Na última semana, a DSOP recebeu a visita de Guilherme Casagrande, ganhador da segunda edição do projeto Emprego dos Sonhos, realizado pelo Serasa Consumidor.

Formado em administração e natural de Rio do Sul, no interior de Santa Catarina, o ganhador de apenas 24 anos já começou a percorrer 40 cidades em 21 estados para criar conteúdos (textos, vídeos, fotos) com o objetivo de divulgar projetos e iniciativas inovadoras voltadas à educação financeira.

Em sua passagem por São Paulo, Guilherme pode ter contato com a estrutura da DSOP e os projetos desenvolvidos na empresa, conheceu o presidente e mentor da Metodologia DSOP, Reinaldo Domingos, e ainda aproveitou para bater um papo sobre educação financeira e os planos para o futuro. Confira abaixo a entrevista. 

Conte um pouco mais sobre o desenvolvimento do seu projeto para o Emprego dos Sonhos. Como foi esse processo entre a idealização até chegar nesse momento de estar viajando?

Eu nunca fui uma pessoa muito conectada com a educação financeira. A minha formação é em administração e o meu mestrado é voltado ao marketing, ou seja, eu sempre pensei mais no consumo desenfreado do que na educação financeira. Quando eu vi essa oportunidade de me conectar com a educação e viajar ao mesmo tempo comecei a ler sobre como funcionava a educação financeira.

Para mim, isso sempre foi uma coisa nebulosa, já que eu nunca tive acesso ao tema na escola e um dos pré-requisitos era gravar um vídeo de 40 segundos falando como você abordaria a educação financeira em sala de aula. Pensando nisso, usei a marca da Serasa e comecei o meu vídeo falando: “Você já ouviu aquela história de dar asas ao seu sonho? Você é o único SER que pode dar ASA”. Depois disso criei uma sigla, com três letras que tem muito a ver com a DSOP, chamada POPS: Planejar, Organizar, Poupar e Sonhar.

Depois quando eu já havia ganho, descobri que esse projeto não é a raiz, eu não vou ficar preso nele, mas sim vou descobrir o que vem acontecendo em termos de educação financeira no Brasil. Há um ecossistema e agora precisamos medir quais os impactos gerados a partir do ensino desse tema. Além disso, uma parte do trabalho será reunir com professores nas cidades por onde o caminhão irá passar (são mais de 40) e poder criar. Esse caminhão funciona como uma agência do Serasa durante o dia e a noite se transforma em auditório, onde posso me reunir com professores para discutir os principais desafios para pensarmos em soluções. O perfil dos alunos está mudando então a ideia é pensar a melhor maneira de levar a educação financeira para dentro da sala de aula.

O que te fez vir até a DSOP e como você enxerga o trabalho da educação financeira?

Eu estou mapeando várias iniciativas de educação financeira pelo Brasil e conheci vocês através do Google mesmo, a partir daí fui conhecer a fundo o trabalho que vocês desenvolvem. Eu já conhecia o canal do Reinaldo Domingos no Youtube (Dinheiro à Vista), mas ainda não tinha conectado as duas coisas, mas imediatamente eu pensei: “Preciso conhecê-los”. Pelo acesso que tive ao material e por tudo que fui apresentado, eu vejo uma preocupação que vai muito ao encontro com o que temos na Serasa, que é levar a educação financeira para dentro da sala de aula de uma maneira interdisciplinar, transversal, que não seja uma caixa fechada. Há uma didática que coloca o aluno como protagonista e quando você se torna o protagonista fica muito mais gostoso aprender.

Em relação à BNCC, você, que está em contato direto com as escolas, como analisa esse movimento em função da lei, que determina que até 2020 todas as escolas, desde o ensino básico até o médio, terão de inserir a educação financeira na grade curricular?

