A confusão que deu recentemente sobre a não intenção do governo em antecipar o pagamento do 13º salário dos aposentados e pensionistas do INSS – mas que, no final das contas, a primeira parcela será paga hoje – deixou muita gente preocupada, para não falar desesperada. Isso porque não se planejam e acabam utilizando o benefício de maneira errada.

Pegando essa situação como exemplo, oriento que os trabalhadores também já comecem a pensar no 13º que receberão no final do ano. É preciso entender que, inicialmente, ele foi criado para ser uma gratificação de fim de ano, ou seja, um dinheiro extra. Hoje, as pessoas já contam com ele para fazer suas dívidas, como se fosse a salvação, e ainda, muitas vezes, nem assim é suficiente.

Dinheiro extra não deveria ser utilizado para quitar dívidas, afinal de contas, o correto é planejar e ter dívidas que caibam no orçamento mensal. O 13º, então, deveria ser poupado, investido (para render) e destinado para a realização de sonhos/objetivos de curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo prazos (acima de dez anos).

O que muita gente tem em mente também é de utilizar parte dele para fazer as compras de Natal, o que não é errado, desde que isso já tenha sido programado com antecedência. Uma maneira de fazer isso é escolher uma época do ano (geralmente no início), para já planejar todos os gastos previsíveis, e um deles é com datas comemorativas, como o Natal. Se puder inserir as despesas com os presentes já no orçamento financeiro e poupar o 13º inteiramente para os sonhos, melhor ainda.

Para aqueles que estão endividados e veem esse dinheiro extra como a solução dos problemas, saiba que ele não é e esse pensamento só faz com que essa situação continue acontecendo ano após ano. É claro que livrar-se das dívidas pode – e deve ser um sonho –, mas não o único. Antes de sair pagando as dívidas, analise todas elas, saiba o total, os juros, os prazos, enfim, reúna todas as informações possíveis. A partir daí, tente renegociar esses valores com o credor, só então veja a possibilidade de usar o 13º para pagar parte ou tudo o que deve.

Agora, ainda tem aqueles que estão numa “zona de conforto”, isto é, não devem, mas também não poupam. A esses, faço um alerta para que ajam com consciência, pois um passo em falso pode leva-los ao endividamento e até à inadimplência, uma vez que não possuem reserva financeira para se apoiar. É claro que pode utilizar o 13º salário como bem entender e julgar coerente, no entanto, já que não possui dívidas, é importante que se guarde boa parte dele, para começar a formar essa reserva e também para realizar mais sonhos, de agora em diante.

Para os investidores, mesmo que iniciantes, a melhor opção para utilizar o 13º é continuar investindo, tendo sempre um objetivo, seja ele qual for. A conclusão que podemos tirar é que dinheiro extra na economia, sem dúvida nenhuma, é muito positivo, desde que utilizado com educação financeira.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.