Disciplina nos gastos e mudanças de hábitos em relação ao consumo ajudam a abandonar dívidas e alcançar metas

 

Entre 80 e 100 milhões de brasileiros encontram-se em situação de endividamento por cheque especial, cartão de crédito ou por financeiras. Quase 70% da população têm algum tipo de dívida e apenas 10% possuem perfil de investidor. Mudança de hábitos com relação ao consumo e disciplina nos gastos são alguns dos pilares para deixar as dívidas ou não adquiri-las e maneiras de conquistar metas.

Dados são do consultor, terapeuta financeiro e presidente do Instituto de Educação Financeira (Disop), Reinaldo Domingos, que ministrou a palestra “Assuma o controle de sua vida financeira”, na 15ª Convenção de Vendas da Associação dos Distribuidores e Atacadistas de Goiás (Adag), que aconteceu neste sábado, no Centro de Convenções.

Não são métodos matemáticos, planilhas ou projeções que vão levar à educação financeira, aponta Domingos. “Educação financeira é mudança de hábitos, costumes, onde se gera novo comportamento com relação ao dinheiro. Isso é o que faz com que as pessoas criem novo hábito ante à gestão financeira”, aponta.

Ele define em quatro palavras as dicas para se conseguir tomar frente e controlar a vida financeira: sonhos, para desenvolver as atividades em cima dos objetivos e dos desejos; atitudes, mudar radicalmente e não deixar para começar a poupar depois; disciplina, que não necessita de muito rigor, mas precisa alterar o comportamento de consumo regulando-o; e perseverança, para levar adiante as outras três dicas.

O consultor avalia que, após os fatos econômicos ocorridos em setembro de 2008, o mundo desenvolveu atenção especial com relação ao dinheiro, inclusive o Brasil. Mas, aponta que apesar de o País ter se mostrado em posição de destaque no quesito economia, o brasileiro ainda engatinha quando o assunto é controle das finanças pessoais porque tomou como espelho países caracteristicamente consumistas, como os EUA. Ele conta que uma pesquisa realizada pelo instituto em várias partes do mundo, como Europa, Ásia e EUA, revelou que o Brasil ainda é carente em relação à educação financeira.

Segundo ele, só com cartão de crédito, a margem de endividamento dos americanos é de US$ 10 a US$ 15 mil por pessoa. Revelando que isso também remete o Brasil a possíveis problemas pela frente. “Adotamos o mesmo perfil de consumo que os americanos. O brasileiro aprendeu a consumir e não a poupar”, diz.

O fato causa graves consequências, mas reversíveis se tomadas atitudes drásticas. Exemplo disso é que entre 80 e 100 milhões de brasileiros encontram-se com dívidas com cheque especial, cartão de crédito ou financeiras, um cenário que, segundo o consultor, precisa ser revertido rapidamente.

Equilíbrio

De acordo com o portal www.endividado.com.br, o consumidor nunca deve gastar mais do que ganha. E orienta a fazer um levantamento de todos os ganhos e gastos mensais para conseguir identificar os gastos e saber se foram necessários ou não.

Para o advogado e editor do site, Lisandro Moraes, é preciso ter disciplina e respeitar o orçamento. Ao conseguir equilibrar as contas, informa, é importante manter o equilíbrio.


Controle as finanças pessoais

1. Nunca gaste mais do que você ganha. Embora seja uma dica básica, muita gente esquece.

2. Faça levantamento dos ganhos e todos os gastos mensais. Assim é possível identificar os gastos e saber se foram necessários ou não.

3. Lembre-se dos imprevistos. Desemprego, doenças, não têm hora para acontecer e é preciso ter uma reserva para estes casos.

4. Pense antes de comprar! Muitas pessoas compram por impulso. É importante pensar se o produto é necessário, se o preço é bom, se cabe dentro do orçamento e se aquele dinheiro não vai fazer falta para comprar algo mais importante.

5. Compre à vista. Ao invés de pagar em 24 vezes, se economizar o valor da prestação por 12 a 15 meses, terá dinheiro para comprar à vista, quando normalmente dão desconto de 10%, e assim pode economizar quase 50%.

6. Procure nunca usar crédito ou dinheiro emprestado. No Brasil, com as maiores taxas de juros reais do mundo, para quem não tem controle sobre seu orçamento, isto é um suicídio financeiro.

7. Se o uso de crédito ou empréstimos for inevitável, faça pesquisa em bancos e financeiras e peça demonstrativos com valores que serão usados, juros que serão cobrados e os valores a serem pagos para ter certeza se é bom negócio e qual a melhor opção.

8. Diminua ou elimine os supérfluos. Gastar em bobagens que trarão satisfação momentânea pode trazer dores de cabeça no futuro, pois pode faltar recursos para pagar produtos e serviços importantes para você e a família.

9. Economize. Faça uso racional de tudo, desde energia elétrica até a alimentação. Excesso de consumo reflete no excesso de gastos.

10. Pesquise preços. Algumas horas de pesquisa podem significar a economia de muitos dias de trabalho.

11. Troque dívidas mais caras por dívidas mais baratas. Não pague conta de loja, que tem juros de 2% ao mês com o cartão de crédito que tem juros de 12% ao mês. Faça-o somente se tiver o dinheiro para pagar o total da fatura no final do mês. Assim, mais vale ficar com a dívida da loja em aberto e quitar o cartão do que usar o cartão e criar bola de dívidas.

12. Aproveite os finais de ano para quitar dívidas. Nesta época, os credores precisam fazer caixa e ficam mais abertos a dar descontos para quitação de dívidas, que podem chegar a 90%.
Fonte: //site.dm.com.br/noticias/economia/12-passos-para-controlar-a-vida-financei