Quem está pensando em comprar a casa própria já se deve ter feito a pergunta: “o que é mais vantajoso financeiramente: financiar ou poupar até atingir o valor necessário para comprar o imóvel à vista?”. Se não fez, deveria. A Caixa Econômica acaba de aumentar as taxas de juros do financiamento imobiliário.

Os financiamentos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) não serão afetados com essa alta nas taxas de juros. Na realidade serão alteradas apenas as taxas nas operações com recursos da poupança, só valendo para quem tem renda acima de R$ 5,4 mil.

O SFH (Sistema Financeiro da Habitação) que fechava a taxa de juros em 8,5% ao ano foi para 9%; o SFI (Sistema de Financiamento imobiliário), por sua vez, que era de 9,10% aumentou para 10,7% ao ano. Isso quer dizer que, em uma simulação de compra de um imóvel de R$300 mil, por exemplo, o valor total pago na primeira opção seria R$ 868.992,43 e na segunda opção, R$ 1.002.481,20.

Sei que o fato de informá-lo de que um imóvel poderá custar três vezes mais, se financiado em 30 anos, não vai fazê-lo desistir do sonho de ter sua própria casa. Afinal, o financiamento funciona como uma espécie de aluguel com possibilidade de compra no final, não deixando de ser uma opção para assegurar o bem tão desejado. Além disso, quem possui um bom equilíbrio e controle financeiro deve ficar atento para não se deixar levar pela ansiedade de querer quitar o imóvel em menos tempo. Quando isso acontece você acaba utilizando toda a sua reserva financeira e dica sem nada guardado.

Lembre-se de que temos que criar o hábito de ter dinheiro acumulado para destinar aos imprevistos da vida e também para alimentar a concretização de nossos sonhos, até porque, caso contrário, pode-se correr o risco de perder o imóvel num revés financeiro. Mas talvez você pense duas vezes e decida poupar o valor total ou parte dele durante alguns anos e só então partir para o financiamento, por um prazo menor, pagando um valor de três apartamentos e levar só um.

Para quem mora com os pais e está planejando sair de casa no médio prazo ou tem planos de ter um imóvel para investimento, o cálculo a seguir pode ajudar a prever em quanto tempo conseguiria acumular o valor necessário para a compra à vista de um imóvel. Vamos apenas supor que o valor atual de mercado do qual você pretende comprar seja de R$100 mil.

Se, ao invés de financiar e ficar pagando quase R$1.000,00 por mês, e pagar, no final das contas, um valor muito superior, é possível acumular o valor total em seis anos, depositando mensalmente a quantia equivalente à prestação do financiamento, em uma aplicação financeira com rentabilidade líquida de 0,7% ao mês. Mesmo com a correção monetária do valor do imóvel em seis anos, é mais vantajoso ter disciplina e paciência para realizar o sonho da casa própria num tempo e custo bastante inferiores ao do financiamento.

Claro que, no decorrer do planejamento, a situação geral pode mudar, necessitando alguns ajustes, é natural. A recomendação é que os depósitos devem ser conforme as posses, mas sem perder o foco e a disciplina. Mesmo que acabe demorando um pouco mais do que o previsto inicialmente, você ainda estará “no lucro”, pois terá sua casa sem dívidas posteriores, em muito menos tempo do que em um financiamento.

Para reformas e decoração da casa, a ideia do planejamento continua a mesma. Isso é educação financeira: saber da real situação financeira em que se encontra, para agir com cautela e consciência. A melhor alternativa sempre é poupar antes e gastar depois, pensem nisso!

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.