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A medida prevê uma taxa de juro mais baixa para o trabalhador, mas se você não tomar cuidado vai se afundar em mais dívidas

O uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da multa rescisória de trabalhadores do setor privado como garantia para crédito consignado em folha foi aprovado recentemente pelo Senado.

Para o brasileiro poder começar a usar o FGTS como garantia de empréstimos consignados questões operacionais ainda precisam ser resolvidas. A Caixa Econômica Federal ainda vai estabelecer as regras para essa operação e o Conselho Curador do FGTS precisa determinar o número máximo de parcelas e as taxas que serão cobradas por transações assim. A previsão para definir a regulamentação completa é para setembro deste ano.

A medida prevê uma taxa de juro mais baixa para o trabalhador. Assim, ele pode disponibilizar 10% do que tem depositado no seu fundo como garantia ao financiamento que está contratando. Para o educador financeiro, Reinaldo Domingos, “à primeira vista é um facilitador do crédito, contudo, estamos tirando uma garantia que o trabalhador teria a longo prazo”. O texto também permite que o empregado ofereça como garantia nas operações até 100% do valor que foi pago em multa pelo empregador, em caso de demissão sem justa causa.

Para ele, a proposta, que parece ser um benefício para população, esconde alguns problemas, pois é mais uma ferramenta de obtenção de crédito e que pode aumentar os já altos índices de endividamento da população. Segundo o educador financeiro, o grande problema é que muitos trabalhadores que “utilizarão essa alternativa de crédito não percebem que o FGTS é uma garantia para o futuro. E por isso, na maioria das vezes, só pode ser usado em situações emergenciais”.

O uso do recurso para a amortização de dívidas ou garantir empréstimos “não corrige causa do problema que a falta de educação financeira do brasileiro”, afirma o especialista. Segundo ele, as pessoas pensam muito no consumo imediato, deixando de lado projeções da importância de poupar para uma aposentadoria, por exemplo. “Atrelar o FGTS ao crédito consignado é perder garantias, lembrando que a realização dessa obtenção do crédito não deve ser banalizada como ocorre atualmente”, explica Domingos.

Os juros abaixo do mercado são interessantes, mas, fique atento. “Por anos tivemos uma banalização do crédito e, como resultado, os brasileiros estão batendo recordes de inadimplência, por isso, muito cuidado. É importante que os trabalhadores tenham consciência na hora de utilizar essa linha de crédito”, afirma.

Para tanto, o educador financeiro deu algumas dicas sobre como usar a nova medida:

1. Antes de tomar qualquer crédito, saiba sua real situação financeira; se organize para ter uma visão dos seus gastos e receita;

2. Antes de buscar pelo crédito consignado, é importante tomar consciência que o custo de vida deverá ser reduzido em até 35%, isto porque a prestação deste será retirada diretamente de seu salário ou benefício de aposentadoria;

3. É muito comum a utilização do crédito consignado para quitação de cheque especial, cartão de crédito e financeiras. Isso é recomendável, porém, a troca simplesmente de um credor por outro, sem descobrir a causa do verdadeiro problema, apenas alimentará o ciclo do endividamento;

4. O crédito consignado não pode fazer parte da rotina de um assalariado ou aposentado, visto que sua utilização deve ser pontual para um objetivo relevante;

5. Quem quer tomar o crédito consignado deve, antes mesmo de assinar o contrato com a instituição financeira, fazer uma reflexão e análise se este valor, que será descontado diretamente no salário ou benefício, não fará falta para os compromissos essenciais mensais;

6. Para concluir, o mesmo pode, sem dúvida, ser um grande aliado e não há problema se usado como estratégia para sair de linhas de créditos com juros mais altos, para adquirir algo de grande importância ou ainda em uma emergência. Porém, se apenas utilizá-lo de forma não consciente, pode se tornar mais um grande vilão em sua vida.

Fonte: //www.infomoney.com.br/minhas-financas/credito/noticia/5328334/entenda-riscos-por-tras-fgts-para-credito-consignado