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Educação financeira vale desde o primeiro salário

Colocar o primeiro salário no bolso é motivo de comemoração, em especial para os jovens. Difícil é saber dosar o lado bom da grana e os gastos excessivos que podem levar ao endividamento. Em geral, a maioria dos jovens atende aos apelos do consumo e é levada à gastança. E são muitos apelos: o jeans da moda, a camiseta e o tênis para a balada, o happy hour com os amigos, os lanches com a(o) namorada(o). Quando a ordem é gastar, dinheiro não é problema. Se acabam as cédulas do real, o cartão de crédito está na carteira para socorrer na hora do aperto. Mas é bom ficar atento desde cedo porque o descontrole na juventude é um passo para chegar à vida adulta com a corda no pescoço.

A falta de educação financeira em casa e na escola deixa o jovem vulnerável ao lidar com dinheiro. Além disso, a inexperiência e o impulso natural na juventude dão o empurrãozinho para o consumismo. O consultor financeiro Reinaldo Domingos lembra que desde criança o jovem é estimulado a consumir. Quando chega o primeiro salário é impossível resistir. Além disso, a oferta do crédito fácil é mais uma porta para alimentar os gastos supérfluos. “Estamos vendo uma ciranda de gerações de pessoas dependentes do consumo”, diagnostica. Ele estima que 70% dos jovens que estão no primeiro emprego estão endividados ou gastam tudo o que ganham.

Mas nem tudo está perdido. O primeiro passo para o jovem não entrar na ciranda do endividamento é aprender a respeitar o próprio dinheiro. Em seguida, é preciso fazer um diagnóstico financeiro para saber para onde vai a grana do salário ou da bolsa-estágio. Calcular quanto gasta com o cafezinho, o chiclete, o lanche, o estacionamento e outras tantas despesas podem fazer a diferença no fim do mês. “Com essa planilha o jovem poderá cortar os excessos e supérfluos. É necessário tirar as despesas que não agregam valor à sua vida”, orienta Domingos. Segundo o especialista, não precisa ser radical e cortar a balada, mas nada de ir para a farra todos os dias da semana.

Recém-contratado por uma escola privada, o professor de história Rafael Otávio da Hora, 23 anos, experimenta o gostinho do primeiro salário. Ele conta que substituiu uma professora em licença maternidade e depois foi efetivado como professor do ensino fundamental II. Antes passou pela experiência de dois estágios remunerados e ganhava como bolsista. “Quando estagiava eu gastava tudo com festas e roupas. Agora como o primeiro salário estou guardando uma parte”, revela.

Por que Rafael mudou a forma de lidar com o dinheiro? A resposta é simples: ele persegue o sonho de comprar um carro. Reserva metade da renda mensal (entre R$ 700 e R$ 800) na caderneta de poupança. Além disso, quando estava na faculdade tinha o apoio financeiro dos pais. “Hoje estou mais consciente e assumindo as minhas despesas”, conta. Mesmo com cartão de crédito na carteira, o professor diz que não mete os pés pelas mãos. “Não avanço nas despesas, até porque vejo o exemplo de alguns amigos pendurados no cartão”.

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/02/04/economia3_0.asp

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