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A Caderneta de Poupança é o investimento mais antigo, mais tradicional e mais querido dos brasileiros. Foi criada pelo Imperador Dom Pedro II, em 1861, com o decreto que instituiu e regulou a Caixa Econômica Federal, visando atender as camadas mais pobres da população na época. Essa modalidade de investimento era destinada a pessoas de baixa renda e permitia depósitos de até 50 mil réis (moeda da época).

As pessoas recebiam uma caderneta para controle de depósito e retirada, daí a origem do nome. O objetivo era remunerar os depósitos com juros de 6% ao ano, sob a garantia do governo imperial. Em 1874, um novo decreto alterou o rendimento da Caderneta e ficou estabelecido que as taxas de juros remuneratórios nunca seriam superiores a 6% ao ano e que seus valores seriam fixados, anualmente, pelo governo imperial.

Em 1964, foi criada a “correção monetária” como forma de proteger a poupança da inflação; com isso, a aplicação passou a pagar a correção mais a “taxa real” de 0,5% ao mês. Atualmente, a poupança conta com dois tipos de remuneração:

Para os depósitos realizados até 03/05/2012, a remuneração é de 0,5% ao mês + variação da TR (taxa referencial).

Já para depósitos realizados após essa data, a remuneração é de 70% da taxa Selic, caso ela seja igual ou inferior a 8,5% ao ano, + TR; e de 0,5% ao mês + variação da TR, quando a taxa Selic for superior a 8,5% ao ano (atualmente a taxa Selic está em 14,15% a.a.).

A rentabilidade da poupança é definida pelo Banco Central. Por isso, todos os bancos são obrigados a praticar a mesma correção para esse investimento. Independente do banco que você seja cliente, a rentabilidade será sempre a mesma. A Caixa Econômica Federal ainda é o maior depositário e incentivador desse tipo de investimento e por vários anos ganhou o prêmio Top of Mind no segmento poupança.

A poupança vem sofrendo retiradas recordes em 2016 e, mesmo com a baixa rentabilidade, a Poupança ainda é hoje o investimento mais tradicional entre os brasileiros, afinal, não tem obrigatoriedade de valor mínimo, conta com liquidez, comodidade, isenção de imposto de renda, facilidade para aplicação e segurança. Além disso, a abertura de uma conta poupança é muito prática e qualquer pessoa com CPF ativo pode ter uma.

Geralmente, não existe obrigatoriedade de valor mínimo de aplicação na poupança, digo geralmente, pois, por experiência própria, sei que, em algumas agências bancárias, os gerentes solicitam um valor de deposito inicial com a “desculpa” de ser início de relacionamento, então, fique atento!

A poupança tem data de aniversário, essa é a data quando o seu valor aplicado completa um mês e são pagos os juros. Se você retirar o dinheiro antes desse dia, não recebe os rendimentos, por isso, evite saques próximos à data de aniversário.

Existem dois tipos de poupança:

1. Poupança multidata
Essa é a conta mais comum entre os bancos. São 28 datas de aniversário e as poupanças abertas nos dias 29, 30 e 31 terão como data de aniversário oficial o dia 01 do mês subsequente. Ao solicitar o resgate em qualquer data, o sistema inteligente resgata automaticamente a data mais vantajosa para você.

2. Poupança normal com data única
Essa poupança conta apenas com uma data de aniversário. Independente da data de depósito, a única data que vai valer para o pagamento de juros é a da abertura da conta, então, você tem que tomar cuidado para depositar sempre na mesma data e não perder os rendimentos.

Normalmente, quem investe na poupança está buscando segurança, porém a segurança que possui é a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) no valor de até R$ 250.000,00, por CPF e por conglomerado. Para Pessoa Física, não existe e cobrança de imposto de renda em aplicações na poupança.

Bom, aqui estão algumas curiosidades sobre a poupança, agora, pense que, se a poupança inicialmente foi criada para a população mais pobre, porque você, que está buscando a sua liberdade financeira, vai continuar aplicando em um investimento que te paga apenas 0,5% ao mês, quando, hoje, no mercado financeiro, temos muitas outras opções muito mais rentáveis?

Leandro Silva Ferreira
Educador Financeiro da DSOP Educação Financeira

- Educador Financeiro e Palestrante DSOP;
- Graduado em administração de empresas pela Faculdade das Américas (FAM);
- Pós-graduação em Estatística Aplicada pela Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU);
- Certificação de Especialista em Investimento ANBIMA (CEA);
- Certificação CPA-20 ANBIMA;
- Consultor Financeiro pessoal e familiar.