Educação Financeira
Tendência

Como os pais devem organizar a mesada

Ao contrário do que muitos pensam, a mesada não é um incentivo ao consumo

Por: Reinaldo Domingos

Depois de um longo período de isolamento a vida das pessoas começa a voltar ao normal, dentro disso velhas questões voltam a ser ponto de preocupação e uma delas é a relação entre crianças e jovens e o dinheiro.

Como muitos estavam isolados, os gastos e vontades eram mais simplesmente administrados. Agora isso passará por um novo momento. Lembrando que, em função da crise e seus reflexos nos bolsos, o tema educação financeira deve ganhar mais relevância e os pais devem ensinar os filhos a lidarem com essa realidade. Assim, fica a questão, como levar esse conteúdo aos filhos e a mesada é uma boa pedida para inserir os filhos nesse mundo?

É certo que a mesada é um caminho para a educação financeira e que a volta às aulas é um excelente momento para começar e pode até gerar economia nas contas da família. Ao contrário do que muitos pensam, a mesada não é um incentivo ao consumo, e sim forma de educar financeiramente as crianças.

Vou explicar melhor: a infância é a fase ideal para desenvolver comportamentos que serão levados por toda a vida, por isso é importante implantar a mesada quando notar que a criança está pedindo dinheiro com frequência e já mostra ter seus primeiros hábitos de consumo.

Normalmente, crianças e jovens consomem durante a rotina escolar, com gastos com alimentação, por exemplo. Em uma volta com a diminuição, quando muitos ficaram afastados, é muito preocupante essa relação, podendo ocorrer descontrole.

Assim é fundamental que as crianças e jovens sejam orientadas para usar o dinheiro de forma sustentável e poupar parte dele para realizar seus sonhos no futuro, com isso essas se tornam menos consumistas e mais conscientes. Os reflexos são notados em casa.

Algo que percebo é que muitos pais acreditam que não dão mesada, mas dão pequenas quantias constantemente aos filhos, de forma não sistematizada. Contudo, existem várias formas de mesadas diferentes do que se imagina e que ajudam na educação financeira.

Exemplo muito comum é pais que dão dinheiro quando os filhos pedem para fazer pequenas compras, como guloseimas e brinquedos, por mais que pareça que não, eu caracterizo isso como uma mesada voluntária.

Há 8 tipos de mesada, que categorizei em meu livro Mesada não é só dinheiro (Editora DSOP), veja abaixo um breve resumo de cada uma:

Mesada Voluntária: É a primeira mesada que seu filho recebe, quando quer comprar sorvete ou bala, o primeiro dinheiro que passa pelas mãos da criança. Na maioria das vezes, são as moedinhas do troco e é importante porque é algo novo para as crianças.

Mesada Financeira: É o tipo mais comum de mesada. Aquele dinheiro dado às crianças semanalmente ou mensalmente para que elas comecem a tomar conta do próprio dinheiro.

Mesada de Terceiros: Quando seu filho recebe dinheiro dos avós, dos tios ou padrinhos, é considerada mesada de terceiros.

Mesada Econômica: Quanto mais a criança ajuda a economizar em casa, mais a família ganha para fazer coisas juntos. Por exemplo, 50 reais que todo mundo economiza na conta do supermercado pode render um ótimo passeio até a sorveteria no final de semana.

Mesada Empreendedora: na verdade, é o dinheiro que seu filho ganha por fazer algum investimento pequeno em casa. Por exemplo, ele ganha mesada com a venda de pipas que ele mesmo faz em casa, ou algum tipo de trabalho manual, ou até mesmo trufas e biscoitos.

Mesada Ecológica: Não precisa ser dinheiro, é um jeito de incentivar seu filho a separar o lixo para reciclagem, por exemplo, e ir aos pontos de troca, onde certa quantidade de material reciclável vale uma quantia em dinheiro.

Mesada de Troca: Em vez de seu filho economizar por meses para comprar um brinquedo novo, que tal chamar os amigos dele para fazer uma tarde de troca de brinquedos? É divertido, trabalha a conscientização e reaproveita os brinquedos usados em bom estado.

Mesada Social: É aquela que leva a criança a escolher brinquedos, passeios e opções mais baratas e com maior qualidade para passar mais tempo com a família e com os amigos. A recompensa não é monetária, mas ensina a criança que o dinheiro não é a única coisa de valor que ela pode guardar.

PhD Reinaldo Domingos 
Presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira-ABEFIN e da DSOP Educação Financeira

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