Nada mais emocionante para o jovem do que receber o primeiro salário. Os olhos brilham só de pensar no que será possível comprar: celular novo, roupa de grife e o sapato da moda.

O único problema é que a maioria dos jovens não sabe planejar os gastos. Quando menos percebe, boa parte dos recursos tomou um destino que, às vezes, é até difícil identificar.

Para piorar, não são poucos os jovens que caem na armadilha dos juros altos, e rendem-se ao cartão de crédito e ao cheque especial. O resultado disso é uma juventude endividada e com pequenas chances de ter uma vida financeira estabilizada.

O terapeuta e educador financeiro Reinaldo Domingos aconselha o jovem a diminuir a ansiedade para conquistar finanças saudáveis. “Sem planejar o dinheiro, a pessoa fica vulnerável aos gastos. É preciso muita organização para não se enrolar e gastar mais do que ganha. Essa atitude deve ser tomada bem cedo, quando a pessoa ainda faz estágio”, explica.

Segundo ele, uma forma de esticar os primeiros salários é separar logo o dinheiro que será usado para conquistar alguns sonhos. “Assim a pessoa estabelecerá um limite para suas despesas”, ensina.

Depois, o jovem deve fazer o diagnóstico da sua vida financeira. “É preciso identificar para onde vai cada centavo. São com os pequenos gastos que, muitas vezes, o orçamento fica desequilibrado ”, acrescenta.

Viver um padrão de vida alinhado ao tanto que ganha também é algo importante. “Muita gente ,ao iniciar sua vida profissional, passa a ter um gasto bem além da sua renda, deixando sua vida financeira em parafusos e bem complicada”, destaca.

Moto e faculdade
Depois de oito meses como estagiário, Igor Caréllio de Melo, 20 anos, conseguiu sua efetivação. Há 20 dias, ele foi contratado para a vaga de assistente de contas a pagar, no Grupo Sá Cavalcante. Para o primeiro salário, que ainda vai receber, ele já faz vários planos. Uma parte será usada para pagar a moto que acabou de comprar e a mensalidade da faculdade. O que sobrar, será aplicado na poupança para realizar sonhos futuros.

“Quando eu era estagiário, já planejava o que fazer com o dinheiro que recebia. Agora, com meu salário, vou continuar com essa mesma atitude. Não vou gastar à toa, quero economizar o possível. Até porque, no futuro pretendo investir na compra de uma casa e de um carro”, afirma.

Poupar para realizar sonhos
Ao receber o primeiro salário, o jovem precisa dar um rumo saudável às suas finanças e enquadrá-las na cultura da economia. Desde cedo, é importante guardar uma parte do dinheiro para realizar sonhos, como comprar um carro, viajar para o exterior ou mesmo, no futuro, investir na compra da casa própria.

O economista e professor da Fucape, Bruno Aurichio, explica que, se a pessoa aplicar R$ 100 na poupança todos os meses, em um ano já consegue juntar R$ 2.500. Se guardar R$ 200, em dois anos tem R$ 5.100 poupado.

“A cultura da poupança gera segurança para o jovem durante um imprevisto. É importante calcular o percentual que será guardado todos os meses. O ideal gira em torno de 10% a 20% da renda”, ensina.

Outro conselho para o jovem é evitar o cartão de crédito. “Em alguns casos, não ter é melhor. Mas se tiver, é bom evitar compras parceladas. A pessoa só deve dividir no cartão se tiver muita disciplina para não cair no crédito rotativo, que tem elevadas taxas de juros”, afirma o economista.

Celular é um gasto geralmente elevado no orçamento do jovem. “Para economizar, procure por promoções nas operadoras. Algumas oferecem bônus ou descontos em ligações”, destaca.

Aprenda a gastar
1. Faça o diagnóstico das finanças. Veja quanto ganha e onde aplica cada centavo.

2. Anote as despesas diárias em planilhas. Cada ponto deve ter sua planilha exclusiva.

3. Registre os sonhos e veja quanto terá que economizar para realizá-los.

4. Elabore um orçamento financeiro e decida o que você vai cortar para colocar seus planos em prática.

5. Tenha um objetivo para suas economias. Guardar dinheiro sem saber com o que vai gastar pode não te levar a nada.

6. Respeite o seu padrão de vida. Não gaste além do que pode.

7. Ganhar muito dinheiro não é sinônimo de riqueza. Existem pessoas que ganham pouco e guardam dinheiro e outras que ganham muito e estão totalmente endividadas.

8. Diferencie o ganho bruto do líquido. Este, geralmente, chega a ser 20% menor.

 

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