Em educação financeira, muito se fala em priorizar os sonhos, objetivos, metas e, para isso, em alguns casos, precisa-se readequar o padrão de vida. Mas muitos encontram dificuldades nesse processo, pois estão acostumados a viverem num determinado padrão de consumo, muitas vezes, baseados em gastos com itens considerados supérfluos para aquele momento.

E um dos itens em que sempre há despesas em excesso é a compra no supermercado. Você pode questionar: “Como ficarei sem me alimentar?”, mas essa não é a ideia; você vai sim se alimentar, até de forma melhor do que vinha praticando. As dicas que darei a seguir sobre esse assunto não te farão passar fome, mas simplesmente irão melhorar alguns hábitos de consumo, evitando desperdício de alimentos, que é uma das formas mais simples e fáceis de poupar dinheiro.

1º – A fome

Existe um velho ditado que diz assim: “Saco vazio não para em pé”. Para nós, podemos traduzir assim: “Estômago cheio salva seu dinheiro”. O que quero dizer é que ir ao supermercado com fome fará com que o nosso cérebro queira satisfazer essa necessidade momentânea, apenas por ver os produtos bem dispostos nas prateleiras e sentir o cheiro dos alimentos.

Dessa forma, inconscientemente, compramos aquilo que saciaria nossos desejos, sem necessariamente precisar, somente por impulso. Por isso, quando for às compras, não vá com fome, pois ajudará a não gastar mais do que devia. Importante: no dia das compras, alguns minutos antes de sair de casa, se alimente muito bem.

2º – A lista

Quando for ao supermercado, leve uma lista de compras, com nome e quantidade exata do produto e, se possível, uma estimativa de quanto custa. Assim, antes de se deslocar até o local, olhe seus armários, geladeira, área de serviço, congelador, fruteira, dentre outros compartimentos, para não comprar repetido. E, ao chegar ao supermercado, seja fiel a sua lista.

3º – A troca

A maioria de nós, quando vai às compras, acaba sempre optando pela mesma marca. Será que essa sua escolha tem uma base concreta? Ou, se analisar mais no detalhe, escolhe determinados produtos pelos comerciais vistos em TV, ouvidos em rádio ou ainda porque sua mãe/pai compravam e você se acostumou com aquilo? Permita-se testar/experimentar outras marcas, pode ser que também sejam boas e ainda se faça uma economia.

Sobre alguns produtos, você concluirá que não quer mudar mesmo, que aquela sua escolha é a melhor, mas, para outros, vai ficar satisfeito com a alternativa. E, com isso, você conseguirá saber que suas escolhas são baseadas em sua experiência, e não no que outros fazem ou falam.

4º – O valor

Como você define o valor de suas compras no supermercado? Entra, coloca tudo no carrinho e, quando chega no caixa, verifica quanto vai pagar de conta? Se você dá valor ao seu esforço diário, a todo recurso que você recebe, não deveria agir como o comentado acima.

A sugestão aqui é fazer um diagnóstico de seu consumo diário, semanal ou mensal e estipular metas de gastos. Assim, quando for às compras, carregue mais uma companheira, a calculadora. Ela te ajudará a verificar em tempo real quanto irá desembolsar ao passar pelo caixa, evitando surpresas e fazendo melhores escolhas para o seu bolso e estômago.

5º – A oferta

Será que você vive correndo atrás de ofertas e não presta atenção em como isso pode estar te prejudicando financeiramente ao invés de ajudar com a economia?

“Leve 4 e pague 3″, mas, no final, não usa tudo, acaba vencendo e jogando fora. Essa situação é muito mais comum do que você imagina e pode ser uma tremenda armadilha. Pense bem!

O melhor a fazer é comprar o que é realmente necessário e não sair estocando produtos que muitas vezes não serão usufruídos. Faça uma pesquisa primeiro dos itens que precisa, compare preços em encartes ou mesmo nos sites de suas ou três redes de supermercado diferentes, daí sim compre com consciência. Analise seu beneficio pelo total a ser gasto e não por produto individualmente, assim, economizará em tempo e dinheiro.

6º – A criança

“Eu tenho filhos e levo eles junto comigo para as compras no supermercado, o que me faz gastar além da conta”. A dica aqui é simples: é bem comum que as crianças queiram tudo o que veem pela frente e os pais acabem fazendo suas vontades, no entanto, fugir desse tipo de situação não resolve a causa do problema, apenas a consequência.

Se você for educado financeiramente, leve seu filho sim e aproveite esse momento para explicar o valor das coisas, como comprar com consciência, a importância de estabelecer prioridades (pois nem sempre podemos levar tudo de uma vez só), etc. Claro, tudo depende da idade da criança, mas, a partir dos três anos, ela já começa a ter uma noção básica do assunto.

Essa conversa também deve ocorrer antes mesmo de ir ao supermercado. Deixe o filho participar de todos os momentos familiares, da elaboração da lista e do valor limite a ser gasto para essa finalidade. Dessa maneira, ele compreenderá melhor essas questões e poderá até ajudar os pais nesse processo. Uma boa ideia é dar um valor específico para ele gastar com o que quiser e deseja, ensinando-o a ter ciência do que pode ou não comprar com aquele valor.

Falei especificamente sobre supermercado, mas, se analisar bem, essas dicas podem ser utilizadas para tudo o que for preciso comprar, como em feira, padaria, açougue, lojas de roupas e sapatos, dentre outros exemplos. Utilize-se sempre três perguntinhas básicas: “Eu preciso?”, “Eu posso?”, “Eu devo?”.

Reflita sobre essas dicas, faça o teste e veja você mesmo como a educação financeira pode fazer uma tremenda diferença em todos os aspectos da sua vida!

Cintia Senna
Educadora Financeira da DSOP Educação Financeira

Especialista em Educação Financeira, Terapeuta e Educadora Financeira
• Mestranda em Educação Financeira pela Flórida Christian University (FCU) em Orlando/EUA em 2018;
• Pós-graduada pelo Centro Universitário Sul de Minas Unis em Educação e Coaching Financeiro em 2017;
• Formada em Terapia Financeira pela DSOP Educação Financeira em 2017;
• Cursou módulo Internacional de Gestão de Negócios pela ISCAP em Porto/Portugal em 2015;
• Formada em Educação Financeira pela DSOP Educação Financeira em 2015;
• Formada em Planejamento Financeiro Pessoal pelo Insper em 2014;
• Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade São Judas Tadeu USJT em 2008;
• Conselheira Fiscal da Associação Brasileira de Educadores Financeiros – Abefin Gestão 2015-2020;
• Realizou Intercâmbio Internacional pela Quest Study em Toronto – Canadá – 2013;
• Autora do Canal de Youtube - Cíntia Senna;
• Com mais de 8 anos de experiência profissional em auditoria de instituições financeiras, participações em projetos de bancos de crédito, fundos de investimento, operadoras de leasing, administradoras de consórcio, fundos de pensão, corretoras, escritório de representação, financeiras e concessionárias de veículos;
• Além de 4 anos de experiência profissional na controladoria de empresa multinacional do setor de logística e gerenciamento de recursos financeiros.
Colabora com diversas mídias (tv, rádio, jornais e revistas impressas e eletrônicas) e desenvolve atividades tais como: Palestras, Cursos / Workshops / Aulas, Terapias Financeiras – Individual ou Casal, Artigos e Vídeos.
Desde 2013 atua na área de Educação Financeira com o objetivo de levar as pessoas à sustentabilidade financeira para realização de sonhos. Tem como missão contribuir com a alfabetização financeira no Brasil e no Mundo.