A mentalidade atual das pessoas é de ser feliz a qualquer custo. Comprar para se realizar, ter para ser, mas, muitas vezes, essa “felicidade” vem disfarçada de um problema que é muito maior que uma simples vontade de comprar.

É muito comum ver pessoas totalmente abaladas emocionalmente tentando suprir essas carências e vazios dentro de um shopping ou loja quaisquer, mas a pergunta que eu faço hoje é: será que adianta pagar “duplicatas emocionais” com o seu cartão de crédito? Procurar itens luxuosos e marcas que tragam status, somente porque estão se sentindo por baixo e com a autoestima no pé, é a solução para esse tipo de situação?

Esse comportamento traz consequências, muitas vezes, irreversíveis, principalmente para as finanças e o futuro das famílias. Uma das grandes questões a ser abordada hoje é a inteligência emocional, que nada mais é do que a capacidade de controlar e discernir uma situação sem deixar o meio externo te dominar e determinar o seu comportamento e ação.

As pessoas falam que compram e se endividam porque merecem, trabalham demais e têm o direito de comprar algo que gostam, mesmo que, para isso, tenham que gastar um dinheiro que não possuem. E é aí que se encontra um dos grandes erros que levam as pessoas ao endividamento.

Se formos analisar, passamos por diversas pressões na vida que acabam nos desestabilizando e, como muitas vezes não conseguimos identificar ou combater a real causa do problema, acabamos mascarando e partimos para aquilo que pode nos satisfazer temporariamente ou aliviar nossas tensões e tristezas de alguma forma.

Mas, a grande realidade é que acabamos perdendo o foco e o controle da situação, amenizando esse vazio ou decepção, adquirindo novas dívidas e comprando coisas que, muitas vezes, não vamos utilizar. Assim, o controle das emoções está totalmente ligado ao relacionamento que temos hoje com o dinheiro.

Pessoas emocionalmente descontroladas tendem a se endividar mais do que aqueles que são aparentemente mais frios diante das dificuldades do cotidiano. Portanto, aí vai uma dica: busque fazer uma reflexão profunda e seja sincero com você mesmo; com isso, irá perceber que o seu problema é emocional e que uma simples compra não vai mudar em nada essa situação. Pare de fugir disso procurando alternativas que só vão trazer ainda mais problemas para você.

A maior falha das pessoas é acreditar que podem eliminar suas mágoas, decepções e carências no seu cartão de crédito; ele não tem nada haver com isso. Livre-se de abalos emocionais e não queira solucionar um problema com uma ferramenta que não é adequada.

Enfim, a dica que deixo é que, se as suas emoções estão debilitadas devido ao término daquele relacionamento, à perda de um emprego ou até mesmo uma crise familiar, não torne as coisas mais complicadas com mais um problema: dívidas. Tenha o controle das suas emoções e não tente curar uma “gripe” com um remédio para “dor de cabeça”.