Comprar uma casa (ou apartamento) não é igual a comprar o computador das crianças. Ou trocar o fogão por um modelo mais novo. Tem um bocado de dinheiro envolvido, vamos combinar.

Mas não é motivo para dizer que a compra à vista é uma missão impossível. Dá para conseguir. Com a vantagem de não pagar juros (ainda meio salgados, como deu para ver nas páginas anteriores). Os especialistas dizem que é o melhor a fazer. Mas é preciso ter duas coisas em mente: disciplina para controlar o dinheiro que entra e sai da conta e perseverança para não desistir do sonho.

O consultor e educador financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro Terapia Financeira, é um entusiasta da compra à vista. “É uma mudança de hábitos e costumes. A pessoa precisa aprender a poupar antes de gastar. A gente trabalha 30 dias para ganhar um salário suado e despreza esse dinheiro pagando três, quatro vezes mais pelo crédito”. Ele tem na ponta do lápis e da língua as vantagens de juntar para comprar. E dá o exemplo com um imóvel de R$ 100 mil. Segundo o consultor, em um financiamento de 30 anos, a família terá pago, ao fim de tudo, R$ 372 mil. A prestação será de R$ 1.040.

Pelas contas de Domingos, se pegar estes mesmos R$ 1.040 todos os meses e aplicá-los em um investimento com rendimento de 0,7% (pode ser um CDB básico), a família poderá fechar a compra à vista do imóvel de R$ 100 mil em seis anos e meio. Nada mau. Mas e se tiver aluguel no meio? Não tem problema, diz o educador financeiro. Se o aluguel for de R$ 400 e os R$ 604 restantes forem para a aplicação, o imóvel virá em nove ou dez anos. “A primeira coisa que a família tem que fazer é saber o valor do imóvel para saber quanto terá que guardar. Sonhos sem números viram pesadelos”.

Jovens – E quando o interessado na casa própria é jovem, já tem um emprego, recebe salário e ainda mora com os pais? Na teoria, a missão torna-se ainda menos impossível. “Para uma pessoa muito jovem, que no curto prazo não vai precisar ocupar o imóvel, a melhor opção é fazer um investimento financeiro e programara compra à vista”, reforça o economista Alexandre Jatobá, coordenador do curso de economia da Faculdade Boa Viagem (FBV). Quem é muito conservador pode colocar todo mês dinheiro em um fundo de renda fixa (como a poupança, o CDB).

Mas não custa ser pelo menos um pouquinho ousado, não é mesmo? Por isso, Jatobá recomenda que entre 20% e 30% do investimento sejam aplicados em renda variável (bolsa de valores, fundo de ações). “Se por acaso a situação da bolsa não estiver favorável ele não terá perda. Se notar que houve um grande ganho oportuno, pode vender as ações e colocar os recursos na renda fixa e voltar a aplicar outro dinheiro na bolsa”. Parece fácil, mas sem disciplina não funciona. Também tem que resistir às tentações e não assaltar as economias (a não ser em caso de vida ou morte, claro).

Investir no sonho da casa própria, lembra Alexandre Jatobá, não significa sacrificar o dia a dia. Seja de um jovem que pense em fazer uma pós-graduação ou uma família inteira querendo passear nas férias escolares. Podem se divertir e investir em educação. Isso não é pecado. Pecado, para ele, é não ter educação financeira. “Tem pai que dá um carro quando o filho passa no vestibular. Mesmo que tenha condições, o ideal seria dar a metade e fazer o jovem juntar a outra parte”. Com ele foi assim. O incentivo à economia funcionou. Hoje, aos 34 anos, Jatobá tem um lugar para chamar de seu. Ele pagou a maior parte à vista. Financiou muito pouco. Já está tudo quitado, claro.

 

Fonte: //www.diariodepernambuco.com.br/2010/05/21/especial7_0.asp

 

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