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Um milhão e meio de vagas de trabalho foram fechadas em 2015, um recorde em 24 anos.

O último dado divulgado pelo IBGE revelou uma taxa de desemprego de 9% no trimestre encerrado em outubro. Dados do Ministério do Trabalho mostram realidade ainda mais triste: o fechamento de 1,5 milhão de vagas em 2015, um recorde desde 1992, ano do impeachment do então presidente Fernando Collor e quando a série começou a ser apurada. A projeção do Fundo Monetário Nacional (FMI) de queda da
atividade econômica em 2016, de 3,5%, sugere que não haverá reversão no curto prazo. Ao contrário, o mercado de trabalho no país tende a piorar.

É preciso, portanto, preparar-se para dias difíceis. Para famílias que não foram afetadas, fazer uma reserva preventiva, nunca é demais. Agora, quem não se preparou para isso e perdeu o emprego, a dica é adotar medidas restritivas de consumo e administrar o dinheiro da rescisão com rigor. O educador financeiro Reinaldo Domingos recomenda como primeiro passo reunir a família e adotar novos hábitos. “Se não tiver o apoio de todos fica difícil enfrentar um momento como esse”, explica.

Domingos acredita que de 20% a 50% dos gastos habituais devem ser cortados, exigindo grande esforço. “A rescisão [do contrato de trabalho] gera uma receita especial, não é recurso recorrente e o seguro-desemprego sempre é menor do que o salário que era recebido”, o que gera a necessidade de reduzir despesas.

Mas o que cortar no dia a dia? O educador financeiro dá as dicas e orienta como investir a reserva disponível. Uma coisa importante é fazer uma aplicação que permita saques mensais sem prejuízo do rendimento. E o que fazer em relação a dívidas? Não é o caso, por exemplo, de antecipar pagamentos para se livrar delas, sem que haja a garantia de nova colocação no mercado de trabalho. Confira as dicas de Reinaldo Domingos:

Ganhos  A primeira medida a ser tomada é reter os valores ganhos de fundo de garantia, seguro-desemprego e férias vencidas. Esse dinheiro só deverá ser mexido após ser estabelecida uma estratégia.

Choque de realidade – É importante ter domínio de todos os números. Conhecer exatamente o tem guardado e somar com o que será recebido. Também deve ser feito levantamento de todos os gastos mensais, minuciosamente, desde cafezinho até a parcela da casa própria. Dívidas e parcelamentos também devem ser incluídos para planejar o futuro.

Pagamento de dívidas – Por mais que pareça correto quitá-las com o dinheiro da rescisão, se usar grande parte para essa finalidade, correrá o risco de ficar sem receita para cobrir gastos à frente.

Negociar as dívidas – Usar de franqueza com credores e demonstrar interesse em pagar, é um caminho para diminuir os juros e esticar o prazo de financiamento. Lembrando de priorizar dívidas com juros maiores e com bens de valor dados como garantia.

Reserva de emergência – É importante ter uma quantia para as despesas, mas, eventualmente, também para investir em um curso que favoreça retomar a carreira.

Cartões congelados – Cartões de crédito, de lojas e outras ferramentas de crédito fácil, como o cheque especial devem ser esquecidos. É preciso evitar o uso porque, os juros, na casa das centenas quando anualizados, criam um caminho de difícil volta.

Faxina financeira – Devem ser questionados gastos com TV a cabo, que pode ser reduzido ou suspenso, com contas de telefone, festas, ida a bares e restaurantes, com contas de água e energia e também pequenos gastos, que somados acabam pesando no orçamento. É preciso estabelecer prioridades.

Padrão de vida – Não é hora de manter manter a pose. É importante aceitar que a realidade é outra e não viver de aparências, gastando o que não pode.

Ganhos alternativos – Fontes alternativas de renda não devem ser desperdiçadas. A criatividade e a capacidade de atuar em áreas nas quais possui habilidades podem trazer boas surpresas e uma receita que vai ajudar a atravessar esse momento.

Recolocação – Buscar a recolocação profissional é indispensável. É preciso levantar a cabeça e ir em frente.

Fonte: //fatoonline.com.br/conteudo/15485/viver-de-aparencias-e-a-pior-escolha-quando-se-perde-o-emprego