Uma boa notícia para milhões de brasileiros é que desde o primeiro dia de janeiro já está valendo o aumento do salário mínimo, que passar a ser de R$ 880,00 – o valor anterior era de R$ 788,00 – correspondendo a um reajuste de 11,6%. Contudo, esse valor só será pago a partir do salário de fevereiro. Mas o que esse aumento representa? Na verdade, ele apenas vem cobrir as perdas inflacionárias dos últimos meses, que foram altas.

E de pronto já informo que perante os aumentos que estamos observando nesse início de ano, esse valor já está defasado em muitos aspectos. Apesar disso, também é possível economizar. Pense que, para as famílias que já sobreviviam com o valor anterior, esse dinheiro é bastante significativo e, ajustando o padrão de vida, se tem a oportunidade de não só colocar em dia as finanças e sair das dívidas, como também investir.

O grande cuidado a ser tomado com o aumento do mínimo é não relaxar com as finanças por causa desse ganho a mais e, assim, acreditar que pode cometer alguns excessos. Pode parecer espantoso, mas essa é a primeira ação de muitos assalariados. Assim, fica o alerta: não gaste esse dinheiro em supérfluos, ao contrário, utilize a oportunidade para começar a poupar para os sonhos de curto, médio e longo prazos.

Como atravessamos por um momento de crise, como alertei anteriormente, é interessante rever o padrão de vida e reduzir os gastos, poupando esse valor como um bônus para realização de sonhos e objetivos futuros, iniciando um investimento, como no Tesouro Direto. No entanto, muita gente aguarda ansiosamente aumentos para cobrir o desequilíbrio financeiro.

Pagar dívida com o aumento do mínimo é uma opção, desde que planejada. Mas se deve perceber que com essa atitude, só estará mascarando o real e verdadeiro problema – a ausência de educação financeira em toda família. É muito provável que pessoas nessa situação não estejam respeitando o próprio padrão de vida.

Só sabe quanto pode gastar, sem ficar no vermelho, quem sabe exatamente quanto entra e quanto sai do bolso mensalmente. E, com base nisso, define quanto e como pode utilizar o dinheiro. Mesmo quando é necessário entrar em um financiamento para a realização de determinados sonhos que não são acessíveis de outra forma, é importante avaliar se as parcelas, de fato, caberão no orçamento, levando em conta todas as outras despesas e demais sonhos de curto, médio e longo prazos.

Portanto, antes de ir compulsivamente às compras com esse “extra”, faça um diagnóstico da sua situação financeira. Relacione todas as despesas fixas e variáveis para descobrir o comprometimento dos seus ganhos com as dívidas. Investigue para onde está indo cada centavo dos seus ganhos. Só assim conseguirá saber quais são os gastos supérfluos que podem ser eliminados. Verifique se está endividado, ou seja, se já tem mais despesas do que seu bolso suporta. Certifique-se de que, mesmo estando no azul, vai conseguir pagar as compras que pretende fazer, somando-se aos gastos extras como impostos e escola.

Felizmente, nem todos estão endividados. Quem está numa situação mais confortável, de equilíbrio financeiro, mas ainda não tem o hábito de poupar pode aproveitar o aumento para iniciar uma reserva e manter essa prática de poupar.

Para quem já tem perfil investidor, o aumento é a oportunidade para incrementar o investimento. Destinado para alguma aplicação que a pessoa já possua ou planejar um salto em direção à sua independência financeira, investindo, por exemplo, em previdência privada.

Reinaldo Domingos

Reinaldo Domingos é PhD. em Educação Financeira, escritor, educador e terapeuta financeiro. Presidente da DSOP Educação Financeira, da Editora DSOP e da Abefin, publicou o best-seller Terapia Financeira, o recém lançado Empreender Vitorioso com Sonhos e Lucro em Primeiro Lugar e os livros Livre-se das Dívidas, Mesada Não É Só Dinheiro, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, Eu mereço ter dinheiro!, Papo Empreendedor, Sabedoria Financeira e a série O Menino do Dinheiro – Sonhos de Família, Vai à Escola, Ação Entre Amigos, Num Mundo Sustentável e Pequeno Cidadão, O Menino e o Dinheiro, O Menino, o Dinheiro e os Três Cofrinhos, O Menino, o Dinheiro e a Formigarra. Mais de 4,5 milhões de exemplares de suas obras já foram vendidas.