Há aproximadamente dois anos, as filhas adolescentes de Sílvio Bizzo, auditor do Banco do Brasil, em Brasília (DF), passaram a morar com ele. Na época, elas tinham 14 e 16 anos. Foi aí que ele começou a notar que alguns hábitos das meninas com relação ao dinheiro precisavam ser mudados. Para mostrar a elas que não se deve gastar mais do que se ganha, ele implantou um sistema de mesada – elas têm dias certos para receber e, se o dinheiro acabar antes do prazo, o pai não libera mais nenhum valor.

“Eu queria evitar que elas recorressem a empréstimos na vida adulta, por exemplo. Agora, além dos gastos diminuírem, elas passaram a dar mais valor ao que ganham”, conta. Gastar menos do que se ganha pode parecer uma ideia simples, mas na prática, muita gente se atrapalha.

Em 2010, houve um aumento de 6,3% na taxa de inadimplência do consumidor brasileiro, com relação ao ano de 2009, segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor. De acordo com o especialista em educação financeira e autor de livros infantis sobre finanças como “Quero Ser Rico” e “Zequinha e a Porquinha da Poupança”, Álvaro Modernell, este quadro poderia ser revertido se o brasileiro passasse por um processo de educação financeira desde a infância e a adolescência.

Quando falar com os filhos sobre dinheiro
Segundo a especialista em educação financeira, Cássia D’Aquino Filocre, as próprias crianças sinalizam que é hora de falar sobre o assunto. “Por volta dos dois anos e meio e três anos, ela já começa a pedir para os pais comprarem coisas. É interessante que embora elas ainda não falem direito, já entendem a função do dinheiro”, afirma. Já Modernell acredita que por volta dos cinco ou seis anos de idade seja a fase mais recomendada para abordar o tema, pois é uma fase que elas já têm uma rotina escolar mais definida e estão começando a ser alfabetizadas.

O educador, terapeuta financeiro e autor do livro “O Menino do Dinheiro”, Reinaldo Domingos, pensa que não há uma idade específica. Na opinião dele, cada família possui um padrão de vida e uma forma de lidar com o dinheiro e, por isso, é preciso observar quando a criança está apta para entender o assunto.

O período de férias pode ser um momento bastante apropriado para ensinar as crianças a lidar com o dinheiro, já que os pais têm mais tempo e oportunidades para tratar do assunto. “Com a correria do dia a dia, pode ser que elas não consigam acompanhar os pais no supermercado ou até que os pais não tenham a oportunidade de mostrar as diferenças dos preços ao fazer  as compras”, afirma Cássia. Domingos aposta que esta fase pode ser uma boa hora, inclusive, para abrir uma poupança ou até uma previdência privada.

Como falar sobre dinheiro
Uma das melhores maneiras de passar ensinamentos sobre finanças para os filhos é por meio do exemplo. “Não há nada mais eficaz que o próprio modelo dos pais. As crianças se espelham neles”, explica Cássia.

Modernell acredita que o contato com o dinheiro deve ser feito de forma natural – a criança deve ser incentivada a manuseá-lo na hora de comprar um sorvete, por exemplo.  Ele cita também algumas fábulas como “A Cigarra e a Formiga” e “A Galinha dos Ovos de Ouro”, como forma de aproximar os pequenos do assunto.

Domingos pensa que os pais também devem mostrar que o dinheiro é mais que uma moeda de troca e que, se guardada, ela pode ser utilizada para conquistar sonhos.

Utilizando o dinheiro na prática
Um dos métodos de fazer com que os jovens administrem seus gastos é por meio da mesada ou “semanada”. Para Domingos e Modernell, trata-se de um método bastante eficaz. Mas os três especialistas alertam que é muito importante que a implantação da mesada seja discutida em família e bem controlada, como ocorreu no caso do auditor do Banco do Brasil. “Eu sentei com as meninas e vi as atividades que elas faziam por mês. Assim pude estabelecer um valor adequado”, conta Bizzo. “Pais e filhos devem chegar a um valor que seja plausível com os gastos dos jovens e a renda da família. A mesada também tem que ser bem controlada – o pai não deve atrasá-la, por exemplo”, aconselha Cássia.

Freando o consumismo exagerado
Os estímulos para o consumo são muitos, mas, segundo Cássia, quando as crianças estão gastando demais, geralmente existem duas principais razões para isso: elas podem estar copiando o modelo passado pelos pais ou então elas sentem algum tipo carência afetiva e tentam supri-la com bens materiais. Para a especialista, é preciso que os pais analisem seu próprio comportamento e questionem-se: “Que tipo de modelo estamos passando para essa criança? Será que é esse o caminho? Será que ela não sente algum tipo de abandono?”.

Tanto Modernell como Domingos acreditam que os pais têm que estar sempre junto com os filhos e também têm que estabelecer um objetivo para criança utilizar o dinheiro. “Não se pode satisfazer o desejo do filho de imediato. Se ele quer um brinquedo novo, é bom esperar um tempo para ver se a vontade se mantém”, sugere Modernell.

Dicas de leitura

Álvaro Modernell
– Versinhos de Prosperidade
– Paulinha e o Ipê Amarelo
– O Pé de Meia Mágico
– Zequinha e a Porquinha da Poupança
– Quero Ser Rico
– O poço dos desejos

Reinaldo Domingos
– O Menino do Dinheiro

Cássia D’Aquino Filocre
– 20 Dicas para ajudar você a administrar sua mesada

 

Fonte: //www.previ.com.br/portal/page?_pageid=57,1727846&_dad=portal&_schema=PORTAL

 

O livro O Menino Do Dinheiro, citado na matéria, está disponível na Loja Virtual do Instituto DSOP de Educação Financeira!