A escola, enquanto instituição social, não é um espaço neutro aos conflitos e disputas presentes na sociedade. A forma que ela assume em cada momento é sempre o resultado precário e provisório de um movimento permanente de transformações em que as tensões e conflitos sociais se refletem.

Assim, é muito comum a mistura de crianças de menor poder aquisitivo com outras que são mais abastadas financeiramente, o que pode gerar conflitos, podendo deixar marcas que influenciarão na personalidade delas. É papel de todos nós mostrar que o dinheiro não pode ser um objeto de diferenciação entre as crianças. Qualquer forma de descriminação é prejudicial à sua formação; portanto, a humildade leva à igualdade.

Por parte da escola, o tema deve ser tratado com grande delicadeza, fazer uma análise de suas políticas e tomar cuidado para que não haja possibilidade de marginalização de alunos em função do dinheiro. Não se deve pensar na escola como apenas uma empresa, ela é muito mais que isso, possuindo uma responsabilidade social crucial.

A melhor política é o de uma comunicação bastante franca com os pais do aluno, demonstrando quais os possíveis gastos durante o ano e quais as possibilidades de pagamento. Também reforço a relevância da inserção do tema educação financeira para os alunos, a partir do qual os pequeninos poderão ter um entendimento maior dessas diferenças existentes e se dará opções para que se realizem novos sonhos.

Contudo, existem pontos extremos; caso a escola perceba a existência de problemas relacionados a essa questão, com discriminação e até mesmo bullying, ações mais enérgicas são necessárias, buscando isolar os focos desses problemas e chamando os pais para uma conversa séria, também há casos em que punições podem ser necessárias.

Para os pais, o tema também deve ser tratado com grande delicadeza. Se a criança tem amigos que possuem melhores condições financeiras do que ela, os pais devem tomar o cuidado de explicar o porquê isso ocorre, mostrando que ela nem sempre pode ter tudo o que o amigo possui, mas pode ser feliz mesmo assim, como falo em minhas coleções O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro. A criança não deve se sentir menor em função disso, pois os verdadeiros amigos não se importam com essa diferença.

Como sempre ressalto, também é importante as crianças terem sonhos e isso pode ser utilizado em muitos dos desejos que ela tenha, mostrando que poupando um pouquinho por mês eles poderão ser realizados em um prazo pré-definido.

Já em relação aos pais das crianças que possuem mais dinheiro que os amigos, estes devem mostrar a ela que isso não importa, pois o essencial mesmo é saber que o dinheiro não compra felicidade e nem tão pouco amizade. E a criança, por sua vez, deve agir com naturalidade, uma vez que o dinheiro não faz ninguém melhor do que o outro. O que realmente é decisivo para o relacionamento social é o caráter e a humildade.

Enfim, a educação financeira deve estar inserida nos contextos de nossas vidas, pois não está relacionada apenas a dinheiro, e sim a comportamentos e posturas que refletem em pontos primordiais, como sustentabilidade, cidadania e respeito.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.