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Cuidado com o rombo no cartão de crédito

Solução para endividamento passa por reorganização completa das finanças

Dados do Banco Central (BC) mostram que é cada vez maior o endividamento do brasileiro no cartão de crédito. As pendências com crédito rotativo, saques em dinheiro e parcelamentos com juros chegaram a julho com um saldo acumulado recorde de R$ 26,49 bilhões. A quantia é o dobro do que existe pendente no cheque especial.

Mesmo sendo o juro mais caro do mercado, atualmente em 237,9% ao ano, é a modalidade de crédito que mais cresce. Conforme o BC, a cada R$ 4 tomados por pessoas físicas no país, R$ 1 é no cartão de crédito. E a inadimplência com atraso acima de 90 dias representou 28,3% das operações em julho.

Para o especialista em educação financeira Reinaldo Domingos, autor de livros sobre o tema, a solução está na busca do diagnóstico das causas que levaram a pessoa ao endividamento. Para ele, o descontrole pelo estímulo do marketing e pela facilidade do crédito, aliado à falta de educação financeira, são armadilhas que empurram o consumidor a fazer gastos superiores aos ganhos. Identificar as saídas de dinheiro desnecessárias ou que podem ser racionalizadas, entende Domingos, é o primeiro passo para se livrar da enrascada com o cartão de crédito.

– Hoje, o sonho de muitos brasileiros é sair do endividamento. Mas não vai adiantar trocar uma dívida mais cara por uma mais barata, como no crédito consignado, se a pessoa não modificar a sua vida – diz Domingos, para quem a manutenção de hábitos perdulários fará o consumidor voltar a se atolar em dívidas.

Especialista recomenda evitar pagamento parcial de fatura

Domingos ressalta que o devedor, após reorganizar suas finanças e definir quanto pode poupar mensalmente para começar a quitar a dívida, deve procurar a operadora de cartão de crédito e fazer uma oferta para pagar parceladamente e com desconto o débito, pois a empresa também tem interesse em facilitar algumas condições para receber.

Para o professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA) Ricardo Almeida, é preciso que toda a família participe do esforço poupador e compreenda que reequilibrar as contas de casa, apesar de significar abrir mão de alguns costumes durante certo período, ao final será benéfico a todos. Deixar hábitos de consumo, diz Almeida, é uma atitude que exige disciplina.

– Isso não se consegue de uma hora para outra. É um exercício diário, mensal, como quem cura um vício – compara.

Outras dicas são evitar pagar apenas parte da fatura de cartão. A rolagem da dívida, lembra Almeida, envolve um dos juros mais caros do mercado. Segundo o especialista, muitos brasileiros têm a visão distorcida de não considerar a fatura do cartão de crédito uma dívida:

– O bom uso do cartão de crédito é pagar toda a fatura. E em dia.

Segundo Almeida, é imprescindível, após renegociar a dívida do cartão, pagar conforme o acertado. Na visão do mercado, ser inadimplente também na repactuação indica que o consumidor, pelo alto risco que representa, merece pagar juros altos.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2673560.xml&template=3898.dwt&edition=13242§ion=1008

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