Alunos do ensino médio de 450 escolas públicas do país vão aprender a lidar com dinheiro e planejar seus gastos pessoais. A partir de segunda-feira (9/8), começam as atividades do programa Educação Financeira nas Escolas, que será aplicado no Distrito Federal e em quatro estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Tocantins. Promovido por órgãos do governo federal e da iniciativa privada, o projeto, ainda em fase de experimentação, conta com material didático específico, destinado a diferentes matérias da grade curricular.

“O conteúdo que será trabalhado remete ao cotidiano do aluno. Vai ajudá-lo, por exemplo, a escolher o plano de telefonia celular, a analisar se é melhor comprar um tênis à vista ou a prazo”, descreve Hilda Kênia do Amaral, que coordena a aplicação do programa em três escolas de Brazlândia. Ela acredita que a iniciativa chega com atraso. “É um conhecimento que há muito precisava estar na sala de aula. Há um grande incentivo ao consumo desenfreado na nossa sociedade, e isso leva a um consumo inconsciente”, explica.

A cobrança é reforçada pelo presidente do Instituto de Educação Financeira DSOP, Reinaldo Domingos. “Ainda é um projeto-piloto limitado a poucos estados. É um processo muito moroso”, critica. No entanto, ele observa que a iniciativa vem em momento oportuno. “Desde a crise mundial de 2008, as atenção estão focadas nesse tema”, justifica. Além disso, segundo ele, os jovens não estão habilitados a lidar com o crescente acesso a serviços bancários. “Hoje, eles se deparam com o crédito fácil e acabam se endividando mais”, avalia. “O objetivo é que o aluno, além de ficar informado, influencie familiares e amigos”, afirma Hilda.

A grande preocupação do programa, segundo Domingos, deve ser com a formação dos professores. “É aí que mora o perigo desse projeto. Seu sucesso ou insucesso vai ser determinado pela capacitação dada aos educadores”, comenta. Ele elogia o fato de o material didático “atravessar” o campo de várias matérias. “A educação financeira que não envolve só ou principalmente matemática. Quem souber as operações básicas está pronto para estudar esse tema”, comenta.

A partir de 2011, o projeto deve ser estendido ao ensino fundamental. Autor de O menino do dinheiro, livro recomendado para crianças entre 4 a 12 anos, Domingos defende que a educação financeira deve começar desde cedo. “Com 4 ou 5 anos, a criança já é objeto do marketing publicitário”, observa. “Esse tipo de educação tem que se iniciar no ensino infantil e envolver família e escola”, ressalta.

 

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