Diante de tudo o que está acontecendo no país, com momento econômico frágil, aumento da Selic, dólar disparado, etc., as pessoas ficam preocupadas e não sabem muito bem como agir. Então, como proteger as finanças em tempos de crise?

Movido por esse questionamento, desenvolvi cinco orientações para mostrar que, com cautela e planejamento é possível passar por esse período com educação financeira e não comprometer a vida financeira.

Livre-se das dívidas – pode parecer que não, mas é exatamente em períodos de crise que os credores estão mais dispostos a negociar as dívidas, podendo estas chegarem a valores bem menores do que atualmente estão e ainda serem pagas em condições melhores. No entanto, as pessoas devem entender que essa é apenas uma maneira de resolver a consequência do problema, algo pontual, e não a causa dele. Para isso, a primeira atitude é adequar-se ao seu padrão de vida, que passa por uma mudança de comportamento, obtida com educação financeira.

Hora de faxina financeira – de 20 a 30% das despesas domésticas são supérfluas, o que mostra que há uma boa margem para reduzir e até cortar gastos. Para que possa avaliar para onde está indo cada centavo do dinheiro e fazer essa adaptação, é importante realizar um diagnóstico financeiro 30 dias, separando os gastos por tipo de despesa. Esse controle não deve ser feito por mais de 90 dias (para aqueles que possuem ganhos variáveis, por exemplo), pois, quando vira rotina, perde a eficácia.

Sonhe mais – não é porque a situação não anda boa que vai deixar os sonhos de lado. Arranje um tempo para listar os objetivos materiais, até mesmo para ajudar a evitar o desespero natural em momentos como esse e os impulsos consumistas que nos levam ao endividamento inconsciente. Reúna a família e conversem sobre os sonhos individuais e coletivos de curto (até um ano), médio (de um a dez anos) e longo (acima de dez anos) prazos, pesquisando para saber quanto custam e analisando o orçamento para saber quanto poderão poupar por mês para essa finalidade.

Mude o formato de seu orçamento – um erro comum é pensar que orçamento financeiro familiar consiste em registrar o que se ganha e subtrair o que se gasta e, caso sobre dinheiro, será lucro, se faltar, prejuízo. A forma correta, no entanto, consiste em, primeiramente, elaborar o registro de todas as receitas mensais, posteriormente, separar os valores pré-definidos para os projetos da família e, somente com o restante, adequar os gastos da família. Isso forçará um ajuste do padrão de vida familiar para conquistas financeiras.

Chegou a hora de saber investir – com a alta de juros, agora, é um bom momento para quem que investir, contudo, o grande erro que observo é a ideia de poupar sem motivo e buscar sempre o melhor rendimento. No mercado financeiro, existem diversas opções de aplicação em ativos financeiros com riscos diferentes. A orientação é procurar variar o investimento de acordo com o tempo que utilizará o dinheiro. De forma geral, o risco de uma aplicação financeira é diretamente proporcional à rentabilidade desejada pelo empreendedor, ou seja, quanto maior o retorno estimado pelo tipo de aplicação escolhida, maior será o risco, por isso, é preciso cautela.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.