Uma pesquisa feita pelo Portal IG mostrou que vários bancos já estão oferecendo cartões de crédito, adicionais ao do titular, para crianças e jovens.

A justificativa é de que, dado que o “dinheiro virtual” (cartões de crédito e débito) é uma realidade e que, provavelmente, no futuro, será a única moeda, é bom que eles já sejam inseridos desde já.

Eu acredito que essa prática irá gerar mais danos do que benefícios. Para se utilizar bem essa ferramenta de compra, primeiro, deve “sentir” o que é ter uma quantidade de dinheiro (moedas ou notas). Poder contar a quantia disponível e o que restou após uma determinada compra é o início do processo de aprendizagem de controle do dinheiro.

O dinheiro já é um conceito abstrato, pois o papel moeda representam um valor, o poder para comprar algum produto ou serviço. E, quando se fala de poder, é necessário saber administrar. Uma lei da psicologia (de Lev Vygotsky, psicólogo bielo-russo cuja obra influenciou grandemente a pedagogia contemporânea) fala que a consciência e o controle só aparecem num estágio relativamente tardio de desenvolvimento de uma função, depois de esta ter sido utilizada e praticada inconsciente e espontaneamente. Para submetermos uma função ao controle da inteligência e da vontade, temos que a dominar primeiro.

Seguindo os passos da Metodologia DSOP de Educação Financeira, inicialmente, a criança pode, brincando, conhecer os quatro pilares básicos: Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar, para, depois, colocá-los em prática.

A partir dos sete anos, é recomendável que a criança receba uma quantidade semanal ou mensal (semanada ou mesada) para administrar. Essa quantidade deve ser em dinheiro vivo (notas ou moedas). Assim, começará a conhecer o valor do dinheiro e aprenderá gradativamente a como controlá-lo.

Uma vez que a criança é educada financeiramente e aprendeu a controlar o dinheiro vivo, pode ser o momento para ela começar a ser orientada sobre o uso do dinheiro virtual (cartão de débito) para, só então, aprender a utilizar de forma consciente o crédito.

Educação Financeira, sem dúvida nenhuma, deve ser a base. Queimar etapas e permitir que crianças façam uso de um poder o qual não foram ensinadas a controlar irá contribuir na formação de futuras gerações de pessoas endividadas e consumistas.