A segunda edição do “Emprego dos Sonhos”, voltada para a educação financeira, vai muito de encontro à BNCC. Aliás, acredito que isso tenha acontecido tarde demais, pois falando da minha experiência como aluno, eu nunca havia tido contato com a educação financeira e hoje entendo o quanto isso dá poder às pessoas. Acho que temos que aproveitar esse momento, pois é um novo olhar do brasileiro com as próprias finanças, com os sonhos dele e o grande detalhe do meu papel nessa história toda é conseguir entender como a educação financeira acontece hoje e tentar ajudar esse tema se desenvolver ainda mais.

Muitos dos professores que me deram retorno disseram que o assunto é muito interessante, mas que não sabem como trabalhá-lo. É muito legal o trabalho que a DSOP faz no sentido de levar esse conteúdo de uma maneira pronta para o professor, tendo todo um apoio didático para se conduzir em sala de aula, se relacionar com os alunos. Todo esse suporte, com certeza, irá ajudar a educação financeira evoluir no nosso país.

Você havia comentado anteriormente que descobriu a educação financeira através da dor. Fale um pouco sobre essa sua relação pessoal com o tema.

O que me engaja muito em trabalhar com educação financeira é que eu aprendi sobre ela na dor e também comecei a ver de perto da dor das pessoas através do Serasa. Eu fui criado em uma família que me proporcionou acesso a tudo que sempre quis, sempre trabalhei, sendo que o que eu ganhava eu utilizava para mim, mas eu tinha uma meta de que quando terminasse a faculdade eu iria morar sozinho. Sendo assim eu consegui atingir essa meta, assumi um aluguel e todas as despesas que esse movimento demanda, a partir de então a minha realidade começou a mudar. Não cheguei a ficar negativado, mas tive que utilizar uma reserva que não era plano meu usar, portanto eu acabei tendo dificuldades por não saber me planejar.

Vejo a grande importância de levar esse tema para as crianças e jovens na escola, pois a minha geração é uma geração onde os pais trabalham para conseguir prover tudo para os filhos, mas que, por outro lado, principalmente os jovens, entendem que o dinheiro que ganham deve ser utilizado de qualquer maneira, isso até se ver diante de uma situação onde ele precisa se sustentar sozinho e então o choque é muito grande. Se começarmos a falar sobre o tema com a criança, mostrando para ela a importância desse dinheiro, que ele não cai do céu, iremos minimizar muito os índices de inadimplência no futuro.

Fale um pouco sobre a sua identidade com a DSOP e com o Reinaldo Domingos. Onde você entende que a sua visão é parecida com a nossa?

Acredito que vai muito de encontro, primeiro por eu ter utilizado siglas muito parecidas com a DSOP, mas acho que a grande questão é que, desde que conheci todos vocês, percebi uma preocupação muito grande com o futuro da nação de uma maneira geral, não apenas com a sustentabilidade da empresa, mas sim com o que vai acontecer com o futuro do Brasil. O mais interessante é que essa preocupação tem qualidade. Eu conheci livros, cofres, fantoche, doutorado, pós-doutorado, enfim, uma estrutura real de quem se preocupa de verdade com essa causa. Acho que esse é o grande detalhe: pessoas engajadas fazem a diferença. Eu vejo paixão aqui e é algo que também me move. O contato com meus alunos lá na cidade do interior de Santa Catarina é o mesmo que me faz brilhar o olho e o mesmo que eu vejo o olho de todos aqui da DSOP brilhar também.

Nós prezamos muito os sonhos na DSOP, portanto, para finalizar, queremos saber qual é o seu sonho.

Eu tinha uma meta muito grande em minha vida que era: quando chegasse em um quarto de século (25 anos) gostaria de fazer algo grande e eu vou chegar em breve. Portanto planejei um mochilão de volta ao mundo, sendo que a minha ideia é estar conectado com a educação. Eu amo viajar e já conheço alguns países, mas planejei esse mochilão por 11 meses e estava quase comprando a passagem, foi quando eu soube, um dia antes, que eu era o semifinalista do “Emprego dos Sonhos” e então decidi não comprar e aconteceu tudo isso, então acho que o meu primeiro sonho seria essa experiência de conhecer novas culturas. Falando em sonhos não materiais, se eu conseguir continuar a vivendo e, de alguma forma ajudando a vida das pessoas, para mim isso não tem preço.