Durante alguma semana do ano é possível alguém ficar sem consumir absolutamente nada? Sua resposta será, provavelmente, não! Agora, é possível num único dia se consumir algo que não estava previsto no orçamento e se gastar além do necessário, em algo desnecessário? A resposta com certeza será: sim!

Consumir

No dia 15 de março é comemorado o Dia do Consumidor. A data abre um leque de oportunidades para quem quer vender e para quem quer comprar; porque muitos comerciantes aproveitam e lançam promoções, objetivando aquecer o comércio varejista. Assim, Lojas, nos mais diversos segmentos, aproveitam para promover grandes promoções e propagandas atrativas que levam milhares de pessoas às compras.

Mas importante saber que essa data foi criada nos Estados Unidos, em 1962, fazendo referência a criação do Código de Defesa do Consumidor (CDC), que trazia proteção aos clientes nas relações de consumo e servindo de base para decisões na Justiça e em outros órgãos.

Porém, no Brasil, esse Código ainda é subutilizado. Segundo o Data Popular /IDEC, 92% dos brasileiros afirmaram saber que existe o direto do consumidor, mas apenas 35% disseram já tê-lo consultado. Já 57% disseram conhecer o código, mas nunca o consultaram. Buscar conhecer os direitos no CDC é o primeiro passo antes de efetivar um negócio. Assim, eu pergunto, você se encontra em qual porcentagem desta estatística?

Conheça alguns dos direitos que o código prevê:

  • 30 dias para produtos não duráveis, e de 90 dias no caso de não duráveis de garantia contra defeitos ocultos, contados a partir da data da compra;
  • O consumidor não está obrigado a contratar serviços que os bancos prestam, e tão pouco pacotes específicos com eles. As instituições devem oferecer um pacote mínimo de serviços gratuitamente;
  • Se houver sumiço de algum pertence em estacionamento é possível abrir uma ação por danos materiais, mesmo com aviso de que o estacionamento não é responsável pelos pertences deixados no interior dos veículos;
  • Cobranças de dívidas devem ser feita sem constrangimento ao devedor. Também tendo que ser protegido o sigilo dos devedores;
  • Em caso de cortes de telefones e da TV por não pagamento não deve haver cobrança de religação. Para água, o prazo deve ser negociado com a concessionária, e existe taxa;
  • A prática de cobrar por comandas de bares perdidas é vedada; pois a responsabilidade de fazer o controle do consumo não é do consumidor;
  • Em cobranças indevidas se pode receber o valor excedente em dobro.

Coloquei aqui apenas alguns exemplos, mas, adquirir conhecimento é fundamental para tomadas de decisões. Contudo, muitos brasileiros além de não se apoderarem de seus direitos, e ou, não buscar por eles, não se preocupam muito com suas finanças pessoais.

Todo brasileiro, se fosse educado financeiramente, deveria se fazer algumas perguntas antes da compra: “Realmente estou precisando do produto? ”/ “A compra desse produto cabe no meu orçamento? ”/ “ Se eu não comprar esse produto agora fará alguma diferença?”.

Devemos ter cuidado para não transformar o ato da compra num ato consumista. Afinal, você sabe a diferença entre consumo e consumismo? O consumo é quando o ato de comprar está diretamente relacionado à necessidade, falta ou à sobrevivência. Já o consumismo, a relação necessidade/compra está rompida, ou seja, a pessoa não precisa de maneira alguma do que está adquirindo.

O consumismo está vinculado ao gasto em produtos sem utilidade imediata, supérfluos, status. Nesse ponto é interessante observar a importância da publicidade na construção da obsessão pelo ato de comprar. Por isso, devemos ter cuidado com as propagandas do tipo “ Compre 1, leve 2”; “ Leve mais e pague menos”, dentre outras.

Consumidores, educados financeiramente, anteveem e se programam para comprar o que necessitam por um preço melhor em momentos oportunos. Além disso, busca por seus direitos e por sua reeducação financeira, tornando um indivíduo mais consciente no ato da compra; mais dominador da sua impulsividade, e com mais autonomia sobre suas finanças.

Lina Julião
Educadora Financeira da DSOP Educação Financeira

Formada em Pedagogia, pela FANAN; Pós-Graduação em Língua Portuguesa, pela Universidade da Região dos Lagos; Licenciada em Letras – Habilitação (Português / Literatura), pelo Centro Universitário São Camilo/ES; possui cursos extensivos de Capacitação, Formação e Workshops em Acordo Ortografia, Educação Religiosa, Profa, Pcn’s, Psicanálise; Atuação Docente é uma apaixonada por EDUCAÇÃO. Ministra aula. Prepara e executa projetos. Administra e coordena simpósios; além de Empresária e Empreendedora.
Após 18 anos de carreira formal decidiu agregar mais um nicho da Educação, se dedicando a transformar a vida das pessoas através da educação e do autodesenvolvimento passando a atuar como Educador Financeiro formado pela DSOP e associado a ABEFIN e também como Palestrante, Coordenadora de Projetos e Planejador Financeiro Pessoal, dedicado ao conhecimento compartilhado, educação financeira e desenvolvimento pessoal e de carreira de seus clientes.