Empreendedorismo, educação financeira e economia, assuntos que para alguns dizem respeito a gente grande, passaram a integrar o cotidiano de algumas crianças em Manaus. Lorene Perrone, 11 anos, é uma delas. Apesar da pouca idade já sabe muito bem o valor do dinheiro.


Aos 8 anos, ela começou a vender desenhos na escola, avançou para os livros de estórias e até bolo que ela mesma fazia. Hoje, Lorene administra periodicamente um brechó com roupas e acessórios de grife doados pela família.

“No começo, minha clientela eram parentes e amigos da escola e da minha mãe, que faziam boca a boca do brechó. Este ano, com o dinheiro que arrecadei, ajudei a Fundação Alfredo da Matta”, disse a pequena empreendedora que sonha em ser atriz.

Larrisa Siqueira e a Sofia Souza Costa, ambas de 10 anos, são outras duas crianças com acentuado sentido econômico-financeiro. São excelentes poupadoras. “Passei a guardar uma parte da minha mesada para emergências. Consegui poupar R$ 200, é muito boa a sensação de comprar algo com meu próprio dinheiro”, revela Sofia, que acrescenta que o segredo é ter prioridades.

Esse mesmo princípio move Larissa, que está economizando para se divertir na Disney, nos Estados Unidos. “Como eu que vou comprar as minhas coisas, já comecei a planejar meu gastos”, frisa a pequena, que com a ajuda da mãe já conseguiu poupar para comprar um Ipad.

Disciplina

De olho nesse público que sonda desde cedo em ser dono do nariz, o Centro de Ensino Literatus (CEL) passou a oferecer aos alunos da 1ª série em diante a disciplina Educação Financeira, com foco nas competências: diagnosticar, sonhar, orçar e planejar. Segundo a diretora da educação infantil da instituição, Leny Lousada, o diferencial está na forma como é trabalhado o assunto. “As crianças aprendem brincando, vendo que matemática não é nenhum bicho de sete cabeças, é algo que faz parte do nosso dia a dia”, ressalta.

“Esses dias, por conta do calor, um aluno teve a ideia de fazer picolés para vender. Algo simples, mas que partiu dele”, comentou a diretora, que informa que o CEL anualmente realiza uma feira com os pequenos empreendedores.

Para o servidor público, Sérgio da Silva Costa, pai da Sofia, educação financeira deve começar desde cedo. “É fundamental para o desenvolvimento da criança e é algo para ser levado para toda a vida, ajuda a aprender que não se deve gastar além do necessário e que nada na vida cai do céu, para se ter tudo o que deseja precisa trabalhar para isso”, aponta.

Entrevista: Renato Domingos

Terapeuta financeiro diz que poupar faz sentido quando se tem um objetivo para tal

Especialista em terapia financeira, Reinaldo Domingos, que também é escritor e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) falou com DINHEIRO, por e-mail. A seguir trechos da entrevista.

Educação financeira deve começar desde a infância?

A educação financeira das crianças deve começar desde cedo. E além da escola, os pais possuem um papel fundamental neste processo. Um artifício para inserir os filhos no mundo da educação financeira são as mesadas. Contudo, cuidados devem ser tomados para que esse artifício realmente atinja sua finalidade.

O famoso cofrinho, continua sendo uma boa opção?

Claro, ele é um ótimo motivador para que poupem, mas sempre lembrando que o dinheiro guardado neste cofrinho deverá ter objetivo, para que a criança saiba que deverá priorizar este sonho e objetivo antes de sair gastando. Não é interessante associar esse dinheiro a desempenho escolar, pois, o estudo deve ser incentivado pela importância que ele terá para vidas dessas crianças

O que os pais não devem fazer?

Complementar com frequência a falta de dinheiro ocasionada pela má administração da mesada. Muitas crianças e adolescentes gastam além da conta e passam a recorrer sistematicamente aos pais para conseguir mais dinheiro.

Fonte://acritica.uol.com.br/noticias/Manaus-Amazonas-Amazonia-Negocios-infancia-Kid-empreendorismo_0_971902825.html