Enxoval completo, com pelo menos 60 itens, custa, em média, R$ 4 mil. Se for para uma menina, esse valor pode aumentar, já que a variedade de produtos para elas é maior. No DF, mais de 300 lojas atendem mercado infantil.

Prepare o bolso que o bebê está a caminho. A notícia da gravidez mexe com a rotina, mas também com o orçamento da casa. Os gastos para montar o enxoval e preparar o quarto do recém-nascido aumentam mês a mês ao longo da gestação. À medida que a barriga da mulher cresce, mãe e pai fazem contas e, em função do filho, não pensam duas vezes em cortar despesas pessoais, se preciso. Para o herdeiro, vale tudo do bom e do melhor.

Um enxoval completo inclui mais de 60 itens, entre roupas, acessórios e móveis. A lista não sai por menos que R$ 4 mil, em média. Se o bebê for menina, esse valor tem grande chance de aumentar: há muito mais variedade de produtos para o sexo feminino. No Distrito Federal, são pelo menos 300 lojas voltadas para o mercado infantil, número que dobrou na última década, segundo comerciantes do ramo. Muitas se concentram no Sudoeste, no centro de Taguatinga e na W3 Sul.

Em busca de preços baixos e mais opções, alguns pais optam por fazer as compras fora de Brasília. Vão a Goiânia, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro ou mesmo aproveitam viagens internacionais para investir no bebê. “Por incrível que pareça, o mercado de Brasília é carente. São poucas as grandes lojas especializadas e os lançamentos demoram a chegar”, analisa o promotor Célio Corradini, paulista, que há nove anos organiza uma feira para mães na capital federal.

A 18ª edição do evento, que termina hoje no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, reuniu cerca de 50 lojas do DF e de outros cinco estados. Corradini estima que de 15 mil a 20 mil pessoas passaram pelo lugar desde a última terça-feira. “É um sucesso. Este ano vamos fazer três edições, e não duas, como de costume”, adianta. Os comerciantes se preparam para feiras como essa. Turbinam o estoque e conseguem oferecer descontos que chegam a 50%.

Thalita Campedelli, 20 anos, mãe de Bernardo, foi visitar os estandes. Em casa, ela empilha roupas que vão servir até os seis meses do filho, hoje com dois. Assim que soube da gravidez, a estudante começou a preencher as prateleiras do armário do bebê. Era tudo pensando nele. Para si, comprou um ou outro vestido. “Agora o consumismo parece que aumentou, porque ele tá aqui, todo bonitinho, aí fico com vontade de comprar tudo o que vejo”, conta.

A socióloga Isabelle Almeida, 24 anos, traduz o instinto das mães, principalmente as de primeira viagem, como ela: “Dá vontade de levar tudo, ainda que não use depois”. Durante a gestação, Isabelle precisou fazer um controle rígido das despesas. Caso contrário, sabia que sairia das lojas com sacolas além do necessário. Em média, calcula ela, gastou R$ 700 por mês. Até o nascimento de Maria Cecília, três meses atrás, somaram-se R$ 6,3 mil.

Concorrência
O aumento da concorrência em Brasília preocupa quem está no mercado há mais tempo. “Tem muita gente querendo só empurrar mercadoria”, diz Angélica Vieira, da Xodozinho, uma das lojas infantis mais tradicionais do DF, inaugurada em 1990 na Avenida Hélio Prates, em Taguatinga. Naquela época, lembra a proprietária, havia apenas um grande concorrente, na W3 Sul, que inclusive já fechou as portas. “O mercado cresceu porque perceberam que os clientes daqui não se preocupam muito com o preço. Não há crise que chegue a Brasília”, completa.

Nos últimos anos, o Sudoeste virou um nicho de estabelecimentos infantis. A comercial do bairro nobre abriga cerca de 20 lojas especializadas. Uma delas é a Lua Baby, que tem fábrica própria instalada em Anápolis (GO), a 140km de Brasília. A produção média mensal é de mil peças. “A vantagem é que podemos criar modelos exclusivos e baratear os produtos”, diz a proprietária Gláucia Souza. A loja trabalha com vendas no atacado e no varejo. “Não temos do que reclamar. A concorrência aumenta a cada dia, mas não falta público”, completa o marido de Gláucia, João Batista de Souza.

