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Com o fim das bandeiras tarifárias, a população brasileira obteve um alívio no seu orçamento e, desde então, aquela fatia pesada destinada ao pagamento da energia elétrica trouxe um desafogo nas contas. Ainda que neste mesmo período tenha ocorrido aumento no valor da energia, com o fim das cobranças extras conseguimos perceber redução.

Passado esse momento da crise energética, comecei a refletir sobre o espaço que as famílias brasileiras encontraram em seus orçamentos para incluírem esses valores extras todo mês. Principalmente porque sabemos que nossa população é carente de educação financeira, ainda que reconheça a força brutal que esse povo detém para se adaptar à adversidade. É natural que algumas destas tenham se endividado acima do desejável, pois muitas vezes a ginástica financeira exige priorizar uma conta à outra(s).

Na condição de educador financeiro, me apego a essas situações punitivas, como o caso das bandeiras tarifárias, para fazer um contraponto e demonstrar que é possível um planejamento que permita em curto, médio e longo prazo realizar sonhos, utilizando-se dos mesmos valores que foram destinados ao pagamento da taxa extra de energia, com a enorme diferença que o sonho lhe dará a sensação inigualável da realização, enquanto as tarifas nunca mais retornarão.

Quando fomos surpreendidos com as bandeiras tarifárias, a única opção que nos restou foi consumir menos energia. Essa experiência já havia ocorrido no ano de 2001 e tínhamos mudado alguns hábitos daquela época. Dessa vez, mesmo o consumo essencial sofreu ajustes, portanto, apenas reduzir não seria suficiente.

Logo, o impacto veio no orçamento. Certamente, na maioria das famílias, não havia previsão de gastos extras. Como não havia e você conseguiu adaptar-se a essa nova realidade e ultrapassar a barreira, por que não continuar utilizando esses valores para a realização dos seus sonhos? E o mais importante, sem alterar qualquer outra conta, apenas com as economias que fará com o fim das bandeiras.

Confirmado que em julho a bandeira tarifária permanecerá verde, é hora de investir em você. Se nunca teve o hábito de poupar para realizar seus sonhos, essa é a hora; oportunidade melhor não há. Então, aqui vão algumas dicas:

1. Some todos os valores pagos com as bandeiras tarifárias; depois de somados, divida pela quantidade de meses que pagou pela tarifa extra para encontrar a média;

2. Verifique no seu orçamento como você distribuiu os seus recursos para que pudesse cumprir com essa nova obrigação;

3. Veja se houve alguma conta essencial a sua vida que foi deixada de lado para não ficar sem luz e aproveite para avaliar se novos gastos podem ser trocados por sonhos;

4. Feito essa análise, tire alguns minutos, com olhos fechados, para pensar em três sonhos, um de curto (até 1 ano), um de médio (até 10 anos) e outro de longo (acima de 10 anos) prazo que pretenda realizar daqui para frente;

5. Anote num papel os sonhos, quanto lhe custarão, o valor a ser poupado e em quanto tempo poderá realizá-los. Aqui no site da DSOP você encontrará ótimas ferramentas que lhe ajudarão nessa atividade;

6. Agora transfira para o seu orçamento esses sonhos, colocando-os logo após as receitas, exatamente como três novas contas, e acima das despesas, mostrando quais são suas prioridades;

7. Distribua os valores economizados com o fim das bandeiras tarifárias para seus sonhos, respeitando as premissas do item 6;

8. Todos os ajustes em seu orçamento agora farão sentido e continue identificando excessos de gastos, eliminando os desnecessários e direcionando essa poupança para realização de sonhos;

9. Mantenha seus sonhos como prioridade, tenha foco e disciplina, pois garanto a você que, não importa o salário que receba, todos eles podem e serão realizados;

10. Continue em busca do seu autoconhecimento financeiro, projetando novos sonhos, monitorando seu orçamento, eliminando despesas desnecessárias, criando reservas para imprevistos e poupando.

E aqui vai um recado: se for preciso revisar o prazo de realização dos seus sonhos, não se frustre, continue focado e reprograme em seu orçamento, pois a maior frustração é deixar de sonhar.