Um mercado altamente concorrencial e pulverizado. É assim que Jacir Venturi, presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR), define o setor de ensino particular.


“De um lado temos a pressão do mercado; de outro os custos que pressionam para que os índices de reajuste sejam sempre mais elevados”, diz.

Boa parte das escolas trabalha dessa forma, no limite das receitas e despesas. Para conseguir uma folguinha no orçamento, incluindo provisões para despesas, o Colégio Nossa Senhora de Sion precisaria reajustar a mensalidade em 12,5%, mas vai aumentar em 10,5%, segundo Aroldo Ebbers Razzoto, contador e conselheiro da escola.

Segundo ele, há alguns anos não era preciso fazer empréstimos para fazer frente à folha de pagamento; hoje a escola precisa arcar com o custo financeiro dos empréstimos para honrar o pagamento dos profissionais. Há também uma dificuldade de manter o quadro de alunos ao longo do ano destaca o conselheiro. “Sempre terminamos o ano com menos alunos do que iniciamos, mas os custos são praticamente os mesmos”, diz.

No Colégio Decisivo, as atividades extras engrossaram os custos. “Temos diversas atividades em período contrário como laboratórios de química, biologia, física, redação. Para o próximo ano vamos aumentar o volume de aulas de reforço. Isso evidentemente gera custos que se somam à planilha de gastos da escola”, diz Ubajara Índio, diretor do colégio.

Orientações

O educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, orienta os pais a negociarem com as escolas condições melhores na hora da matrícula

Sintonia

Antes de renovar a matrícula, converse com seu filho para saber se está tudo bem na escola. É lógico que a decisão é dos pais, mas não custa nada estar em sintonia com o filho.

Antecedência

É muito comum que as escolas ofereçam facilidades para quem negocia com antecedência. Neste momento, é preciso que a família tenha consciência de como está financeiramente: equilibrada, poupadora ou endividada.

Poupadora

Para buscar um bom desconto, agende uma reunião na escola. Vá para a reunião com tempo para poder conversar, lembrando que sempre existe uma condição melhor na hora de pagar a matrícula e as mensalidades.

Equilibrada

Para as famílias que estão equilibradas, a situação é delicada, visto que não existe reserva de dinheiro no orçamento financeiro. É preciso ter muita cautela e buscar ajuda na própria escola, expondo a sua situação. Lembre-se de que a escola quer que seus filhos estudem lá e, por isso, pode ajudar a encontrar uma alternativa.

Endividada

Quando a situação é de endividamento, pode ser que seja a hora de rever a permanência de seu filho na instituição. Porém, sempre recomendo a persistência. Não desista, apresente o problema para a direção da escola e busque uma bolsa, mesmo que não integral.

Extras

Fique atento aos investimentos que norteiam os estudos de seu filho. Além da matricula, é preciso conhecer o valor exato da mensalidade, os eventos que ocorrerão durante o ano – como passeios e atividades promovidas pela escola – material escolar, uniforme, lanches diários na cantina, transporte escolar e outros extras que fazem parte da rotina dele na escola.

Antecipação

Uma boa orientação para quem tem dinheiro guardado e aplicado é propor para a escola um pacote anual, contemplando desde a matrícula até as mensalidades. Algumas escolas dão até 20% de desconto, em caso de antecipação. Nenhuma instituição financeira paga de juros mais que 10% ao ano. É importante ter em mente que a escola tem seus limites financeiros, mas também tem interesse em receber o quanto antes esses valores.

Fonte:gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1411073&tit=Escolas-tem-dificuldade-em-equilibrar-custos