Scheilla Cavalcanti, dona da Gitana, loja de Belo Horizonte que atua há 10 anos no ramo de móveis e acessórios para quartos de bebê, conhece bem o potencial da clientela do DF. Todo ano, desde 2001, ela faz questão de garantir lugar na feira do Parque da Cidade. “Consigo encomendas para o ano inteiro. A gente percebe que o poder aquisitivo da população aqui é mais alto”, comenta, antes de acrescentar que circula muito dinheiro vivo no evento de Brasília. “Participo de feiras no país inteiro. Aqui é o segundo lugar onde vendo mais. Já foi o primeiro, hoje fica atrás de São Paulo”, compara.

Mudança
Psicólogos consideram a chegada do primeiro filho uma mudança mais significativa na vida do casal do que o próprio casamento. O chamado “instinto de alinhar” leva principalmente
a mãe a voltar-se inteiramente para aquela novidade, fazendo com que ela se envolva intensamente com os produtos para o bebê. No entanto, os psicólogos sustentam que esse ritual não pode ofuscar as reais preocupações da maternidade.

Planejamento na ponta do lápis
Quem descobre que um bebê está a caminho tem à frente uma jornada de nove meses de sonhos e ansiedades, mas também de muitom planejaento. É preciso pensar em tudo, desde o acompanhamento médico, passando pelo quartinho e por artigos básicos para o recém-nascido, até os gastos fixos que virão depois que ele nascer. “Planejar é importantíssimo para que a criança tenha qualidade de vida”, diz o educador financeiro Reinaldo Domingos, autor dos livros O menino do dinheiro e Terapia Financeira.

Domingos explica que o primeiro item da lista de preocupações dos futuros pais deve ser a saúde da mãe e do bebê. “O casal tem que verificar imediatamente o que o plano de saúde cobre, onde vai ser o pré-natal, o parto. Se não tiver plano, já tem que ir se organizando para essas despesas”, alerta. É preciso checar ainda se a casa tem espaço adequado para o futuro morador. É a hora de tirar móveis do lugar, redecorar, reformar e até mudar de endereço, se for o caso. A dica é pesquisar preços e fazer tudo dentro da capacidade de endividamento, para não ter problemas depois.

Em geral, após definir a mobília e a decoração do quarto do bebê, os casais entram na fase de comprar roupas, brinquedos e acessórios. Reinaldo Domingos recomenda atenção. “Não saia comprando tudo o que vê pela frente. Sente e converse com quem tem mais experiência: pai, mãe, sogro, sogra. Nem tudo vai ser usado no primeiro ano do bebê, nem tudo é absolutamente necessário, e muitas coisas você vai ganhar”, lembra o educador financeiro.

Ele calcula que os gastos mensais aumentam de R$ 200 a R$ 1 mil depois da chegada da criança. Cientes disso, os pais devem ser moderados nos gastos durante a gestação e planejar o orçamento futuro. “A média de R$ 500 é razoável, dá para cuidar do bebê com bastante qualidade”, diz.

Personagens da notícia
Expectativa é grande

Daqui a duas semanas, no máximo, Gabriel virá ao mundo. O empresário Jorge Salim, 34 anos, e a arquiteta Luciana Machado, 35, vivem a expectativa de receber o primeiro filho. Quando soube que seria pai, Salim passou a trabalhar mais para aumentar a renda da casa. “A gente, que é pai, pensa mais nessa parte econômica. Não tem jeito. Comecei a me esforçar para fechar mais negócios”, diz.

O padrão de vida do casal não caiu. Mas eles contam que, pensando no Gabriel, tiveram de cortar “luxos”. Nada de jantares em restaurantes caros nem viagens de fim de semana. A mãe, que acompanhou a gravidez e o nascimento das duas sobrinhas, diz ter aprendido a ser prática. “O que é bobagem eu evito ao máximo. Esses kits geralmente trazem coisas desnecessárias”, ensina.

Um chá de bebê com amigos e familiares ajudou o casal a preparar o quarto do filho. Um segundo chá, agora só de fraldas, já está agendado. O pai faz as contas: gastaram, até aqui, R$ 5 mil, por baixo. Depois do nascimento do bebê, eles pretendem ir a Miami completar o enxoval. “Vai chegando a hora do nascimento e a gente acaba esquecendo um pouco essa preocupação com grana”, comenta. “A gente quer o melhor pro nosso filho”, completa a mãe.

Fonte://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/03/14/cidades,i=179559/CEGONHA+PESA+NAS+CONTAS.shtml