Essa semana precisei ir renovar minha carteira de identidade. Como moro em São Paulo, fui de metrô até o Terminal Itaquera, onde tem um Poupatempo, bem cedinho, para poder ganhar mais tempo no dia.

Mal sabia eu que essa não foi a melhor escolha. Na ida, sentido contra fluxo, o vagão estava vazio e fui muito bem. Para retornar, por volta das 8h30, já comecei a me preocupar quando cheguei na entrada da estação. Assustei-me com a quantidade de gente que estava indo para o mesmo lado, ou seja, iriam querer entrar no mesmo trem que eu. Quando estava na plataforma e o trem chegou, não entrei no vagão, fui colocado.

Durante as estações que iam passando, muitas outras pessoas empurravam e entravam e respirar ficava mais e mais complicado, tanto era a quantidade de gente que me apertava e me espremia. Mas, mesmo assim, eu achei um modo de olhar para os rostos daquelas pessoas. Dezenas de faces tristes, carrancudas, algumas até mesmo denotando desesperança, resignação, letargia.

Duas estações antes da minha, uma moça tentou desembarcar. Não conseguiu! Gente querendo entrar, outros que não conseguiam se mover, e ela só conseguiu sair na minha estação, quando falei alto e bem forte: “Com licença que eu quero sair! Vou sair!”. Acho que assustei muita gente, pois várias se moveram porta afora para nos deixar, literalmente, cair do trem.

Depois, analisando todo o acontecido e a aventura vivida naquela manhã, comecei a pensar numa frase que sempre digo: Vida de gado! E o que é vida de gado? É uma vida em que não tomamos as rédeas dela, não conduzimos, somos conduzidos. Você já viu um rebanho sendo conduzido? Todos os animais seguem o mesmo caminho, sem vontade própria, sem pensar em mais nada a não ser obedecer aos condutores, os donos da manada.

É muito triste perceber pessoas assim, que não têm vontade própria, não buscam alternativas à vida que estão levando; pessoas que não sonham ou, se tem sonhos, não estão fazendo nada para realizá-los. O problema é que, quem não sonha, está morto! Isso é um fato da vida. A falta de sonhos nos leva à falta de perspectiva, nos tira a vontade de lutar por algo maior. Sonhar é uma necessidade biológica, tão importante quanto comer, beber, dormir, etc.

Para sairmos desse estado que tanta gente naquele trem estava, é preciso sonhar, é preciso olhar para o futuro e desejar mais, é saber que é possível sair da situação de vida de gado para uma vida plena, uma vida que vale a pena viver. Sonhar e realizar sonhos faz parte da nossa condição de ser humano, e quem não consegue entender isso vai passar por esta vida sem viver plenamente.

Por isso, meu amigo, minha amiga, olhe para você mesmo e tente se lembrar de como era quando mais jovem. Lembre-se de quantos sonhos criou na sua infância e pergunte-se o que você realmente fez para conseguir fazê-los se tornarem realidade. Pergunte-se o que você está fazendo com sua vida e tome a iniciativa: determine a você mesmo o que deseja, onde quer estar ou como quer estar daqui a um ano, cinco anos ou mais. Esses desejos devem se transformar em suas metas de curto, médio e longo prazo.

A partir da definição dessas metas, estabeleça estratégias, monte um plano de ação e comece a mudar sua vida. Viva intensamente a única chance, consciente, que você vai ter nesse mundo. Desista da vida de gado: viva feliz!