Muito se fala sobre os milhões de brasileiros endividados, mas quais são os verdadeiros motivos que causam esta situação? São vários, mas decidi detalhar os sete principais pecados que levam as pessoas a se endividarem:

1. Falta de educação financeira:

A educação financeira é um tema pouco explorado junto a nossas famílias e escolas, as pessoas até conhecem sobre a importância do dinheiro, mas desconhecem que ele é meio e não fim, então não o respeitam de forma consciente. Isso acontece com a maior parte da população. Nossas crianças e adolescentes ficam expostos à sociedade do consumo, e a primeira coisa que acontece com elas é aprender a troca do dinheiro com alguma coisa que elas queiram (doces, sorvetes, figurinhas, etc.). O caminho é investir neste tema – adultos, jovens e crianças – é preciso assumir um novo comportamento e iniciar uma nova postura junto ao dinheiro. Para isso, busque ajuda e saiba que já existem diversas iniciativas que podem ajudar, entre elas, recomendo a Metodologia DSOP de Educação Financeira, que pode de imediato combater a causa deste problema que assombra a grande maioria das famílias brasileiras.

2. Falta de controle financeiro:

É muito comum ouvir “eu tenho planilhas, faço orçamento financeiro e não consigo melhorar minha vida financeira e realizar meus sonhos”. Se esse for o seu caso, ou a de um amigo ou colega de trabalho ou ainda um parente, a solução começa já. Tudo depende de atitude, disciplina e muita perseverança, não existe ninguém que não possa resolver sua dificuldade financeira. O problema é que as pessoas combatem o efeito dela e não a verdadeira causa. Tudo começa com um diagnóstico financeiro, registrando por trinta dias tudo o que se ganha e gasta, separando por tipo de despesas; não se pode esquecer de nada, tudo deverá ser anotado, até mesmo os cafezinhos, gorjetas, entre outros pequenos gastos. É preciso realizar uma reunião familiar – incluindo as crianças – e colocar tudo na mesa, transparência total e envolvimento de todos. Conversem sobre sonhos e objetivos individuais e coletivos e vejam como farão para guardar o dinheiro necessário para realizar cada um deles.

3. Marketing e publicidade:

Estar suscetível a ferramentas de marketing e publicidade é plenamente normal, por isso, não se deve combater, mas sim aprender a lidar e entender como podemos nos defender dos impulsos que estas ferramentas causam. É muito comum comprarmos o que não sonhamos, isto pela falta de foco nos sonhos e de entendimento da importância de priorizá-los. Sonho para ser realizado deve sempre estar acompanhado de informações como quanto custa, quanto se poderá guardar de dinheiro por mês, para, então, descobrir em quanto tempo vai realizá-lo. Um sonho sem estes requisitos não é um sonho, e sim um verdadeiro pesadelo. Por isso, muitas vezes, compramos aquilo que não sonhávamos com o dinheiro que não temos para impressionar até mesmo quem não conhecemos.

Também é muito normal queiramos impressionar amigos, parentes e até mesmo colegas de trabalho. Isto vem da necessidade de se equiparar ao padrão de vida do outro, mas este não é o caminho, até porque, mesmo que ganhemos o mesmo salário e sejamos muito parecidos, cada um tem sua vida, seus gastos e suas necessidades!

4. Crédito fácil:

Uma grande parcela de nossa população brasileira está tomada em cheque especial, cartão de crédito, créditos consignados, entre outras linhas de créditos. Chamamos isto de crédito fácil. Estar contra o crédito seria uma luta difícil, porque o mundo vive em torno dele. Então, temos que aprender a lidar com o sistema financeiro, não sermos contra ele, ou seja, utilizar o melhor que eles têm. Quando se aplica um dinheiro para realização de um sonho, os bancos pagam dinheiro, isto é, pagam juros que são o rendimento do dinheiro que lá se encontra guardado, e isto é o que devemos aprender e ensinar.

