Um argumento que geralmente ouço nas empresas quando falo sobre motivação e educação financeira é que estar motivado é ter dinheiro no bolso. Ou ainda, quando se recebe um elogio, logo se escuta a famosa frase: “a minha parte eu quero em dinheiro”. De certa maneira, entendo e concordo, pois, se trabalhamos, devemos receber por isso de forma apropriada e também deve haver o reconhecimento financeiro. Todavia, esse entendimento deve ser melhor trabalhado.

Lógico que ter um bom retorno financeiro pelo o que faz é muito bom, contudo, o que observo é que, na maioria dos casos, os profissionais, por mais que ganhem, continuam desmotivados ou reclamando dos ganhos, e isso se deve a diversos fatores, dentre eles, a falta de educação financeira, que faz com que a pessoa não valorizem realmente dinheiro que ganham e não compreendem o que podem realizar com um planejamento correto.

Isso ocorre principalmente com o que é imediatista, pois, nesses casos, logo que recebe um aumento, em vez de se programar para realizar novos sonhos, a pessoas elava seu padrão de vida, assim, começa gastar mais e rapidamente o dinheiro do aumento já se torna novamente insuficiente, retornando ao estado de desmotivação.

O mesmo ocorre com benefícios relacionados às finanças, como por exemplo, o crédito consignado, pois a empresa oferece o mesmo para os funcionários que utilizam de maneira desorganizada e sem objetivo definido. Como resultado, na maioria das vezes, se tem um colaborador com ganhos reduzidos sem que com isso se tenha obtido alguma realização real.

Não que o erro esteja em oferecer o crédito consignado ou outros benefícios, mas sim em não dar base para a utilização de maneira sustentável. O caminho para mudar estas questões passa invariavelmente por questões educacionais. E hoje, em função da baixa qualidade de nosso sistema educacional, também está se tornando papel das empresas melhor qualificar seus colaboradores.

Para as questões financeiras, por exemplo, a educação financeira se torna imprescindível, pois mostrará que o dinheiro não é o fim, mas sim o meio para a realização dos sonhos e que há a necessidade de se estabelecer prioridades e de consumir com consciência. Se uma empresa consegue inserir esse conceito de forma consistente na mentalidade de seus funcionários, ocorrerá uma melhoria no ambiente, pois haverá redução dos inadimplentes e da insatisfação. Assim, se estará criando um ambiente mais motivado e com maior foco no objetivo final dos negócios.

Também é importante que as áreas de recursos humanos das empresas passem a se preocupar em apresentar melhor o valor dos benefícios que é oferecido para os colaboradores, pois, mesmo os mais frequentes como Vale Refeição, Plano de Saúde e Vale Transporte são valores que estão agregados aos ganhos dos trabalhadores e possuem um custo para o negócio.

Muitas vezes, vejo muitos profissionais que se frustram em uma troca de emprego ao perceber que os benefícios que irão ganhar serão muito menores. Isso ocorre em função de uma falha de comunicação da empresa que não foi capaz de demostrar o quanto o colaborador realmente ganha. Enfim, é chegada a hora da empresa começar a valorizar mais o que oferece ao seu funcionário em busca da motivação.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.