A tendência é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promova hoje, mais uma vez, a alta da taxa Selic, que, atualmente, já está em seu maior patamar em quase nove anos: 13,75% ao ano.

Alguns especialistas acreditam que a elevação será de 0,50 ponto percentual, outros de 0,25. Caso isso se confirme, terá reflexo em todo o mercado, mas o maior problema será, sem dúvida nenhuma, para a grande parcela da população endividada e inadimplente, pois os juros dessas dívidas, que já são altos, tendem a ficar ainda maiores.

O principal problema a ser combatido nesse momento são as dívidas no cheque especial, pois os juros estão no patamar de 268,79% ao ano, e no cartão de crédito, com juros a 312,75% ao ano. Para esses casos, ou se cria uma estratégia urgente ou a situação com certeza se tornará insustentável. É hora de parar de “brincar” de administrar o dinheiro e perceber que é preciso mudar o comportamento, readequando o padrão de vida.

Passamos por um momento de crise e as perspectivas é que ela ainda se estenda por um período. Entretanto, o impacto que ela terá nas finanças das famílias dependerá da postura que elas tomem no momento. Assim, se deve esquecer o hábito de consumo desenfreado. A palavra do momento é consumo consciente.

Então, se esse aumento dos juros será repassado aos juros cobrados em dívidas, empréstimos e financiamentos de pessoa física, é primordial combater esse problema. Alerto que é preciso descobrir a causa deste endividamento, ou seja, o costume de gastar mais do que se ganha. É preciso reestruturar o orçamento financeiro ou assumir o controle.

O pagamento de juros deve ser evitado e, para isso, é preciso poupar antes de gastar. Quando entramos no endividamento, mesmo que com taxas de juros menores, gastamos mais dinheiro e, certamente, com isto, deixamos de realizar outros desejos e necessidades. É preciso construir uma nova cultura com relação à administração de nosso dinheiro, aprendendo a evitar os impulsos e apelos do marketing publicitário e do crédito fácil, mesmo com a queda dos juros, que é um grande incentivador do consumo. Cuidado para não comprar aquilo que não sonha, com o dinheiro que não tem, para impressionar pessoas que, muitas vezes, nem conhece.

Já, para quem não está endividado, mas quer entrar em uma linha de parcelamento, empréstimo ou financiamento, o momento é de cautela e pensar melhor antes de seguir por esse caminho, já que o aumento da taxa de juros deixa esses mais caros, forçando o consumidor a comprar menos e evitando uma pressão inflacionária. Dessa maneira, as compras desenfreadas que as pessoas estão expostas atualmente tendem a reduzir.

Bom para quem tem investimentos

Para alguns investidores, a noticia da alta da Selic é boa, principalmente para as aplicações de renda fixa atreladas a ela, como os CDBs pós-fixados, os fundos DI, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e títulos negociados via Tesouro Direto.

Mas a pergunta que muitos me fazem é se isso significa que devemos direcionar todos os nossos recursos a essas aplicações. Não, na verdade, chegou o momento de uma análise aprofundada para quem for aplicar, definindo claramente os objetivos e direcionando o dinheiro de maneira correta. Em uma primeira análise, posso afirmar que, para investimentos de curto prazo, sim, é interessante colocar o seu dinheiro nesta modalidade.