo de investimento.

A caderneta de poupança foi criada juntamente com o início da atividade da CAIXA como instituição financeira, no século XIX. Através do Decreto nº 2.723 de 12/01/1861, que criou a Caixa Econômica da Corte. No Artigo 1º, o Imperador D. Pedro II destacou: “A Caixa Econômica estabelecida na cidade do Rio de Janeiro (…) tem por fim receber, a juro de 6%, as pequenas economias das classes menos abastadas e de assegurar, sob garantia do Governo Imperial, a fiel restituição do que pertencer a cada contribuinte, quando este o reclamar (…)”.

Assim sendo, a caderneta de poupança foi idealizada, no seu princípio, para uma reserva monetária para as camadas mais pobres da população, que serviria de ajuda nos momentos mais difíceis, inclusive como uma garantia para a velhice. Com a proteção do poder público, a poupança foi considerada um investimento seguro e garantido.

Desde sua criação, tivemos vários dispositivos legais que promoveram algum tipo de mudança no sistema, mas a mais significativa foi gerada pela Lei 4.380 de 21/08/1964, quando foi criada a correção monetária para tais depósitos. Desta forma, além da remuneração anual de 6%, os valores depositados passaram a ser atualizados mensalmente pela correção monetária, conforme índices definidos pelo Banco Central.

Hoje, temos duas modalidades de caderneta de poupança:

1. Para os depósitos realizados até 03/05/2012, a regra de remuneração é : TR + 6,17% ao ano, independentemente do valor da SELIC;

2. Para os depósitos realizados a partir de 04/05/2012, temos:

– Quando a SELIC estiver acima de 8,5% ao ano, a regra de remuneração permanece TR + 6,17% ao ano;

– Quando a SELIC estiver em 8,5% ao ano ou abaixo, a caderneta de poupança passa a render TR + 70% da SELIC.

Analisando a rentabilidade real (descontando a inflação do período) oferecida pela caderneta de poupança (investimento de renda fixa), podemos constatar que, nos últimos três anos, ficaram abaixo de 1% ao ano. Em 2010 e 2011, 0,94% ao ano e, em 2012, apenas 0,6% ao ano (fonte economática), ou seja, praticamente apenas manteve o valor do dinheiro no tempo.

Então, quais são os motivos que fazem com que os brasileiros invistam tanto nesse tipo de investimento que, segundo o Banco Central, bateu recorde de captação de valores em julho de 2013 e no acumulado deste ano.

Em minha opinião, são três os principais fatores: a tradição do investimento, a comodidade e a falta de conhecimento, devido à falta de Educação Financeira.

A caderneta de poupança é um investimento, como vimos acima, com mais de 150 anos de existência, da qual muitas gerações de brasileiros já utilizaram. Por ser um investimento tradicional, transmite segurança, apesar da baixa rentabilidade.

Na questão de comodidade, é fácil efetuar a aplicação, inclusive de pequenos valores. Não é necessário realizar qualquer tipo de pesquisa entre instituições financeiras para escolher qual remunera melhor esse investimento, pois a rentabilidade é exatamente igual em qualquer dos bancos existentes no mercado. Além do que, se o poupador precisar retirar o dinheiro da aplicação, rapidamente ele consegue fazê-lo, no mesmo dia, em qualquer caixa eletrônico, no próprio banco ou via internet.

Já na questão da falta de conhecimento, podemos constatar que existem várias aplicações no mercado financeiro que remuneram melhor, para horizontes de investimento acima de seis meses. Se o poupador tiver o médio e longo prazo a seu favor para dispor do dinheiro que possui para aplicar, com certeza, encontrará no CDB, Títulos do Tesouro, Fundos Imobiliários, Renda Variável e outros (mesmo possuindo taxas e impostos), uma melhor remuneração comparada com a caderneta, que é isenta de taxas e impostos.

Mas existe uma lacuna muito grande devido à falta de educação financeira no Brasil, pois a fatia da população que conhece esses investimentos ainda é muito pequena. Além do que, o brasileiro não tem o hábito de poupar para realizar sonhos a médio e longo prazo. O imediatismo, o consumo incosciente e o excesso de dívidas canalizam os recursos financeiros para o presente, não deixando que se preparem para um futuro financeiro mais próspero.

Por isso, é fundamental que a Educação Finaceira seja disseminada em nosso país, a começar pelas nossas Escolas do Ensino Básico, capacitando os professores, habilitando as escolas e utilizando um material didático específico para cada faixa etária, a fim de construir, assim, uma nova geração de cidadãos conscientes e sustentáveis financeiramente.

Edward Claudio Jr.
Educador Financeiro

SP 06/08/2013.

Edward Claudio Jr
Educador Financeiro da DSOP Educação Financeira


• Administrador de Empresas; atuante na área Financeira e Fiscal há mais de 15 anos;
• Educador Financeiro e Palestrante DSOP;
• Graduado em Matemática pela Universidade São Judas Tadeu;
• Pós-Graduação em Administração de Empresas pela Universidade São Judas Tadeu;
• Pós-Graduação em Planejamento Tributário pela Uni-FMU;
• Formação de Treinador pelo IFT – Instituto de Formação de Treinadores;
• Consultor Financeiro Pessoal e Familiar;
• Certificação CPA-10 – ANBIMA;
• Executive Coach – Net Profit – CAC (Center For Advanced Coaching);
• Master Coach Financeiro – Instituto de Coaching Financeiro;
• Colaborador da Rádio Boa Nova de Guarulhos, participando de temas sobre Educação Financeira;
• Diretor Financeiro da ABEFIN (Associação Brasileira de Educadores Financeiros);
• Ministra, mensalmente, para as Turmas de Menores Aprendizes do CIEE palestras de Educação Financeira;
• Palestra no Programa Pre-Parar da Prefeitura de São Paulo (Área da Saúde), para colaboradores próximos da Aposentadoria;
• Capacitador dos professores das redes Pública e Particular, da Metodologia DSOP, para que ministrem as aulas de Educação Financeira para o Ensino Básico e
• Voluntário da ONG Amigos do Bem.