Em abril, 62,7% das famílias brasileiras estavam endividadas, um aumento de 2,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. Já o número de famílias inadimplentes, ou seja, aquelas que estão com dívidas ou contas em atraso, aumentou de 23,4% para 23,9%. Os números foram divulgados esta semana pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) e pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Para o especialista em educação financeira e presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), Reinaldo Domingos, mais uma vez os números refletem a ausência do tema nos lares brasileiros. Segundo Domingos, o primeiro passo é fazer uma verdadeira “faxina” financeira e envolver a família.

“Essa mudança de comportamento em relação ao dinheiro começa pelo diagnóstico financeiro, portanto é recomendado anotar durante um período de 30 dias todos os gastos para saber onde está indo cada centavo do seu dinheiro, pois apenas assim terá informações suficientes para dar o próximo passo”, afirma.

Antes de negociar com credores, é importante ter conhecimento sobre a real situação financeira, portanto, além do diagnóstico, é preciso conhecer todos os ganhos (salários, rendimentos de investimentos e recebimentos de aluguéis, se tiver) e todas as dívidas. Isso porque as que têm os juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial, e as que correspondem a produtos e serviços essenciais, como moradia, energia elétrica e água, devem ser priorizadas.

Nessa etapa, é muito importante reunir a família – incluindo as crianças –, falar sobre o problema e, em seguida, discutir as alternativas. Afinal, será necessário que mudanças no comportamento de todos aconteçam para que seja possível poupar para quitar as dívidas e, principalmente, para não retornar a situação de endividamento e inadimplência no futuro.

“É importante lembrar que o pagamento das dívidas precisa ser bem administrado para que não gere inadimplência, mas caso isso aconteça, buscar uma nova forma de crédito para conseguir pagar a dívida em atraso nunca é o melhor caminho. É preciso atuar na raiz do problema, ou seja, mudar completamente o seu o comportamento financeiro, caso contrário, a situação pode se transformar numa bola de neve financeira”.

 

Veja 6 orientações de Reinaldo Domingos para fugir do endividamento:

 

1: No planejamento para pagar as dívidas, priorize as que têm os juros mais altos. Geralmente são as de cartão de crédito e cheque especial;

2: Na hora de negociar, se for parcelar as dívidas, tenha certeza de que as parcelas caberão em seu orçamento;

3: Não existe uma porcentagem exata do quanto terá que direcionar para pagar suas dívidas, isso dependerá do diagnóstico financeiro feito previamente;

4: Além de quitar as dívidas, procure guardar dinheiro para fazer suas próximas compras à vista e obter descontos. Mesmo endividado, inicie o projeto de vida de ser independente e sustentável financeiramente. E não se esqueça: é preciso respeitar o dinheiro e entender que ele é um meio e não um fim.

5: Muitas vezes, é importante dizer “devo, não nego, pago, como e quando puder”. Nunca se deve procurar o credor (pessoa ou instituição para quem se deve) antes de ter domínio completo da sua situação financeira, pois assim não terá condições de resolver o problema;

6: A portabilidade é uma das ferramentas para reduzir o endividamento, portanto, procure por linhas de créditos mais baixas. Porém, é importante frisar: isso não resolve a causa do problema;