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Cheque especial não é extensão de renda

Até abril deste ano, o saldo de cheque especial utilizado no País somava R$ 18,05 bilhões. Esta modalidade representa cerca de 2% de todo o crédito concedido no Brasil e cerca de 4% do crédito concedido a pessoas físicas. Mas, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o que poderia ser uma ferramenta aliada do consumidor, acaba virando armadilha.

Se o cliente precisa de crédito por um prazo extenso, o ideal é verificar com o gerente as opções de empréstimo pessoal. O cheque especial é um dos tipos de crédito que os bancos oferecem aos seus clientes e, uma vez concedido, pode ser facilmente acessado pelo correntista. Essa é a grande vantagem do serviço, mas muitas vezes é nessa facilidade que os clientes se perdem.

O cheque especial é um instrumento para ser usado apenas em casos de emergência, porque seu objetivo é socorrer o cliente numa situação imprevista. Por exemplo: para cobrir o pagamento de uma despesa não programada e feita às pressas, como o conserto de um automóvel, um exame não coberto por plano de saúde. Mesmo nesses casos, o cheque especial deve ser usado se o cliente está seguro de que cobrirá sua conta corrente no prazo de alguns dias.

Caso contrário, o melhor é conversar com o gerente do banco e verificar quais créditos mais baratos a instituição oferece. Muitas vezes o cliente usa o cheque especial para financiar gastos e estender sua renda, o que não é aconselhável pelos especialistas. Simone Domingues, contadora e sócia-diretora da Trade Contabilidade, ressalta que é preciso tomar muito cuidado com as “regalias” desta modalidade, pois os juros do cheque especial são muito altos, entre 8% e 11% ao mês, e aumentam ainda mais com a nova alíquota do IOF.

Além disso, há bancos que somam o saldo da conta corrente com o valor de crédito disponível como se fosse uma coisa só. “O consumidor, por falta de conhecimento ou necessidade, tem a falsa impressão de que esta soma compõe seu saldo real e passa a utilizar o crédito disponibilizado na conta bancária como se fosse parte de seus rendimentos”, alerta.

Nestes casos há cobrança de juros sobre juros ou contagem de juros capitalizados mensalmente, o que compromete grande parte do salário dos correntistas em dívidas que não param de aumentar e que, com o tempo, vão se tornando impagáveis.

Por isso, para quem fica “pendurado” no cheque especial, o ideal é pesquisar quais bancos oferecem as menores taxas de juros do mercado. Alguns, inclusive, não cobram juros por um prazo determinado.

Pré-datado

Outra dica é organizar o orçamento e optar pelos cheques pré-datados, que agora não cobram mais CPMF. Mas se o correntista já possui uma dívida no cheque especial, deve pensar na possibilidade de quitá-la imediatamente através de um empréstimo pessoal numa instituição financeira de confiança. “Além de pagar juros mais baixos, é possível renegociar a dívida anterior e conseguir um bom desconto pelo pagamento à vista”, explica Simone.

Portanto, a melhor maneira do consumidor não cair nessa cilada é fazer o uso consciente do cheque especial, evitando a formação de saldo devedor.

O correntista pode optar ainda por cancelar esse crédito, mesmo havendo dívidas. Nestas situações, ele deve enviar uma correspondência com aviso de recebimento para o banco exigindo o cancelamento imediato do cheque especial e pedindo uma resposta no prazo de 10 dias, após a devolução do comprovante da entrega da carta. Esta medida evita que a dívida aumente, pois após o cancelamento, não podem mais incidir os juros do contrato.

O consumidor ainda pode ingressar com uma ação revisional de contrato, já que, além de abusiva, a cobrança de juros capitalizados mensalmente é ilegal no País, alerta Simone Domingues.

FALTA EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Aposentados estão se endividando mais

Dados apontam que o número de aposentados brasileiros endividados está crescendo rapidamente. Reinaldo Domingos, educador e terapeuta financeiro, alerta que um grande problema enfrentado por eles, por falta da educação financeira, é cair em linhas de crédito, que aparentemente são vantajosas, mas que se tornam fatais para a vida financeira. “São os chamados créditos consignados do INSS, que têm juros tabelados em, no máximo, 2,5% ao mês na modalidade de empréstimo tradicional, e 3,5% ao mês no formato cartões de crédito consignado.

De setembro de 2004 – quando foi criado o desconto em folha- até junho de 2008, quase 15 milhões de operações ainda ativas acumulavam R$ 23 bilhões. Nestes quatro anos, mais de 9,2 milhões de segurados fizeram uso do crédito consignado. “O aumento dos benefícios dos aposentados pode ser apenas um paliativo, não representando no fim do endividamento se não for acompanhado da mudança drástica na sua educação financeira”, comenta.

O terapeuta afirma que é preciso ter em mente que nunca é tarde para iniciar o caminho da independência financeira, por meio da educação. Ele ressalta que ainda é possível a realização de sonhos de curto prazo. “Se o aposentado poupar mensalmente 20% do que ganha, e direcionar para um investimento que mais se identifique aos objetivos, transformará em realidade alguns sonhos de consumo”. No livro Terapia Financeira, Domingos mostra em linguagem simples como as pessoas de todas as idades podem mudar o hábitos com relação ao dinheiro em seu cotidiano.

NO NORDESTE

Crédito supre sonho de ter semi-duráveis

O crédito para aquisição de mercadorias não alimentícias é fator decisório de compra no Nordeste. A opinião é do presidente do grupo varejista Wal-Mart no Brasil, Héctor Núñez. Segundo ele, apesar de o poder aquisitivo da população ter aumentado no Brasil e, principalmente, na Região, o crédito supre o sonho de consumo de bens semi-duráveis. “Comprar uma TV de plasma, um computador, um laptop, um presente elaborado requer acesso a crédito”, comenta o executivo.

Com novos investimentos programados para a Capital e algumas cidades da Grande Fortaleza, ele afirma que a população cearense tem ampliado seu poder aquisitivo, bem como a demanda por itens de maior valor, como importados. “Fortaleza é uma cidade que vem se transformando ao longo dos últimos 15 anos. O comércio é uma atividade consolidada, o turismo tem sido algo muito bem explorado e muito vem servido”, comenta. De acordo com Núñez, a parceria da rede Wal-Mart Brasil com o Itaú Unibanco nos cartões Hipercard tem surtido resultado. “Trabalhamos muito unidamente. Temos os mesmos objetivos, de crescer a base de clientes e aumentar as vendas.

Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=666512

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