Pesquisas revelam que cerca de 50% dos casais no Brasil se separam devido a divergências em relação ao dinheiro, o que causa traumas psicológicos em todos os membros da família, principalmente nas crianças. O fenômeno também é registrado em outros países em porcentagens semelhantes. Faz sentido, afinal, como diz aquele velho ditado, “onde falta o pão, ninguém tem razão”.

Problemas emocionais também são comuns entre pessoas de 60 a 65 anos, idade em que iniciam a aposentadoria. Nessa fase, o aposentado começa a depender do governo, porque deixou de cuidar de uma previdência, e a passar dificuldades e, em muitos casos, tem que viver à custa da família, com toda a carga psicológica da situação.

Por isso, é bom que a família se entenda desde cedo com relação às finanças, envolvendo inclusive os filhos, para que conquiste sua independência financeira. “Todos podem ser felizes financeiramente”, diz o escritor e consultor Reinaldo Domingos. “Mas é preciso ter persistência e entender que isso envolve mudanças comportamentais”. A seguir, os quatro passos sugeridos pelo especialista para quem quer chegar lá:

1º –Reunião de trabalho – Segundo ele, tudo começa com uma reunião entre todos os membros da família. “Você só consegue a saúde financeira se todos comungarem dos mesmos ideais”, diz. Nessa conversa, a família vai tirar uma fotografia da sua realidade, abordando questões como Temos dinheiro? Temos dívidas e qual o peso delas? Quais os bens que temos? Qual a receita líquida mensal da família? Em que gastamos o dinheiro?

2º – Sonhos – A família deve colocar na mesa seus sonhos, de curto, médio e longo prazos. “Deve-se chegar a um consenso para o bem geral de todos”, diz Domingos. Isso envolve desde a compra de uma geladeira à aposentadoria, passando pelo curso superior do filho. Aqui, vai uma dica importante: evite ao máximo os crediários. Se a meta é comprar uma geladeira ou trocar de carro, vá juntando o dinheiro mensalmente e procure pagar à vista.

3º – Orçamento – É a hora de se chegar à verdade das finanças da família, de se descobrir o eu financeiro de cada um, como gosta de dizer Domingos. Ele sugere que se acompanhe os gastos diários, dos mais simples aos mais pesados, durante 90 dias. “Normalmente, levamos um susto depois, porque descobrimos os ralos por onde escorrem os pequenos dinheiros”, diz o especialista. Passado o susto, a família deve adequar seu padrão de vida, seus gastos, com seus objetivos. Nesse momento, também se descobrem despesas que podem ser cortadas para quitar dívidas, resgatar o cheque especial ou quitar o cartão de crédito. Em casos extremos, sugere Domingos, deve-se renegociar as dívidas, sempre buscando taxas menores de juros e prazos maiores. Se possível, vender um bem é a melhor saída para quitar os débitos.

4º Poupar – Este deve ser o objetivo maior. “Você só será independente financeiramente se poupar dinheiro, mensalmente”, diz Domingos. “Não há outra alternativa”. Ele faz uma ressalva: evite aplicar em bens, como imóveis ou carros, pois só o dinheiro garante liquidez financeira. Se um imóvel fica desocupado, lembra, acaba gerando despesa. Agora, em que aplicar o dinheiro depende dos sonhos, das metas da família. Para o longo prazo, pode-se aplicar num plano de previdência privada ou em ações de empresas de primeira linha, como Petrobras, Vale do Rio Doce e Banco do Brasil. Para o curto prazo, pode-se colocar o dinheiro na poupança ou em fundos de investimentos. Uma outra medida importante é fazer seguro de vida para todos ou pelo menos para os geradores de renda da família. Se houver folga no bolso, plano de previdência privada para os filhos também é uma aplicação saudável. “Neste caso, quanto mais cedo começar melhor”, diz Domingos.

Na ponta do lápis
Como montar um orçamento doméstico e manter as contas em dia

Para elaborar um bom orçamento doméstico basta listar todos os gastos, anotar tudo. Provavelmente vai levar mais de um dia, pois na primeira tentativa, você vai esquecer muita coisa. É normal.

Dê um valor a cada uma das despesas listadas. Para isso, recomenda-se ter à mão recibos, notas fiscais, tíquetes de supermercados e outros comprovantes de despesas.

Nesse momento, você vai anotar o valor da mensalidade da escola das crianças, da prestação da casa e do carro e até quanto gasta por mês com o cafezinho, o pingado e o pãozinho na chapa que consome, todos os dias, na padaria da esquina, antes de ir para o trabalho. Toda despesa pequena, mas freqüente, deve ser registrada, orientam os consultores.

Após listar tudo, convoque toda a família, as crianças inclusive, para estudar cada despesa. Defina os gastos prioritários e onde a tesoura vai agir. Esse é o momento mais difícil. Sempre há discordância. Com paciência, entretanto, todos vão entender que sairão ganhando, garantindo tranqüilidade no futuro.

Tipos de despesas:

Despesas periódicas: elas não ocorrem todos os meses, mas é possível prever quando irão ocorrer. É o caso do IPTU, do IPVA, do licenciamento e seguro do carro.

Despesas sazonais: também são previsíveis e devem ser consideradas no orçamento. É o caso de gastos com uniforme e material escolar, presentes nas datas comemorativas (Dia das Mães, dos Pais etc.).

Despesas imprevistas: são um problema para quem não tem reserva e ainda se equilibra no limite do cheque especial. Pode ocorrer, por exemplo, quando se necessita com urgência dos serviços de um mecânico, pedreiro, entre outros. Em todas essas situações, é conveniente pesquisar bem os preços.

Mensalidades (escolares, convênios, clubes etc.): convém ler com atenção as cláusulas referentes às datas de vencimento, sanção prevista em contrato e adequar vencimentos a datas posteriores à do recebimento do salário.

Aluguel e condomínio: o ideal é não comprometer mais do que um terço do orçamento com o aluguel e o condomínio, e pagar sempre em dia essas despesas para evitar multas e juros.

Fonte: //www2.uol.com.br/canalexecutivo/notas101/2708201017.htm

 

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