O cofrinho é uma ferramenta muito importante de educação financeira, até porque, trata-se de uma tradição que vem de gerações anteriores. Muitos de nós mesmos tivemos um primeiro contato com o dinheiro e aprendemos o conceito de poupar por meio deles. Falo mais sobre o assunto no livro O Menino, o dinheiro e os três cofrinhos(Editora DSOP), da coleção O Menino e o Dinheiro.

Quando digo que é uma forma interessante de ensinar a criança a lidar com os recursos financeiros, é porque o processo é quase o mesmo do que os adultos fazem – ou deveriam fazer: ganham o dinheiro e, de acordo com o sonho, colocam certa quantia em um tipo de investimento, do qual procuram não retirar até que se alcance o valor necessário para realizá-lo. É assim que funciona o cofrinho e é dessa forma que os pequenos devem ser apresentados a ele.

Infelizmente, nas décadas de 80 e 90, essas peças sumiram dos quartos das crianças, em função dos altos índices de inflação e da mudança constante de moedas. Mas, depois da criação do Plano Real, em julho de 1994, acredito que se deu início a um novo ciclo dessa valorização, isto porque temos hoje uma economia estável e poupar passou a ser uma das importantes práticas aos que querem buscar pela sustentabilidade financeira.

Se você faz parte dessa geração que tem o costume de poupar, a melhor coisa a se fazer é conscientizar as pessoas ao seu redor, inclusive e principalmente, as crianças. Converse com elas sobre a importância do assunto e estimule-as a sonhar – afinal de contas, o dinheiro é um meio para realizá-los –, e o cofrinho é o grande auxiliador desse processo.

No entanto, como educador e terapeuta financeiro, posso afirmar que não basta ensiná-las a poupar antes de gastar, mas também é preciso fazer com elas entendam a importância de ser disciplinado e não retirem o dinheiro do cofrinho aleatoriamente, até porque, aquele valor já tem um destino. Para que isso fique mais claro para os pequenos, é interessante ter um cofrinho para cada sonho: um de curto prazo (até três meses), um de médio (de três a seis meses) e outro de longo (acima de seis meses).

Faça esse processo ser lúdico, permitindo que a criança crie intimidade com o cofrinho, para que o hábito de guardar dinheiro se torne algo natural. Isso acaba se tornando um costume que ela vai levar para o resto da vida, fazendo da mesma forma quando receber seu primeiro salário – claro, dessa vez, aprendendo a guardar seu dinheiro em uma poupança, por exemplo.

E a família não está sozinha nessa empreitada; milhares de escolas espalhadas por todo o país sabem da importância da educação financeira e já inseriram esta como uma disciplina em sua grade curricular, iniciativa que atinge, de uma só vez, alunos (de ensino infantil ao médio), professores, pais e toda a comunidade no entorno da instituição.

Essa é uma tarefa simples, mas que tem o poder de mudar o comportamento das pessoas em relação à administração e utilização do dinheiro. Ensinar a criança que ela deve sempre guardar dinheiro relacionando a um sonho, então, é o primeiro passo rumo à formação de novas gerações de famílias saudáveis e sustentáveis financeiramente.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.