O maior sonho dos brasileiros, depois do carro, é comprar seu próprio imóvel. Se você se enquadra na categoria dos que estão avaliando a possibilidade de comprar imóvel para moradia, então você não está pensando em investimento. Isso porque o imóvel para moradia não é considerado um investimento.

Comprar imóvel

Como assim?

Se houver desvalorização do imóvel, mas você tem conforto, se sente bem no seu lar e tem segurança, isso fará diferença para você?

E se ocorrer o contrário: se o imóvel se valorizar, a tendência é que você queira vendê-lo e ir para outro melhor, não é mesmo? Assim teria que lidar com a questão do consumo na compra do novo imóvel – que pode ser mais caro – e com o custo de vida na nova região.

Observe como em nenhum dos casos, comprar imóvel para morar é um investimento. Ele é considerado um bem passivo porque gera despesas e não receitas.

E se eu quiser comprar para investir?

O mercado imobiliário não é um mercado sem riscos. Ele é afetado pelos ciclos da economia. Quando há recessão, ele encolhe. Além disso, se os juros da economia sobem, os investidores preferem investir em títulos do que em bens. Quando os juros caem, ocorre o inverso.

Atualmente ainda estamos iniciando a quebra do ciclo recessivo que nos atinge por mais de dois anos. Vivemos uma situação política inédita e muito complexa, que, dependendo do desfecho, trará impactos enormes para a economia.

Se você está pensando em comprar imóvel para obter rendimento com locação, seja em imóveis residenciais ou comerciais, os analistas alertam que eles têm ficado muito abaixo do CDI, desde 2014. É fato que a taxa básica de juros, a Selic, vem caindo, e por ora a opinião dos analistas ainda é de tendência de queda.

Então avalie as possibilidades, mas tenha em mente que este é um mercado que tem risco e não oferece liquidez. Você precisa estar preparado, munido de informações.

Melhor comprar à vista ou financiar?

Voltando a falar dos imóveis para moradia, será possível afirmar que comprar à vista, e provavelmente com um bom desconto, é melhor do que financiar?

Isso depende do retorno que se tem nos investimentos. Se você é um investidor arrojado, tem boas chances de conseguir retornos superiores às taxas cobradas nos financiamentos, e com isso conseguirá pagar o financiamento sem se descapitalizar.

Como já sabemos, as taxas de juros estão caindo, então se você é do tipo conservador, dificilmente conseguirá rendimentos superiores às taxas de financiamento.

Conseguirei pagar o financiamento?

De maneira geral, os bancos permitem comprometimento mensal da renda familiar em no máximo 30%. Com o financiamento, você deve estar preparado para uma nova realidade. É claro, que sempre existe a possibilidade de você crescer profissionalmente, aumentar sua renda, enfim, melhorar sua condição.

Mas antes de entrar no financiamento, você pode experimentar como seria ter essa dívida, destinando 30% de sua renda para um investimento por um período. Assim saberá se o seu momento atual possibilita esse comprometimento.

Também poderá se planejar, poupando e investindo um percentual de sua renda regularmente para esse propósito, até que tenha uma quantia suficiente para arcar com uma entrada maior e fazer um financiamento com parcelas menores. Quando você investe, tem os juros compostos e o tempo trabalhando a seu favor.

Tenha outros sonhos

Realizar o sonho de longo prazo de ter a casa própria exige educação financeira. Assim, você deve estar preparado para mudanças comportamentais. Faça o diagnóstico financeiro do seu estilo de vida atual e adéque seu consumo à sua realidade, priorizando a realização deste sonho e também de outros.

Estabeleça seus sonhos de curto prazo (a serem conquistado em até um ano), médio prazo (entre um e dez anos) e longo prazo (acima de 10 anos). Lembre-se de se planejar também para ter uma aposentadoria sustentável e uma reserva para emergências e oportunidades que possam surgir.

Não espere para buscar conhecimento somente quando estiver em dificuldade, tenha a educação financeira como um caminho para a sua independência financeira.

Ana Maria Pacheco
Educadora Financeira da DSOP Educação Financeira

Experiência de 25 anos no mercado financeiro. Mais de 6 anos como executiva de finanças em empresa privada, e também consultoria.
Graduada em Administração de Empresas. Educadora e Terapeuta Financeira - certificação DSOP, Life Coach - International Association of Coaching , Analista Comportamental DISC - Atools.
Meu propósito é através da Educação Financeira, impactar positivamente o maior número de pessoas possível, de maneira que elas possam lidar com dinheiro de forma tranquila e equilibrada.
Minha missão é ser Educadora e Terapeuta Financeira, apoiando o desenvolvimento da pessoa que você precisa Ser para alcançar o que deseja Ter.
Valorizo a ética, a simplicidade e a gratidão.
Acredito que Ser livre é essencial, e para isso é necessário ter autonomia financeira para viver no futuro, mas também hoje, de forma tranquila e equilibrada.