Clientes aproveitam a oferta ampla de dinheiro pré-aprovado

 

A desburocratização do acesso ao crédito tem sido uma preocupação crescente dos analistas financeiros no País. Beneficiados pelos avanços tecnológicos, os clientes das instituições bancárias estão cada vez mais aproveitando a oferta ampla de crédito pré-aprovado, que pode ser tomado através da internet ou mesmo direto em terminais eletrônicos, sem necessitar requisitar aos gerentes. No entanto, essa facilidade também pode gerar descontrole financeiro e aumento de dívidas.

 

De acordo com informações das instituições financeiras, as pessoas estão conseguindo quadruplicar sua renda nos cinco maiores bancos, considerando empréstimos no cheque especial, no crédito pessoal e no cartão de crédito, que podem ser retirados em caixas eletrônicos. Impulsionado por essa oferta fácil, o consumo das famílias brasileiras cresceu pelo sexto ano seguido em 2009.

 

Conforme lembra Denílson Alencastro, economista da Geral Investimentos, em 2002 o crédito representava 26% do PIB brasileiro. Hoje, esse índice chega a 45%. Além disso, nesse período, houve um crescimento da classe C, que passou de 43% para 53% da população, e a diminuição do desemprego, que caiu de 12% em abril de 2002 para 7,3% no mesmo mês em 2010. “Isso significa que temos um novo cliente, para quem as instituições estão menos receosas em conceder dinheiro, que tem vontade de consumir, mas, muitas vezes, não possui educação financeira para perceber os riscos que corre ao realizar esses empréstimos”, argumenta.

 

Segundo pesquisa do Banco Central, entre fevereiro de 2007 e o mesmo mês de 2010, o número de brasileiros com dívidas acima de R$ 5 mil dobrou, atingindo 25,7 milhões. Para o consultor financeiro Reinaldo Domingos, esses números mostram que o acesso fácil ao crédito faz com que as pessoas se endividem mais. “Essa facilidade de conseguir empréstimos e financiamentos tem criado cada vez mais problemas financeiros para as famílias. As pessoas têm que entender que quem tem prestações tem dívidas, quem tem dívida paga juros, e quem paga juros realiza menos sonhos”, explica.

No Banco do Brasil, por exemplo, mais de dois terços dos empréstimos atualmente são feitos longe das agências, sendo 52% em caixas eletrônicos, 9% por telefone (Central de Atendimento Banco do Brasil) e 7% pela na internet. De janeiro a março, os terminais de autoatendimento registraram 1,2 milhão de operações das 2,2 milhões contratadas por pessoas físicas. Dessa quantidade, apenas 730 mil ou 32% foram realizadas em agências bancárias.

 

Já no Banrisul, a quantidade de pessoas físicas com crédito pré-aprovado chega a 1,4 milhão. Apenas em crédito consignado o banco aprovou contratações de R$ 909 milhões no primeiro quadrimestre. Para 2010, é esperado um crescimento de 25% nas operações. “O fato de ter menos burocracia ajuda, mas isso não significa um aumento de inadimplência”, destaca o diretor comercial Paulo Franz. Conforme o dirigente, as formas facilitadas existem porque as instituições já concedem crédito pré-aprovado tendo em vista o histórico dos clientes. “O grande trabalho que temos é receber essas informações antecipadamente, mas uma vez que estão disponíveis, não há por que burocratizar o acesso ao crédito”, afirma.

 

Como as taxas de juros cobradas por esses tipos de operações facilitadas variam muito de banco para banco, os analistas aconselham que os clientes que forem tomar crédito informem-se antes sobre as condições. No entanto, os especialistas também alertam que, embora os juros oferecidos pelas instituições financeiras para o CDC e o empréstimo pessoal sejam mais baratos que outras formas, essas operações só devem ser realizadas em último caso.

 

Linha de crédito

 

Fonte: //jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=30398&codp=21&codni=3

 

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