Ano vai, ano vem, e o salário mínimo aumenta. Mesmo quem recebe mais do que o mínimo acaba, cedo ou tarde, sendo beneficiado pela correção. Justo. Se os preços sobem, não há razão em congelar as remunerações e, consequentemente, reduzir o poder de compra da população. Mas, como ficam os que não se sustentam com o próprio trabalho? Eles até têm uma remuneração: a mesada. Mas ela é geralmente “esquecida” em matéria de reajustes. Um erro, na opinião dos especialistas.

Depois que entrou na faculdade, Lise deixou de gastar apenas com “suas coisas”. Acha que ganha pouco. O educador financeiro Reinaldo Domingos, por exemplo, acredita que quem depende do dinheiro dos pais para “sobreviver” merece um aumentinho de vez em quando. “A correção periódica da mesada tem todo o sentido. O que você compra com R$ 50 hoje, provavelmente vai estar mais caro em alguns meses”, argumenta. Ok, mas o que seria a tal “correção periódica”? Para Domingos, o reajuste deveria ser feito de seis em seis meses, acompanhando a alta do mercado em que as crianças e adolescentes mais consomem: lanchonetes, barraquinhas e bares próximos a escolas e faculdades.

“Os produtos desses lugares, em geral, ficam mais caros após as férias”, lembra o educador financeiro. Se você, pai ou mãe, acha que o bolso não aguenta mudanças semestrais, siga a dica do economista Josué Mussalém, para quem o reajuste pode esperar um pouco mais. “O ideal é que a mesada seja aumentada depois de um ano, acompanhando a própria variação do salário”, diz. Ele lembra, ainda, que os filhos devem estar atentos às finanças da família. “Provavelmente, eles não têm gastos com moradia, alimentação, água e telefone. Por isso, precisam avaliar a situação antes de pedirem mais dinheiro.”

Definido o prazo de validade, é hora de saber em quanto a mesada será incrementada. Vale lembrar que, de 2009 para 2010, o salário mínimo passou de R$ 450 para R$ 510, um aumento de 9,6%. Já a mesada da estudante de história Lise Meireles, 18, foi de R$ 200 a R$ 300. Mas, apesar da evolução de 50%, ela não anda muito satisfeita. “Antes, usava o dinheiro só para minhas coisas, festas e tal. Agora, na faculdade, as cópias e o combustível consomem boa parte do que recebo. Meu poder de compra ficou menor.”

Lise acredita que o valor ideal seria, aproximadamente, R$ 400 por mês. A lógica seria semelhante à do reajuste do salário mínimo, que leva em conta, além do Produto Interno Bruto do país, a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor. Em resumo: mais despesas, mais receitas. Mas por que o pai dela teria “errado” nos cálculos?

A resposta pode estar na falta de acompanhamento. Para Domingos, antes de mexer no bolso dos herdeiros, vale a pena recorrer a um diagnóstico, para evitar faltas e excessos. “Os pais podem pedir ao filho para registrar o preço de tudo o que comprar no mês. Assim, vão identificar o quanto o jovem precisa e a capacidade dele de economizar.” Para Mussalém, o olhar atento é indicado, também, para corrigir despesas equivocadas. “No primeiro momento, a vigilância é importante para verificar, por exemplo, se os filhos estão gastando com drogas”, diz.

Os especialistas também concordam quanto à importância de estimular o controle financeiro. Segundo Domingos, os pais podem fazer um acordo com o filho. Por exemplo: caso ele se comprometa a guardar R$ 10 por mês, passará a receber uma quantia extra. “Assim, ele entenderá que, juntando dinheiro, vai conseguir realizar seus objetivos.” A opinião é compartilhada por Mussalém, defensor da poupança em todas as idades. “Uma economia de 10% ou 20% da mesada pode fazer a diferença no futuro.”

 

Fonte: //www.diariodepernambuco.com.br/2010/08/10/economia1_0.asp

 

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