O crédito fácil está levando grande parcela dos brasileiros ao endividamento e o país corre o risco de repetir o quadro dos Estados Unidos, onde quase 100% da população está inadimplente com operadoras de cartões. O alerta é do educador e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos.

Presidente do Instituto DSOP (a sigla significa Diagnosticar, Sonhar; Orçar e Poupar), Domingos acredita que a melhor fórmula para ter um país de economia equilibrada é a educação financeira, que deve começar na infância nas escolas . Autor dos livros Terapia Financeira (2007) e O Menino do Dinheiro (2008), ele lembra que o início do ano é a melhor época para planejar e equilibrar as contas.

 

O que o crédito de massa pode acarretar?
Estamos aí à beira do caos. Hoje mais de 80 milhões de brasileiros se encontram endividados. O pior não é o endividamento só, mas a inadimplência, que vem crescendo. As pessoas não estão dando conta de pagar as dívidas. Hoje os brasileiros encontram grande leque de créditos, como cheque especial, cartão de crédito, crédito consignado nas empresas, para os aposentados, empréstimos em financeiras, financiamento de carros e casa. Crédito fácil somado a marketing publicitário faz um movimento perigoso para o endividamento. As pessoas compram aquilo que não sonhavam com o dinheiro que não têm.

 

É um problema comportamental?
Sim. Porque está ligado aos hábitos e costumes de qualquer pessoa sobre como ela administra o seu dinheiro. Temos logicamente que combater a causa. O Instituto DSOP, que dirijo, tem como missão disseminar a educação financeira. Não por meio de metodologia exata, mas sim comportamental.

 

Com tantos apelos para o consumo, como controlar supérfluos e compras por impulso?
É sempre necessário perguntar: isso é necessário? É importante? Isso agrega valor para a nossa família? Eu tenho dinheiro para comprar esse bem? Eu posso deixar para amanhã? Porque se puder, amanhã nem posso me lembrar mais, porque era desnecessário. Ou seja os valores que vamos gastar em nossas vidas precisam ter sentidos. Você só combate o consumo compulsivo com a educação financeira. A pessoa precisa se educar no seu comportamento. Educação financeira é mudança de hábitos e costumes. A educação financeira mexe diretamente com o comportamento e não com planilhas.

 

Como começar o ano com organização financeira?
O primeiro passo é fazer o diagnóstico para registrar o que se ganha e o que se gasta. O segundo é  anotar seus sonhos, o que quero realizar em 2011. Depois fazer um orçamento, onde você registre o que entra e o que sai de dinheiro, em que priorize o seu sonho. Ou seja,  é o que eu ganho menos as despesas e os meus sonhos, seja uma viagem, comprar um carro ou um plano de previdência privada. Não é aquele orçamento em que você registra o que entra e o que sai de dinheiro e o que sobrar é lucro. É o que eu ganho, menos os meus sonhos, depois vêm as despesas. Se não der, você terá que cortar gastos nas despesas e não os seus sonhos. O problema é que a gente corta os sonhos, por isso não os realiza. O quarto passo é o poupar, que nada mais é que guardar dinheiro para realizar os sonhos.

 

Fonte: //www.revistaviverbrasil.com.br/teste/impressao.php?edicao_sessao_id=1326

 

Aprenda a priorizar os seus sonhos e evitar o endividamento pelo crédio fácil! Leia Terapia Financeira, disponível na Loja Virtual do Instituto DSOP de Educação Financeira.