Desentendimentos por questões financeiras estão, sem dúvida, entre as principais causas das separações de casais. Então o que fazer para evitá-los? Como fazer para que as brigas por dinheiro diminuam ou acabem?

Brigas por dinheiro

A maioria das brigas por dinheiro ocorre quando um não sabe qual é a renda do outro, quando não existem sonhos e planos em comum ou ainda quando as regras financeiras não estão claras para a vida a dois.

Essas regras são muito úteis para que o casal possa equilibrar o que é gasto pessoal e o que é gasto da família. Há casais que optam por manter suas rendas separadas, mas neste modelo o desafio é fazer a divisão das obrigações – o famoso “quem paga o quê?” – principalmente quando há grande diferença entre as rendas.

O modelo que recomendo e utilizo em minha vida é o de juntar as rendas e construir um orçamento familiar baseado nos sonhos individuais e coletivos da família. Neste modelo, usamos o princípio de sociedade, encarando o relacionamento como um contrato no qual os dois unem rendas e esforços para conquistar sonhos. Dessa forma, os planos serão alcançados em menor tempo do que se cada um poupasse individualmente. Sem contar que as brigas por dinheiro poderão ser reduzidas.

As vantagens do modelo de sociedade são muitas. Vejamos, por exemplo, quanto ao relacionamento com o banco. Com a renda familiar é possível obter melhor rentabilidade em investimentos, menores taxas em financiamentos e menores taxas no pacote de tarifas.

É preciso haver muito diálogo e constantes reavaliações, até que o casal encontre o melhor papel para cada um desempenhar. É comum em um casal, um ter mais facilidade com a organização do orçamento, agendamento de pagamentos e relacionamento com os bancos, e outro ter mais habilidade de negociação nas compras e na contratação de serviços. Identificados e definidos os papéis, o sucesso do modelo vai depender de muita confiança e respeito entre o casal.

Outro ponto que costuma gerar conflito é a definição de um padrão de vida, que será modelado com base nos hábitos e comportamentos de consumo que cada um traz da vida de solteiro. A questão é que ambos terão que abrir mão de alguns hábitos para que novos possam surgir da vida a dois.

O fundamental é que estas negociações se dêem sempre em clima de muito respeito e companheirismo, cuidando para que cada um não perca sua personalidade e que não se sinta sufocado pelo outro, pois ninguém deve se anular para manter uma relação.

Por fim, recomendo a leitura de dois ótimos textos do administrador Stephen Kanitz publicados em sua coluna na Revista Veja: O Contrato de Casamento (edição de 29/09/2004) e O Segredo do Casamento (edição de 14/12/2005).

Tenha um relacionamento sério com seu dinheiro para realizar sonhos!

Eduardo Sanches
Educador Financeiro da DSOP Educação Financeira


Graduado em Administração pelas Faculdades Campos Salles;
Possui extensão universitária em Gestão de Pessoas pela Unicamp;
Pós-graduado em Estratégias em Políticas Públicas pela Unicamp;
Pós-graduando em Educação Financeira pela UNIS-Universidade do Sul de Minas em parceria com a DSOP Educação Financeira;
Experiência profissional:
Prefeitura de São Paulo – Assistente de Administração (1982);
Banco do Estado do Rio de Janeiro – Banerj – Informante de Cadastro (1982-1998);
Prefeitura de Valinhos – SP – Fiscal de Rendas (1999- 2000);
Caixa Econômica Federal – Técnico Bancário (2000-2001);
Prefeitura de Itatiba – Fiscal de Rendas (2002-2006);
INFRAERO – Analista Superior II – Administrador (2006- 2009);
Prefeitura de Jundiaí – Analista de Gestão-Administrador (desde 2009).