Em janeiro, a inflação oficial (IPCA) bateu o recorde de 1,24%, maior índice desde fevereiro de 2003, acumulando em 12 meses 7,14%, cujo teto fixado pelo governo central é de 6,50% ao ano. E as expectativas para os próximos meses não são as melhores. A disparada do dólar nos últimos dias só veio agravar as projeções de inflação para 2015. E como nós, consumidores, devemos nos portar para proteger a nossa renda, de modo que a inflação não a corroa por completo? Seguem algumas orientaçõs eficazes.

1. Produtos alimentícios que subiram muito de preço, como tomate, batata e feijão: usar a criatividade e substituí-los por outros mais em conta ou diminuir proporcionalmente o seu consumo;

2. Serviços de água e energia, que sofreram ou irão sofrer reajuste: criar novas atitudes e hábitos, combatendo desperdícios de todas as formas e racionalizando o seu consumo;

3. Orçamento doméstico: organizá-lo mensalmente(combatendo o consumo por impulso e primando pelo controle e planejamento de gastos), ir às compras com lista do que irá comprar, pesquisar preços, trocar produtos de marca por similares de qualidade equivalente ou próximo disso, pechinchar e erigir sempre desconto nas compras à vista, evitar frutas e verduras fora da estação, pois são mais caras;

4. Medicamentos: sempre pesquisar seus preços e optar pelos genéricos, que chegam a custar até cinco vezes menos. As farmácias de rede geralmente vendem mais barato. O ideal é comprar em ruas que têm várias farmácias próximas, o que favorece a pesquisa de preços e a concorrência entre elas, em prol do consumidor;

5. Compras em atacado: essa prática é recomendada não para acumular alimentos em casa por causa da inflação (o que só a alimentaria), mas no caso de famílias que consomem uma quantidade elevada de determinado item e que a compra em grosso seja mais vantajosa, ou em caso de produtos em promoção para consumo regular, ou ainda quando várias famílias se juntam para compras na CEASA, por exemplo;

6. Refeições fora de casa: esse item no orçamento foi um dos que mais subiu nos últimos anos, e uma refeição fora de casa pode chegar a custar até 10 vezes mais do que aquela feita em casa. Diminua a frequência a restaurantes e similares e veja a diferença no fim do mês e ano;

7. Outras dicas para economizar: inove no cardápio, usando itens com maior oferta (período de safra); compre nos dias de promoção de certos itens nos supermercados; se o produto está caro e não pode substituí-lo, leve o necessário para um ou dois dias, pois ele pode baixar em seguida;

8. Disparada do dólar: produtos como vinhos, pães e bolachas, carnes, óleo, açúcar, máquinas e equipamentos industriais, matérias primas de vários produtos como itens de higiene pessoal e limpeza tendem a subir. Isso em decorrência do aumento do dólar e de seus efeitos na inflação dos próximos meses. O que fazer? Eliminar os desperdícios, sustar ao máximo os supérfluos e otimizar os gastos necessários com produtos de melhor relação custo/benefício;

9. Endividamento: as dívidas devem estar sempre sob controle. Em ano de crescimento previsto para 0% ou quase isso (com baixa perspectiva de reajustes salariais), juros nas alturas e inflação galopante, fugir das dívidas é o mais recomendado. Se for inevitável, veja as alternativas mais baratas, como o consignado, e se a prestação caberá em seu orçamento familiar;

10. Viagens ao exterior e dívidas em moeda estrangeira: rever o orçamento da viagem (pois os gastos serão, com certeza, maiores) e analisar a possibilidade de comprar moeda estrangeira com antecedência e parceladamente;

11. Para os que conseguem poupar: busque aplicações que protejam da inflação e paguem um adicional de juros real, aprenda mais sobre investimentos, não aplique no que não conhece, identifique o seu perfil e objetivos e lembre-se: os bancos nunca são as melhores apostas para investir o seu dinheiro;

12. Para os superindividados e endividados crônicos: os que estão gastando mais de 30% da renda líquida mensal com o pagamento de dívidas ou estão endividados há vários anos e até décadas, buscar aconselhamento e terapia adequados para recuperar a saúde patrimonial pessoal e familiar, por meio da reeducação financeira;

13. Noticiário econômico e político: nunca é demais aprender e educar-se financeiramente, e umas das formas é o acompanhamento das mudanças e tendências dos mercados consumidor e financeiro.

José Admilson Fagundes de Oliveira é Educador Financeiro DSOP e terapeuta financeiro pessoal e familiar