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Em uma empresa todos os colaboradores trabalham, direta ou indiretamente, para manter a saúde financeira do negócio. Mas até que ponto esses profissionais conseguem manter em ordem a sua própria saúde financeira? E quais os reflexos que o endividamento dos colaboradores ocasiona em suas vidas pessoal e profissional?

Atraídas pela facilidade de crédito e pelo forte apelo ao consumo, muitos colaboradores não conseguem eleger as prioridades adequadas à sua realidade financeira e, como consequência, acabam endividadas e sem saber como superar essa situação, cada vez mais comum nos dias de hoje.

Estar endividado é uma realidade para milhões de brasileiros e, com a expectativa de crescimento econômico para os próximos anos, o nível de endividamento tende a aumentar. Os impactos do descontrole financeiro atingem não somente a pessoa endividada, mas todos ao seu redor: família, amigos, empresa, etc.

Um ciclo vicioso começa a se formar afetando os relacionamentos familiares, gerando desentendimentos entre casais, e diminuindo o rendimento no trabalho, que tende a cair à medida que as dívidas aumentam e chegam a inadimplência, ou seja a falta de pagamento.

Sem contar, os problemas de ordem física e emocional como crises de estresse, depressão, ansiedade e baixa auto-estima. A palavra-chave para reverter esse cenário é a educação financeira.

Cada vez mais as empresas procuram incentivar uma atitude pró-ativa entre colaboradores e seus familiares, em termos de bem-estar. Investir na reeducação financeira de sua equipe é mais uma ferramenta que a empresa pode utilizar em prol da qualidade de vida dos trabalhadores.

Os resultados são percebidos no próprio ambiente de trabalho, com a redução de faltas e atrasos o que chamamos de absenteísmo, o aumento da produtividade, a melhora no clima organizacional e o fortalecimento do vínculo colaborador e organização.

A base do processo de reeducação financeira está na mudança de antigos hábitos e comportamentos em relação ao uso do dinheiro. Independente da área de atuação ou do grau de instrução, os trabalhadores não foram instruídos sobre como lidar com suas próprias finanças durante sua formação acadêmica e profissional. Não importa a função ou cargo que um colaborador ocupa em uma empresa, sem exceção desde um faxineiro ao diretor, todos precisão se educarem financeiramente. É preciso respeitar o dinheiro que recebe pelos serviços prestados, tendo em mente que o que importa não é o quanto se ganha, mas como administra este valor.

As pessoas de modo geral, diante das dificuldades em administrar bem o seu dinheiro, recorrem a soluções momentâneas como empréstimos consignados, financiamentos, utilização do cheque especial e até mesmo antecipam as férias e 13º salário, que somente combatem o efeito e não a causa do problema.

Um problema muito comum nas empresas é disponibilizar o crédito consignado como beneficio, mas somente disponibilizar sem conscientizar não surte efeito, é preciso investir na capacitação dos colaboradores no que se refere a educação financeira, também é importante ressaltar que o trabalhador terá menos valor a receber devido ao desconto direto em seu salário.

O caminho é fazer com que os trabalhadores aprendam a estabelecer objetivos claros e a definir estratégias, mudando sua relação com o dinheiro. E a empresa, por sua vez, contribui para a criação de uma nova geração de pessoas independentes e educadas financeiramente, contribuindo com a melhor qualidade de vida das suas famílias.

Para isso, o primeiro passo é desmistificar a ideia de que finança pessoal é algo relacionado apenas ao mundo dos números, na verdade isso deve ocorrer a partir de uma abordagem comportamental do tema.

O objetivo, na prática, é oferecer conteúdos e instrumentos concretos para que as pessoas possam reavaliar sua relação com o dinheiro e encontrar, por méritos próprios, os caminhos para sua reeducação financeira. Não basta simplesmente uma palestra ou curso isolado é preciso implantar um programa de educação financeira que faça os colaboradores se tornarem educados financeiramente, para isso, é fundamental que se insira ao cotidiano sonhos a serem realizados, pois, isso dará foco e fará que, ao atingir estes objetivos, estejam muito mais motivados o que será vislumbrado no ambiente de trabalho, lembro para finalizar que sair de dividas além de ser uma escolha, também é um sonho!

Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e Editora DSOP, autor dos livros Terapia Financeira, Livre-se das Dívidas, Ter Dinheiro Não Tem Segredo, das coleções infantis O Menino do Dinheiro e O Menino e o Dinheiro, além da coleção didática de educação financeira para o Ensino Básico, adotada em diversas escolas do país.