A geladeira está vazia, as contas de consumo não param de chegar e, para piorar a situação, falta saldo na conta corrente. Se não há outra saída senão recorrer ao crédito, é necessário pesquisar muito antes de tomar qualquer decisão. Especialistas alertam que, além de avaliar qual modalidade de crédito é mais vantajosa, é importante também comparar as taxas aplicadas pelos bancos, pois elas variam em até 82% no cheque especial e 33% no empréstimo pessoal.

Os números divulgados na terça-feira (9) pelo Procon mostram que, enquanto a taxa praticada pelos bancos para o empréstimo pessoal oscila de 4,39% a 5,86%, o cheque especial varia de 6,75% a 12,30% ao mês.

Especial
“Como o nome já diz, o cheque especial só deve ser usado em ocasiões especiais. Apesar da facilidade de ser um recurso disponível na conta e que independe de aprovação, os juros são muito altos”, aconselha o mestre em economia, Luiz Mário Vieira. Ele orienta que este tipo de crédito só deve ser usado em situações inesperadas, como problemas de saúde e acidentes.

No caso do administrador Hélio Fernandes, 32 anos, foi o desemprego que o “empurrou” para o cheque especial. No momento de desespero, aquela parecia ser a única saída. A experiência não deixou boas lembranças. “A dívida com cheque é um buraco sem fundo. Precisei usar o limite quando fiquei dois meses desempregado. Usava, em média, R$1 mil, e, em três meses, gastei mais de R$ 300 em juros e taxas”, conta. Para não entrar no ciclo vicioso, ele tratou logo de saldar a dívida, assim que teve oportunidade.

O educador financeiro Reinaldo Domingos informa que o cheque especial tem uma das piores taxas de juros do país. “Buscar dinheiro em qualquer situação é problema, porque você paga juros onde não deveria. Se a pessoa gasta com juros, o dinheiro é objeto de perda”, avalia. Ele orienta que o cheque especial só é para ser usado em situações extremas e, por, no máximo, dez dias.

Fuja
Se você já extrapolou esse prazo usando o limite, não há mais tempo a perder. De acordo com Domingos, a melhor saída para fugir das taxas de juros altas é substituir o crédito. “Peça ao gerente para ele trocar a linha de crédito do cheque especial por outra menos onerosa e com mais prazo”, sugere.

Em fevereiro, a taxa média praticada pelos bancos para o cheque especial foi de 8,79% ao mês. Ou seja, 172% ao ano. Um cliente que pega R$1 mil no cheque especial, se prolongar a dívida por um ano, pagará, só com juros, R$1,7 mil.

Mesmo com taxas altas, a estudante de administração Camile Foveral, 22 anos, não se incomoda de usar o cheque especial. “Sempre que preciso de dinheiro e o meu salário já acabou, eu uso”, diz. Mas, para reformar a casa, ela apelou para o empréstimo pessoal. “Peguei R$2 mil para pagar com prestações mensais de R$148, durante um ano e meio. Se fosse para ter juntado o dinheiro, a reforma não teria saído”, afirmou a estudante Camile.

Pesquise o banco que tem a melhor taxa
Recorrer ao crédito nunca é uma boa pedida. Mas, se for inevitável, a dica é pesquisar qual o banco que está oferecendo a melhor taxa. O próprio Banco Central tem o ranking das instituições financeiras e suas respectivas taxas para diversas modalidades de crédito ao consumidor, cheque especial e financiamento de bens. Se o crédito for para aquisição de um bem, em vez de pagar conta, é bom reavaliar a intenção. “Só se compra dívida para algo pensado. Tem quem pegue crédito para fazer a festa de 15 anos da filha ou para uma grande festa de casamento. É comum as pessoas contraírem dívidas que não se transformam em investimento, mas em custeio”, explica o economista Mário Vieira.

Fonte: //soumaiscoligado.blogspot.com/2010/03/diferenca-no-cheque-especial-pode.html