Os juros altos que pagamos são reflexos do risco de não receberem o dinheiro e, se tivermos educação financeira para a população, certamente, teremos uma redução nas taxas de juros. Não devemos evitar nem mesmo o cartão de crédito, mas sim saber como utilizá-lo. É preciso registrar que cartão de crédito é um meio de compra e não o vilão da história; as compras por impulso e não previstas no orçamento financeiro é que são responsáveis pelo desequilíbrio financeiro. Sendo assim, recomendo que, se tiverem essa ferramenta de compra, não devem utilizar o limite, isto porque é um dos mais fáceis meios de endividamento com juros altíssimos.

5. Facilidades de parcelamentos:

Compra a prazo requer cuidados. Sempre registro que, quem compra a prestações, tem dívidas, quem tem dívidas, paga juros, quem paga juros realiza menos sonhos. Parece ser algo lógico e é mesmo. Comprar a prazo não tem nada de errado, é uma das opções de compras mais utilizadas pela população brasileira e mundial. Para termos melhor visão a respeito, é preciso entender e ter a consciência de que a compra à vista requer guardar o dinheiro e, para guardar o dinheiro, é uma questão de mudar hábitos e costumes. Com isso, temos que mostrar o lado bom de comprar à vista, que é o pagar mais barato, gastar menos dinheiro e realizar mais sonhos. Mas não podemos virar as costas e dizer que os parcelamentos não fazem parte do sistema. Devemos nos precaver e também se atentar para comprar a prazo, é preciso antes de qualquer coisa, saber se a prestação contraída cabe ou não cabe no orçamento financeiro mensal. Infelizmente, grande parte das pessoas vai comprando e, quando vê, não consegue mais pagar todas as prestações contraídas e começa o desespero da inadimplência, seguida de negativação do nome, entre outros problemas, como também saúde, stress, baixa autoestima, etc. Tenha prestações que caibam no seu bolso e procure comprar sempre à vista e com desconto!

6. Falta de foco nos sonhos:

Todos nós sonhamos, desejamos e até mesmo temos objetivos, o que não temos é o foco nos mesmos e nem mesmo os priorizamos. Na Metodologia DSOP de Educação Financeira, em que apresento os quatro pilares (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar), trago um grande diferencial dentro de uma disciplina que, para milhões de brasileiros, era algo somente de matemática, planilhas e cálculos. Claro que estas ferramentas são importantes, mas a Metodologia trata o assunto de forma comportamental, promovendo mudança de hábitos e costumes e focando nos verdadeiros sonhos.

7. Necessidades de status social:

Todos nós vivemos e convivemos com outras pessoas. Estarmos inseridos nesta sociedade é algo importante, mas devemos pensar um pouco em como devemos conviver com as diversidades. É preciso respeitar o padrão de vida em que vivemos. É muito comum ver pessoas se atolando em dívidas para manter um status social que, muitas vezes, nem é real. Impressionar o amigo da escola, da empresa, a vizinha é algo muito comum nos dias de hoje; vivemos numa sociedade em que se cultiva o “ter”. Mas é preciso entender que não se consegue viver por muito tempo uma vida que não lhe pertence, comprar aquilo que não se pode pagar ou se pagar deixar algumas outras coisas básicas sem realizar. O que realmente importa é assumir o comando da vida financeira, ou seja, ser o que realmente somos, viver feliz dentro das nossas possibilidades financeiras. O respeito ao padrão de vida vem de uma somatória de ações, entre elas, relato a de se educar financeiramente, estabelecer os limites, ter consciência do que se pode e do que não se pode. Muitas pessoas acreditam que possuir alguma coisa é que irá fazer a diferença na sociedade, isso é reflexo das informações que recebemos hoje. É preciso reunir-se com a família e colocar na mesa este tema de viver dentro do verdadeiro padrão de vida, pois, certamente, isto fará muito bem a todos, em especial às nossas crianças.

Ao citar os sete pecados capitais, não quer dizer que não existam outros, mas acredito que estes são vitais para uma pessoa ou família. Quem investe em seus conhecimentos, tem maior chance de se dar bem na vida e, quem tem a educação financeira como um dos requisitos básicos para se viver bem, com toda a certeza, poderá desfrutar muito melhor desta vida. Enfim, vamos todos investir em nossa saúde financeira para dar sustentabilidade às nossas principais saúdes física, mental e espiritual.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.