Maioria das pessoas com descontrole financeiro só procura socorro com especialistas quando chega ao fundo do poço

“Perdi meu apartamento, mas não a dignidade.” É assim que o agente de trânsito da BHTrans Marcelo Andrade resume a situação em que se enroscou depois que passou a viver num patamar fora do seu padrão de vida e teve que vender o seu único imóvel para quitar um punhado de dívidas. Como ele, a maioria das pessoas que estão superendividadas só pede socorro quando chega ao fim da linha. Resultado: por causa do descontrole financeiro, perdem os bens e muitas vezes precisam começar sua história financeira do zero. “As pessoas procuram ajuda profissional quando estão à beira da falência. Muitas vezes a situação é tão crítica que não têm dinheiro nem mesmo para pagar um especialista”, diz o presidente do Instituto DSOP de Educação Financeira, Reinaldo Domingos.

Mergulhados numa roda viva de juros e financiamentos renovados de forma interminável, os superendividados costumam gritar por socorro somente quando as fontes de crédito que alimentam a ciranda financeira da qual dependem para manter seu padrão de vida secam por completo. Nesse momento, em geral, seu nome já está incluído na lista de maus pagadores da Serasa, o gerente amigão não concede mais empréstimos e o devedor se desespera. “Com o crédito bloqueado, o endividado é obrigado a resolver o seu problema, que tem como causa principal o fato de ele viver além dos seus padrões de consumo”, diz Domingos.

Foi o que ocorreu com Marcelo Andrade. “A gente vai fazendo uma bola de neve”, resume. Quando se casou, o agente de trânsito morava de aluguel e costumava comprar com frequência no cartão de crédito, mas só pagava no rotativo. Numa oportunidade, aproveitou para financiar um apartamento, para onde se mudou com a mulher. “Gastei muito no apartamento. O problema é que me esqueci que tinha de pagar as taxas e os impostos e aí tive que entrar no cheque especial para quitá-las.” O socorro veio pelas mãos do melhor amigo, que costumava ser fonte de crédito para que Andrade pagasse o cheque especial. O problema é que a dívida era retroalimentada porque Marcelo sempre ultrapassava o limite do cheque para quitar a dívida pessoal.

Resumo da ópera: o amigo se cansou e , percebendo o descontrole financeiro, avisou que não emprestaria mais dinheiro para Marcelo Andrade. “Ele me disse que não adiantava nada me emprestar porque eu continuava com as mesas dificuldades. E se ofereceu para pagar um especialista em finanças que me ajudasse a sair da armadilha.” Foi aí que o consultor em finanças pessoais Erasmo Vieira entrou na vida do funcionário da BHTrans. Depois de receber orientação e de vender o apartamento, sobraram apenas R$ 10 mil. O imóvel foi vendido por R$ 70 mil, dos quais Andrade devia R$ 34 mil. Outros R$ 22 mil tiveram que ser usados para quitar o contrato de financiamento com o banco. Com o dinheiro que sobrou não deu nem para dar entrada em outro imóvel. “Hoje moro de aluguel, mas estou mais tranquilo do que nunca. Não tenho mais dívidas. Comprei um carro velho e paguei à vista.”

É difícil resolver por conta própria
Para o consultor de finanças Erasmo Vieira, os superendividados se deixam enredar nessa situação porque costumam tentar resolver o problema por conta própria, sem a orientação adequada. “Só procuram um profissional quando sentem que a corda vai arrebentar”, resume. É na hora em que está vencendo a terceira prestação da casa ou a terceira prestação do plano de saúde que os inadimplentes acordam para o enorme problema que têm em mãos.

“Chega um momento em que eles ficam desesperados, pegam dinheiro com o credor B para pagar o A e com o D para pagar o C. Aí vem a insolvência. É aí que quem vive o problema vai procurar ajuda”, completa Reinado Domingos, do Instituto DSOP de Educação Financeira. Hoje, segundo ele, nada menos do que 70% dos clientes que o procuram estão exatamente nessa situação. Mas, depois da falência chega o momento em que não dá para fugir da lição de casa.

Pesquisa feita pela administradora de cartões de crédito e de débito Visa mostra que os consumidores não têm controle sobre 25% dos seus gastos, em média. E mais: metade considera que é difícil administrar as despesas de pequeno valor. Para controlar as finanças, os especialistas recomendam atacar esse problema. Para isso, é preciso fazer um apontamento minucioso das despesas num período que pode ir de 30 a 90 dias. “Totalizando todos os gastos, a maior parte das pessoas vai notar que 80% são excessivos e que cerca de 20% são supérfluos”, observa Domingos. Ele lembra que cada pessoa tem necessidades e vícios que são diferentes, por isso a análise tem que ser feita caso a caso. “Não se faz omelete sem quebrar os ovos. Se você não sabe qual é o caminho a tomar, qualquer um serve”, alerta.

Para os que querem sair das dívidas, Reinaldo Domingos aconselha sonhos. É isso mesmo. Segundo ele, mais de 99% das pessoas que passam por uma terapia financeira conseguem se estabilizar e resgatar o que têm de melhor dentro de si. “É preciso ter prazer em realizar. A meta não pode ser apenas sair do endividamento porque, nesse caso, a pessoa vai voltar a ele. O sonho não pode se resumir a sair da dívida. É necessário saber onde se quer chegar.”

Fonte: //www.uai.com.br/htmls/app/noticia173/2010/08/29/noticia_economia,i=176755/SUPERENDIVIDADOS+SO+PROCURAM+AJUDA+NA+ULTIMA+HORA.shtml

 

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