Educação Financeira
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Economistas dão orientações sobre finanças pessoais

Especialistas falam sobre dinâmicas diárias para equilibrar as contas

Por: José Ricardo Ferreira
Via: Gazeta de Piracicaba

O recuo da pandemia do novo coronavírus está possibilitando o retorno mais estável das atividades econômicas. As pessoas estão mais seguras para fazerem suas compras ou se divertirem. Mas as economias estão ainda buscando se estabilizarem após meses de instabilidade. Isso também acontece com as famílias que precisam tomar cuidado para não se endividarem em tempos ainda duvidosos, pois o cenário mostra inflação em alta, desemprego e queda de renda.

Os juros dos cartões de crédito e cheque especial são proibitivos e podem estragar seu final de ano após as severas restrições da pandemia.

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“Quando o assunto são finanças pessoais, sem dúvida, o cartão de crédito é considerado um dos maiores vilões. A preocupação se torna ainda maior com o aumento da taxa básica de juros Selic. Com isso os juros anuais do rotativo do cartão de crédito chegaram a 336,1% em agosto, uma alta de 4,6 pontos percentuais em comparação com julho. No mesmo mês de 2020, a taxa era de 309,9% (Os dados são do Banco Central)”, segundo explica Reinaldo Domingos que é PhD em Educação Financeira e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros.

“O endividamento pessoal ocorre quando os gastos individuais ou familiares excedem as receitas do indivíduo ou sua renda familiar”, explica o economista Igor Vasconcelos Nogueira, professor da área de Gestão do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Câmpus Capivari. Ainda segundo ele, “em momentos de crise o endividamento tende a se agravar”.

“Evite compras por impulso. Com o bombardeio diário de ofertas e oportunidades na mídia, muitas vezes os jovens se deixam levar e adquirem um serviço ou produto que nem sempre é necessário. Para que isso não aconteça, é preciso se perguntar antes de qualquer compra: se realmente precisa disso; se terá como pagar a fatura no mês seguinte; se está comprando por vontade própria ou se deixando levar pelas propagandas ou terceiros?”, aponta Reinaldo Domingos.

Uma forma educada financeiramente de utilizar o cartão é saber aproveitar os benefícios que ele pode oferecer, sejam milhagens ou prêmios. Mas lembre-se que essas vantagens têm data de validade, portanto é preciso ficar atento para não perder os prazos.

“Caso não consiga pagar a fatura total do cartão no vencimento, faça, imediatamente, um diagnóstico financeiro e descobrir o verdadeiro problema. Além disso, busque uma linha de crédito com taxas de juros mais baixos”, orienta Domingos que comanda o canal Dinheiro à Vista e que é autor de diversos livros sobre o tema, como o best-seller Terapia Financeira.

Alguns passos

Igor Nogueira elaborou cinco passos para enfrentar o endividamento ou até eliminá-lo. Confira:

1º) Faça um planejamento financeiro mensal, anotando todos os gastos (aluguel, água, energia elétrica e até mesmo um possível cafezinho fora de casa). Não deixe nenhum gasto de fora, nem mesmo aquele que considera irrelevante, pois esse é o primeiro passo para que se verificar qual o total de gastos em relação à renda mensal;

2º) Corte todos os gastos desnecessários ou não essenciais para a sobrevivência familiar, como compras supérfluas ou refeições fora de casa. Priorize aquilo que é realmente essencial para sobrevivência familiar;

3º) Busque reduzir ao máximo os gastos variáveis, como água, energia elétrica e combustível (banhos rápidos, evitar luzes durante o dia e caminhar quando possível ao invés de utilizar um veículo ou transporte público);

4º) Dê preferência a compras à vista, não faça novos financiamentos ou prestações, pois postergar as dívidas pode gerar um alívio momentâneo e uma falsa sensação de que a renda atual é compatível com os gastos, mas isso se transforma em “bola de neve” e agrava o endividamento familiar;

5º) Evite utilizar cartões de crédito e esqueça o limite do cheque especial, se possível retire esse limite da sua conta bancária e guarde por um tempo o seu cartão de crédito. O Brasil possui os juros dos cartões de créditos e cheque especial como um dos mais elevados do mundo fazendo com seu endividamento possa dobrar no curto prazo.

“Como dica final, após seu planejamento financeiro e caso ainda possua dívidas, dê preferência em pagar aquelas com os juros mais elevados como cheque especial e cartão de crédito. Avalie inclusive a possibilidade um financiamento com juros menor, como um consignado, para quitar as dívidas do cheque especial ou do cartão de crédito”, explica Igor Nogueira.

Ele também ressalta que, infelizmente, algumas pessoas encontram-se em situação financeira mais agravada e nem mesmo se enquadram no quinto passo, mas sempre é possível exercer os três primeiros e lembrar que esse é um momento transitório e que a situação financeira irá melhorar após esse planejamento financeiro.

Converse em casa

O economista e professor Francisco Crocomo (EEP/Fatep) lembra que o diálogo no lar é essencial para que as decisões sejam seguras quando o assunto é planejamento financeiro contra o endividamento.

Uma vez com salários em dia, o trabalhador deve evitar o que as cartilhas anti-dívidas aconselham: ficar longe do cheque especial, do cartão de crédito e dos juros altos; substituir marcas e produtos na compra ou até cortar alguns consumos e serviços; conversar muito em casa na busca de economizar e fazer um planejamento familiar; procurar lazer e cursos gratuitos; de repente, conseguir algum extra para melhorar a sua renda.

Crocomo reforça que planejamento financeiro é algo que precisa se tornar uma rotina na vida das pessoas.

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