A mulher brasileira está caindo na armadilha das facilidades de pagamento e do parcelamento na hora das compras. A vaidade feminina, alimentada pelas tentações do consumo e a falta de planejamento dos gastos são o combustível desse grande endividamento. Mas um dos maiores problemas é a falta de educação financeira, não sabendo usar os cartões de crédito, que têm limites cada vez mais altos.

A pesquisa da Sophia Mind, feita com aplicação de questionário on-line, ouviu 913 brasileiras usuárias da internet, com idade entre 18 e 60 anos e com renda própria. O levantamento foi feito em março, nas cinco regiões do País. Cerca de 54% das mulheres ouvidas reconheceram que têm dívida com cartão de crédito, cuja taxa mensal de juros pode chegar a 15%. Além disso, atualmente, as mulheres têm cada vez mais cartões próprios de lojas de departamentos na bolsa, um instrumento de parcelamento fácil das compras.

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O limite do cheque especial também já faz parte da rotina: 29% delas usam esse crédito caro todos os meses. As mulheres perdem mais o controle porque estão comprando muito a prazo: 81% incorporaram o parcelamento à rotina de gastos.

Falta de planejamento é o primeiro motivo evidente, quando perguntadas sobre o porquê de ter entrado em um endividamento. 31% das mulheres ouvidas na pesquisa da Sophia Mind alegaram o surgimento de problemas inesperados, como um tratamento de saúde ou conserto do carro. Isso significa que as mulheres não planejam seus gastos e não fazem uma reserva financeira para custear esses imprevistos, como manda a cartilha do bom orçamento financeiro.

O segundo maior motivo são os desajustes no orçamento doméstico, ou seja, quando as famílias gastam mais do que ganham. Não existe o hábito de controle do orçamento. Elas contraem uma dívida para pagar outra e acabam ficando com duas.

E é aí que tudo complica: nesse conflito de responsabilidade versus vaidade, elas acabam comprometendo o orçamento. Mesmo as mais maduras, responsáveis e independentes, na hora de gastar, pesa mais o lado emocional. Elas ainda não ponderam sobre o que querem e o que precisam.

Enquanto as mulheres não chegam ao ponto de equilíbrio, elas se mantêm na lista das pessoas mais endividadas, sem sair do salto alto. Segundo o levantamento realizado pela Exame, entre novembro e dezembro do ano passado, gastos com calçados representaram 7,48% das compras. Encher o carrinho também é com elas, já que compras em supermercados representaram 8,07% dos gastos.

Pensando neste descontrole que persegue muitas delas, desenvolvi dicas importantes para que busquem o planejamento imediatamente:

Use investimentos para pagar as dívidas

Mesmo quem tem poupança no banco ou investimentos em renda fixa, muitas vezes, acaba se endividando. Nesse caso, o mais aconselhável é usar as reservas para quitar a dívida o mais rápido possível, sem aquele apego que investidores menos experientes costumam ter. A rentabilidade do investimento é sempre menor que os juros que a pessoa vai pagar.

Renegocie as dívidas

As devedoras que não têm um tostão poupado devem começar a se preocupar antes que o nome entre em um cadastro de inadimplentes, o que normalmente ocorre após três meses de endividamento, embora possa acontecer com apenas um dia de atraso. O primeiro passo é listar todas as dívidas e trocar as mais caras pelas mais baratas. Quem ainda não está com o “nome sujo” pode obter um empréstimo a juros menores para quitar as dívidas com juros maiores.

Considere a inflação

Para não se endividar, é preciso botar todas as despesas na ponta do lápis e fazer a conta fechar. Se a inflação comprometeu o orçamento, é hora de reestruturá-lo, para que a conta continue fechando.

Quando o cartão de crédito é inimigo

A armadilha que mais costuma “pegar” os inadimplentes é o cartão de crédito. O conselho dos especialistas é nunca, mas nunca mesmo, pagar apenas o mínimo da fatura. Isso porque o limite se renova para o mês seguinte. Quem não tem dinheiro, deve simplesmente não pagar, para que um novo limite não incentive mais gastos.

Anote o seus gastos

Pode ser pela fatura do cartão, pelo extrato do banco, pela planilha, pelo caderninho, não importa. O importante é anotar para manter o controle desses pequenos gastos e saber direitinho por onde o dinheiro está escorrendo. Quem costuma parcelar as compras no cartão precisa ter cuidado redobrado. Um produto dividido em seis vezes comprometerá parte de sua renda ao longo de seis meses. Se no mês seguinte foi feita uma nova compra, parcelada em oito vezes, já serão duas parcelas para se preocupar pelos próximos cinco meses.

Planeje as compras

Saia de casa sabendo o que vai comprar. Antes de ir ao mercado, faça uma lista de compras. E procure ater-se sempre ao planejamento. O apelo de consumo, as vitrines, a moda, a manha das crianças, uma discussão com o chefe, com o marido ou com os pais, uma TPM, qualquer coisa pode ser motivo para a compra por impulso de algo que não é necessário. É preciso contar até dez e resistir à tentação.

Corte e economize

Com um controle mais rígido dos pequenos gastos, fica mais fácil saber onde cortar. É preciso ter real noção do que é necessário, do que é capricho e do que é simplesmente desperdício. O melhor é pensar nas finanças como se a própria pessoa fosse uma empresa, cortando aquilo que for desnecessário, trocando por marcas mais baratas e, é claro, aproveitando promoções e liquidações. Ninguém vai sair de moda, porque comprou peças da coleção anterior por um preço mais em conta.

Cuidado com as promoções

Só cuidado para não cair na armadilha dos falsos bons negócios. Aproveite uma promoção apenas depois de ter certeza de que 1) você precisa do produto ou serviço, e 2) o item em promoção está realmente mais barato. Parece óbvio, mas se endividar para comprar um item desnecessário só porque ele está em promoção é comum. Como também é comum promoções serem uma fria. Às vezes, o que está em promoção em uma loja, supermercado ou site pode ser encontrado por um preço ainda menor em outro lugar. É importante pesquisar.