Especialistas afirmam que pesquisar é fundamental para economizar. Levantamento feito por O FLUMINENSE em cinco papelarias da cidade mostra as distorções nos preços

 

O início do ano, que para muitos é tempo de descansar e curtir as férias, é um período de pesquisa e contas a fazer para quem tem crianças no colégio, já que é a época do ano em que é necessário comprar os itens da “temida” lista de material escolar. Como não dá para fugir, algumas dicas de especialistas são fundamentais para que a aquisição dos itens necessários para o ano letivo não se tornem uma dor de cabeça e não gerem rombos no orçamento familiar. Pesquisar é a palavra de ordem, já que a comparação de preços mostra que as alterações podem ser absurdas. Em pesquisa realizada em cinco papelarias de Niterói, a reportagem de O FLUMINENSE constatou que a diferença de preços pode chegar a 900% em produtos semelhantes ou iguais.

Os especialistas alertam que pesquisar é fundamental. E a recomendação não é apenas para o material diário como cadernos, canetas e borrachas, mas também para os livros. Embora exista uma tabela, enviada pelas editoras, de sugestão de preços, o comerciante pode ou não acatar a sugestão, oferecendo descontos e preços mais competitivos.

Variação – A pesquisa, realizada entre os dias 18 e 20, foi feita nas papelarias Enfoque, Art Nit e Casa Cruz, no Centro, e nas papelarias Reis e Allyx, em Icaraí, com itens como lápis preto, borracha, apontador, tesoura, cola branca, caderno de uma e dez matérias, lápis de cor, hidrocor, gizão de cera, resma de papel e caneta.

Entre os 13 itens pesquisados, a maior diferença de preços foi encontrada no apontador simples: 900%. Na Art Nit, a unidade mais simples do produto é encontrada por R$ 0,15, enquanto na papelaria Reis o produto semelhante custa R$ 1,50. Outra diferença significativa pode ser vista nos valores do lápis preto: na Enfoque custa R$ 0,19, já na Reis chega a R$ 0,70, uma diferença de 268%.

A variedade e os modelos do caderno espiral de dez matérias também faz com que a variação de preços seja significativa. Unidades simples, com capas sem temas da moda – como times de futebol e Disney – têm diferença de pelo menos 105%. Na Casa Cruz o produto sai por R$ 5,30, enquanto na Allyx, produto semelhante chega a R$ 10,90.

Sazonal – A economista Julia Ximenes, explica que o encarecimento do material didático é sazonal e está praticamente todo concentrado no mês de janeiro.

“Os comerciantes sabem que inevitavelmente vai haver procura, então aumentam o preço mesmo”, explica ela, que sugere às famílias que tentem reaproveitar parte do material utilizado no ano anterior, e que façam uma pesquisa de preços antes de comprar. Inclusive na internet.
Além disso, ela acrescenta, pode ser vantajoso deixar para comprar parte do material em fevereiro, “fora do período de euforia, quando costuma haver uma arrefecida nos preços”.

Pagamento – O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) ressalta que a melhor forma de pagamento é à vista, já que é possível negociar descontos em muitos estabelecimentos. Mas, se não for possível para o consumidor o desembolso imediato, é recomendável escolher a loja que oferece o menor preço a prazo, sempre prestando atenção aos juros.

“Nas compras no cartão de crédito, o preço deve ser igual ao cobrado à vista. Se houver insistência para cobrar valor maior ou estipular um mínimo de compras no cartão, é possível fazer denúncia aos órgãos de defesa do consumidor”, explica a economista do Idec, Ione Amorim.
Outra forma de economizar é realizar as compras de material escolar em conjunto com outros pais, o que dará maior chance para negociar menores preços. A dica é do terapeuta financeiro Reinaldo Domingos.

Compras – A gerente de festas Elaine Cardoso, de 35 anos, vai desembolsar pelo menos R$ 1,6 mil com as listas de material das duas filhas, Fernanda, de 12, e Júlia, de 8. Ela vai dividir o pagamento em uma entrada mais seis prestações sem juros no cartão de crédito. Pensando no bolso, mas também na natureza e no desperdício, ela planeja para o próximo ano letivo um esquema parecido com o que é adotado nas escolas públicas: reaproveitamento.

O geofísico Mitchel Xavier faz questão de comprar o material escolar da filha Luiza, de 10. Em companhia da madrasta dela, Lívia, ele fez pesquisa de preços pela cidade e optou por comprar o material onde a média de preços estava menor.

“Ao todo, devo gastar em torno de R$ 900. Só de livros, são R$ 775. Vou dividir o pagamento no cartão de crédito”, justifica.

Proprietário da papelaria Art Nit, no Centro de Niterói, o empresário Hugo Campor de Moraes, de 32, aconselha que os responsáveis se adiantem e evitem deixar as compras para a primeira semana de fevereiro porque o movimento nas papelarias chega a ser 15 vezes maior que nos outros períodos do ano.

“Em relação ao ano passado, os preços aumentaram cerca de 5%, que é um ajuste normal, em função, inclusive, da taxa de inflação”, pondera.

 

Fonte: //jornal.ofluminense.com.br/editorias/economia/diferenca-de-ate-900-no-material-escolar

 

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